Vírus perigoso

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 07 de novembro de 2019

Para pensar:

“Quem sou eu para soprar contra o vento?”

Paul Simon

Para refletir:

“O efeito que você tem nos outros é a moeda mais forte que existe.”

Jim Carrey

Vírus perigoso

Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Paliquir, na Micronésia, comprova o que muita gente já suspeitava mundo afora.

Por algum mistério ainda inexplicável, a proximidade de períodos eleitorais tem efeitos excitantes sobre o terrível vírus “populismus apelativae”, que se aloja no córtex cingulado anterior pregenual, parte do cérebro responsável pela capacidade de sentir vergonha.

Uma vez despertado, o vírus libera uma toxina que inibe a ação do córtex, fazendo com que o hospedeiro perca qualquer vestígio de vergonha na cara.

Drama

O estudo aponta ainda que, por motivos não devidamente esclarecidos, pessoas com estes sintomas geralmente passam a desenvolver maior interesse pela política.

E o que é pior: durante a manifestação dos sintomas a doença pode ser contagiosa, o que em tese explicaria por que pessoas sem vergonha são encontradas com tanta frequência nas órbitas da administração pública.

É, de fato, uma situação dramática, que já arruinou a reputação de muita gente e gera sofrimentos a tantas outras, na medida em que compromete a eficiência de políticas públicas.

Esperança

Existe, contudo, um fio de esperança.

Notou-se, desde o início das pesquisas, que algumas pessoas pareciam imunes ao contágio, mesmo quando convivendo em ambientes fechados por longos períodos de tempo com pessoas nitidamente infectadas.

Estudos preliminares com estes raros indivíduos parecem ter descoberto uma característica em comum: a proteína “character ilibadum”, que aparentemente tem a propriedade de proteger o corpo do contágio.

Ainda não se sabe, contudo, se ela poderá ser sintetizada e transformada em vacina.

Sinais de alerta (1)

Enquanto o tratamento não é disponibilizado, a comunidade científica internacional recomenda que os eleitores estejam atentos a determinados comportamentos.

Casos de amnésia seletiva, por exemplo, são muito comuns.

Um exemplo, ao acaso: a pessoa já passou por administrações anteriores, teve rápida evolução patrimonial, os problemas públicos persistiram (ou se agravaram) a partir de sua atuação, e ainda assim ela grava vídeos dizendo que tudo tem fácil solução, basta ter vontade de fazer.

Sinais de alerta (2)

Em quadros realmente graves, contudo, políticos cujas atuações catastróficas se notabilizaram pela sangria do erário podem chegar ao extremo - acredite se quiser - de levantar bandeiras como a redução salarial para cargos eletivos, e também do número de cadeiras em casas legislativas.

Mas o grande problema, nesse caso citado, é que este é um sintoma não específico, uma vez que políticos sérios também podem eventualmente abraçar a mesma causa.

Anamnese

Assim, se faz necessária uma anamnese mais cuidadosa, antes que se possa arriscar um diagnóstico.

O cidadão em questão é adepto do nepotismo? Já usou a máquina pública como cabide de empregos? Já pediu para que fossem alteradas datas em processos? Tem histórico de provocar emergências em desfavor de licitações, ou de espalhar mentiras contra adversários políticos? Já pediu percentual de retorno em contratos superfaturados? Já tentou atrapalhar o andamento de CPI, ou apagar notícias ruins atreladas ao próprio passado? Já apelou ao populismo barato anteriormente?

Casos distintos

Se a resposta for negativa a todas estas perguntas, pode ser, sim, que estejamos diante de uma postura motivada por boas intenções.

Mas, por outro lado, se o histórico se enquadrar em uma ou mais dessas hipóteses, então trata-se de um quadro irrecuperável, e a recomendação da Organização Mundial de Saúde é para que os eleitores mantenham o doente o mais afastado possível de ambientes públicos.

Em alguns casos, inclusive, recomenda-se o encarceramento.

Sucesso lá fora

Sabe quem anda fazendo um enorme sucesso lá pelas terras da Cidade Imperial?

Pois é, nossa nova Lei Orgânica Municipal.

Nem sempre valorizada e aproveitada como faz por merecer, nossa legislação começa a se consolidar como referência nacional, e já vem inspirando estudos em universidades e em outros municípios, que certamente farão com que aspectos estruturais e diversos artigos venham a ser aproveitados ou adaptados a diferentes realidades regionais.

Muito do que foi elaborado por aqui, podem ter certeza, logo irá se espalhar pelo Brasil.

Epicentro

Nesta semana, o vereador Professor Pierre, relator da nova LOM, foi convidado a detalhar nossa legislação e seu processo de criação na Rede Petrópolis de Televisão, no programa comandado por Márcio Campos.

Parece evidente, a essa altura, que uma iminente onda de renovações em leis orgânicas deverá ter seu epicentro por aqui.

O vídeo da entrevista está disponível no YouTube, caso alguém se interesse.

Exportando silêncio

Já a querida Elisabeth Souza Cruz está levando a experiência de nossa campanha pelas motos silenciosas para Campos dos Goytacazes.

Diante dos resultados que já podemos sentir, a amiga fez um apanhado com reportagens de A VOZ DA SERRA, e também algumas notinhas publicadas neste espaço, e está espalhando a palavra pela terra do melado.

É isso aí.

Temos um pioneirismo histórico, e o que é bom deve ser sempre dividido.

 

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