Silêncio e som

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Para pensar:

“Não existiria som se não houvesse o silêncio; não haveria luz se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim.“

Lulu Santos

Para refletir:

“O silêncio é um amigo que nunca trai.”

Confúcio

Silêncio e som

Ao fim de uma reflexão a respeito do que andou se passando em nossa cidade nos últimos dias, as sensações bem que poderiam se resumir a essa imagem do contraste entre silêncio e som.

E mais: a forma como, vendo além das aparências, o silêncio por vezes pode ser muito mais proveitoso e informativo.

Barulho

Começando pela parte mais simples, a coluna entende que o que se passou no centro de nossa cidade na noite da última sexta-feira, 9, para sábado, 10, merece um pouco de atenção.

Mesmo em meio a uma rotina de abusos, desrespeito e impunidade, essa madrugada conseguiu se destacar como uma das noites mais barulhentas e perturbadoras do ano, se é que houve outra como esta.

Caos

Sirenes, garrafas sendo quebradas, gritaria constante, carros e motos acelerando de maneira absolutamente inútil e desrespeitosa, pneus cantando, veículos com som ridiculamente alto, gente buzinando em zonas residenciais e nas proximidades de hospitais, e por aí vai.

Para quem apenas ouvia o caos, imaginando o que se passava pelas ruas, as imagens que vinham à mente pareciam saídas de um filme da franquia Mad Max.

Simplesmente não dá para esse tipo de coisa continuar se repetindo dessa forma.

Ainda?

A esse respeito, o colunista se lembra que quando a parte externa do isolamento da obra na Estação Livre foi pichada com uma mensagem crítica ao prefeito Renato Bravo, noticiou-se que o autor da pichação “ainda não havia sido identificado”.

O “ainda”, nesta frase chamou bastante atenção.

Porque, claro, se esse cidadão fosse identificado, então teríamos aí um forte indício de que o que falta para identificar esses reincidentes irresponsáveis da madrugada é apenas vontade.


Agora vai?

Mas talvez não caiba crítica ao governo aqui.

Por coincidência, enquanto escrevia estas linhas o colunista recebeu a informação que na tarde da próxima sexta-feira, 16, a prefeitura irá apresentar sua nova Central de Monitoramento, que já se encontra em funcionamento, “com o balanço de tudo que foi flagrado ao longo da semana”.

Resta esperar que pessoas respondam pelo que andaram fazendo, e a eventual redução da impunidade possa também reduzir a incidência desses abusos.

Silêncios

A barulheira caótica e sem sentido de nossas noites contrasta com o silêncio instigante que predomina em determinadas repartições ou instituições públicas de nossa região.

Não estamos falando de silêncios “normais”, típicos da falta de notícias, mas de algo nitidamente deliberado, por agentes que preferem não chamar atenção para o que estão fazendo, e por outros que estão apenas acumulando forças para as explodir no momento certo.

É, enfim, o tipo de silêncio que antecede a vários trovões.

Nova tarifa

A coluna andou ligando alguns pontos, e também teve acesso a muitas informações sob embargo, que não podem ser divulgadas sob pena de alterar o rumo dos acontecimentos.

Mas os sinais são claros, e algumas destas situações já começam a emergir.

Na tarde desta segunda-feira, 12, por exemplo, a prefeitura anunciou para hoje a publicação do decreto municipal que autoriza o reajuste da tarifa de transporte público em Nova Friburgo, passando de R$ 3,95 para R$ 4,20.

O novo valor começa a ser praticado já no próximo sábado, 17.

Novo tom

O comunicado do governo municipal deixa claro o que era possível sentir há bastante tempo: as negociações em torno do valor da tarifa e do chamado reequilíbrio econômico da prestação do serviço foram extensas.

A mudança no discurso do Palácio Barão de Nova Friburgo a esse respeito, por sinal, é notória, e deixa aquela incômoda sensação de que não se sustenta apenas nos argumentos apresentados.

O que muda (1)

Após reconhecer que “a falta de aumento nesse período, de fato promoveu um desequilíbrio no contrato, já que os reajustes previstos são anuais”, a prefeitura informa que irá subsidiar o complemento da tarifa até o valor de R$ 4,40, ao custo de R$ 300 mil mensais, “para não repassar o valor integralmente aos passageiros”.

O subsídio será mantido até dezembro de 2019, “para garantir o direito à gratuidade de estudantes e pessoas entre 60 e 64 anos”.

O que muda (2)

Ainda de acordo com o governo, este valor será pago por meio de recursos da Secretaria de Ordem e Mobilidade Urbana.

“Quando a nova licitação for concluída, a outorga fixa de R$ 300 mil por mês será substituída pelo valor recolhido de outorga (2% sobre o faturamento da empresa) e mais ISS (3% do que a empresa recolhe). Esses percentuais serão incorporados ao Fundo de Compensação Tarifária, responsável pela gestão do subsídio.”

Apareceu

Bom, tem muita informação aí que vem sendo cobrada e questionada há vários anos.

Esta é a primeira vez em muito tempo, por exemplo, que o governo fala abertamente sobre o Fundo de Compensação Tarifária, cuja gestão vem carecendo de transparência há muito tempo.

Credibilidade

O discurso oficial está ok, mas cabe questionar, por exemplo, se a falta de vínculos próprios de um regime de concessão - e a posição de fragilidade em que o governo se colocou ao forçar a prorrogação do contrato anterior - afetou, e em que medida, o andamento das negociações.

Até mesmo porque a lógica, há muitos meses, apontava justamente na direção do que acaba de acontecer.

Parece claro, portanto, que voltaremos a esse assunto nos próximos dias.

Em tempo...

E já que falamos sobre transporte coletivo, cabe registrar que o diretor da empresa Faol, Paulo Valente, enviou resposta à coluna direcionada aos leitores de Riograndina que têm reclamado do horário que estão chegando em suas casas.

Aliás, entre concordâncias e discordâncias respeitosas, é justo reafirmar que a empresa tem se mantido sempre aberta ao diálogo com os leitores deste espaço.

Aspas

“Informamos que desde que chegamos aqui as alterações da linha Riograndina foram: a) Utilização de ônibus novos com ar condicionado; b) Ajuste na tabela de horários com aumento de um ônibus na frota operante (oito meses atrás); e c) Fim da linha direta integral, mas sendo mantida na hora do rush vespertino. Desde que assinamos o TAC, portanto, a linha teve aumento no número de horários e há oito meses nada foi alterado. Verificamos as planilhas diárias e não há perda de viagens, apenas atrasos por conta de engarrafamentos no centro da cidade, que não dependem da empresa para serem resolvidos.”

Prestando atenção

Enfim, o espaço é curto e os temas são muitos para apenas uma coluna.

Mas, ainda assim, fica aqui um breve convite ao leitores, para que prestem atenção aos detalhes, e se esforcem por escutar o silêncio.

Tem muita coisa importante acontecendo.

Como de hábito, sempre que for possível, daremos algumas pistas por aqui.

Respostas

A coluna pede desculpas a Lau Cardoso, Walter Neto e à Cáritas Diocesana por não ter registrado anteriormente as respostas corretas enviadas para o desafio fotográfico que mostrou a capela do Santíssimo Sacramento, na Catedral São João Batista.

Lau, inclusive, acertou o alvo mesmo quando a coluna havia publicado apenas a foto do papel de parede do local.

Parabéns a todos!

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