Visibilidade restrita

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

sábado, 02 de novembro de 2019

Para pensar:

“O menino é o pai do homem.”

Fernando Sabino

Para refletir:

“Os que falam mal dos outros em tua presença, na tua ausência falarão mal de ti.”

Provérbio árabe

Visibilidade restrita

O leitor já está cansado de saber que desde o dia 17 de outubro deste ano a Prefeitura de Nova Friburgo tem publicado diversos atos oficiais de forma restrita, apenas no Diário Oficial Eletrônico, que só pode ser acessado via internet.

A justificativa para isso - única à qual sempre se recorre quando o efeito a ser produzido é reduzir a transparência administrativa, quer seja em opacidade, quer seja em alcance e acessibilidade das informações - foi a economicidade.

Sempre ela, claro.

Confere lá

Bom, então no dia 30 de outubro a prefeitura publicou - exclusivamente na internet - o Extrato de Instrumento Contratual relativo ao processo administrativo 15318/2017 e ao contrato 156/2019, assinado no dia 16 de outubro entre o Município de Nova Friburgo e a empresa Duelo Comunicação Total para prestação de serviços de publicidade, propaganda e marketing da Prefeitura Municipal de Nova Friburgo pelo prazo de 12 meses, pelo valor máximo de R$ 1,2 milhão.

Os detalhes sobre essa licitação estão em matéria específica que A VOZ DA SERRA publica nesta edição, aí ao lado na página 4, de modo que a coluna não será redundante.

Funil

Conforme explica a matéria da página ao lado, o cruzamento entre aquilo que estabelece a legislação eleitoral e a falta de investimentos municipais de mesma natureza através de agência publicitária nos primeiros semestres de 2017, 2018 e 2019 significa que a prefeitura só terá autorização para lançar mão desses investimentos até o fim de 2019.

Ou seja: em tese, o que se tem é um orçamento anual que só pode ser executado ao longo de dois meses.

Pesos e medidas (1)

A coluna sempre defendeu valores como franqueza, transparência, respeito e honestidade, e não deixará, agora, de considerar gastos em comunicação como investimentos.

No entanto, o colunista não pode deixar de destacar a reveladora diferença de tratamento reservado, por um lado, à publicação impressa de atos oficiais, e, por outro, à veiculação de conteúdo propagandístico.

Pesos e medidas (2)

Inclusive porque o valor do segundo supera em muito o do primeiro, ao passo que o conteúdo informativo - em quantidade, interesse, e em alguns casos, também em confiabilidade - fica muito aquém.

E ninguém, lá ou aqui, está falando sobre economicidade, não é mesmo?

Não. Claro que não.

Porque nunca é esse o problema real.

Conveniência

Nesse nosso país, o mesmo político que defende a interrupção de canais oficiais de comunicação aluga tempo em rádio para que possa dizer o que quiser, e financia párias para que espalhem, no vale tudo das notícias falsas, o que lhe seja interessante.

Nunca falta dinheiro para financiar a comunicação conveniente, livre de amarras éticas, mesmo que a pessoa disposta a se vender seja constrangedoramente desprovida de qualquer preparo ou competência.

Seletividade

Não, economicidade definitivamente só vale para a informação isenta, séria, crítica, inegociável.

Essa é um “desperdício” a ser cortado.

Como diz o aforismo de William Randolph Hearst, “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

A prática confirma isso o tempo todo.

Desrespeito

O grande problema, nisso tudo, é que quando o discurso não é totalmente sincero a conta não fecha, e a inteligência da população acaba sendo desrespeitada.

E isso é algo que incomoda profundamente a este colunista.

O leitor, por exemplo, faz ideia de quanto teria custado a publicação deste ato oficial específico também em mídia impressa?

Senta antes de ler, porque é um valor chocante.

Oitenta reais.

Oi-ten-ta.

Luz e sombra

Aí o governo vai ter que perdoar o colunista, mas só resta concluir que a opção pela plataforma estritamente digital se dá justamente porque ela é menos acessível.

Porque existe um desgaste - por vezes injusto - quando o cidadão lê que o governo pode vir a gastar mais de R$ 1 milhão em publicidade, em meio a tantas falhas nas contrapartidas que lhe são devidas.

Porque tem coisas que se quer mostrar, e outras não.

Bom exemplo

E, por favor, não digam que hoje em dia todo mundo acessa a internet.

Nos próximos dias, por exemplo, começarão as matrículas na rede estadual de Educação.

Pois bem, há vários anos campanhas se esforçam por promover a chamada matrícula fácil, via internet.

Agora pergunte às diretorias das escolas quantas famílias ainda fazem o processo presencialmente, por falta de condições ou informações.

Ou, se estiver com pressa, apenas passe em frente e veja as filas...

Verdadeira economicidade

Os inimigos da transparência geralmente salivam quando a coluna aborda estes temas, ávidos por dizer que estamos militando em causa própria.

Não sabem, nem querem saber, que por diversas vezes este colunista ofereceu ao governo o espaço necessário para divulgar boas notícias, de maneira obviamente gratuita, afirmando apenas que iria confirmar as informações antes de as publicar.

E este canal, permanentemente aberto, jamais foi aproveitado.

Laços sólidos

Ao longo dos anos este espaço cultivou uma relação de profundo respeito para com o leitor, que já não pode mais ser arranhada por difamações levianas.

A coluna conhece seus leitores, ouve e dá voz a seus anseios, e tem certeza de que quem está aí, do outro lado, sabe reconhecer e valorizar esses valores.

Deixe que digam o que são pagos para dizer, portanto.

Sabemos reconhecer a verdade.

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