Sinal dos tempos

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para pensar:

“Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.”
Millôr Fernandes

Para refletir:

“Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.”
Winston Churchill

Sinal dos tempos

Há muitos anos costumava-se dizer no meio político que um candidato que tivesse 40% de rejeição seria inviável para um pleito majoritário.

E vejam só, os dois candidatos que irão disputar a presidência no segundo turno ultrapassaram esta margem.

Ora, isso dá muito que pensar.

Dominar pelo medo

Se ainda não estivesse evidente ao eleitor - ao menos de maneira consciente - qual a explicação para esse quadro inusitado, os próprios candidatos trataram de explicitar a estratégia vigente em seus discursos tão logo houve a confirmação do resultado.

A palavra mágica é o medo, claro.

Desde a noite dos tempos, a maneira mais eficaz de se dominar uma população.

Espelho

O paralelismo entre apoio e rejeição não deixa dúvidas de que, na verdade, o eleitor médio está votando num lado não necessariamente por se sentir confortável com tudo o que vê em seu campo, mas sobretudo por rejeitar ou temer o que acredita que pode vir a acontecer se o outro lado chegar ao poder.

Um parâmetro, portanto, reflete o outro.

Vale tudo

A experiência nos mostra que, infelizmente, para muitos atores no meio político vale tudo para vencer uma eleição.

Tudo mesmo.

Inclusive lançar mão de expedientes que, em caso de vitória, tornarão mais difícil a tarefa de governar.

Como dividir a população, por exemplo.

Mas, um problema de cada vez. Primeiro é preciso vencer, depois dá-se um jeito...

A quem interessa?

Por tudo isso, passada a ressaca deste 1º turno resta a impressão de que alguns ganharam, mas todos perdemos em alguma medida.

O veneno das notícias falsas intoxicou perigosamente a imagem que fazemos uns dos outros, e já acreditamos tanto em tais conspirações que nos tornamos agentes do plano que nos prejudica, na medida em que espalhamos tais inverdades uns aos outros.

Gente, conhecemos nossos amigos e familiares de longa data.

A quem interessa que estejamos tão rachados?

Desconexão

Presidência à parte, as pesquisas de intenção de voto estiveram muito, mas muito longe de refletir o resultado das urnas.

Ainda que pareça evidente que o voto foi sendo elaborado de cima para baixo, e que a opção para a presidência ditou - possivelmente na reta final - os votos para governador, senadores e deputados, alguma explicação precisa ser dada para tamanha desconexão.

Credibilidade

Pesquisa é coisa muito séria, e tamanha discrepância arranhou profundamente a credibilidade daquilo que elas dizem, ainda que a boca de urna tenha identificado os resultados corretamente.

Por outro lado, no entanto, a credibilidade das urnas eletrônicas parece sair fortalecida do pleito, embora sempre exista quem se divirta semeando dúvidas e conspirações.

Governador

Como as pesquisas não perceberam, por exemplo, que Wilson Witzel tinha mais de 40% dos votos válidos para o governo do estado?

Será que todos esses votos foram decididos no último momento?!

E não foi só isso… Tarcísio Motta ficou em terceiro, com mais de 10% dos votos válidos, à frente de Romário.

Nada disso foi previsto pelas pesquisas.

Senado

O mesmo pode ser dito a respeito da composição do Senado, no Rio e fora dele.

César Maia, por exemplo, liderou quase todas as pesquisas de intenção de voto, e acabou sendo superado por Flávio Bolsonaro e por Arolde de Oliveira, que nem ao menos aparecia entre os quatro primeiros nas consultas.

De novo é evidente que o voto foi em apoio a Jair Bolsonaro.

Mas será que ele foi decidido em cima da hora?!

E Dilma Rousseff, que liderava as pesquisas para o Senado em Minas Gerais e foi apenas a quarta mais votada?

Cenário local

Em relação ao nosso cenário local, a eleição desenhou mudanças sensíveis.

A começar pela Alerj, onde Nova Friburgo gozou de certo protagonismo nos últimos anos, através das representações de Comte Bittencourt e Wanderson Nogueira somadas aos festejos pelos 200 anos, e onde agora passa a não ter uma representação específica.

Enquanto Comte concorre a vice-governador na chapa de Eduardo Paes, Wanderson perdeu exatos mil votos em relação a 2014 e será o segundo suplente do Psol no parlamento estadual.

Alerj

Apesar de ter tido nove mil votos a menos que Wanderson e três mil a menos que Marcio Damazio, o vereador Sérgio Louback foi quem mais se aproximou de uma cadeira na Alerj.

Ele será, a partir de 1º de janeiro, o primeiro suplente do PSC no Palácio Tiradentes.

Ainda na Alerj, destaque também para os mais de oito mil votos direcionados a Marcos Marins.

Aliás, parece evidente que foi justamente essa distribuição dos votos entre tantos candidatos que acabou por não eleger nenhum deles.

Brasília (1)

Já na Câmara dos Deputados o quadro parece diferente.

É verdade que a votação de Glauber Braga caiu para menos da metade, e que em Nova Friburgo ele teve pouco mais de 25% dos votos que recebeu em 2014.

Ainda assim foi eleito para seu quarto mandato, e é notório que sua influência na Região Metropolitana do Rio aumentou muito.

Parece claro que sua votação nestas áreas só não foi maior porque Marcelo Freixo atraiu para si a imensa maioria dos militantes ou simpatizantes do partido.

Brasília (2)

Paralelamente, Nova Friburgo também passa a contar com o mandato de Luiz Lima, que morou aqui e recebeu votação expressiva na cidade, e com Marcelo Calero, que tem cultivado laços de proximidade com a população local, e que teve no apoio friburguense um fator decisivo para sua eleição.

Outros deputados ligados a vereadores locais, como Sóstenes Cavalcante, Hugo Leal e Alessandro Molon, também seguem em Brasília.

Ecos

Os resultados já conhecidos lançam as bases para o início das costuras que resultarão nas eleições municipais de 2020.

São esperadas para os próximos dias possíveis mudanças de partido entre alguns vereadores, e também possivelmente entre um ou outro candidato sem mandato.

O PSB de Molon parece especialmente atraente, neste momento.

A conferir.

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