Roupa suja

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Para pensar:
"Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou.”
Jacques Lacan

Para refletir:
"Roupa suja se lava em casa."
Ditado popular

Roupa suja
Parece impossível que qualquer brasileiro com mais de 15 anos de idade não tenha escutado, ao menos uma vez na vida, aquele velho ditado popular: “Roupa suja se lava em casa”.
A conotação, claro, não é literal, e sugere que dar publicidade a conflitos não ajuda a resolvê-los, embora atualmente se entenda que há exceções importantes, e que certas situações se situam além dos limites da reconciliação e precisam ser denunciadas.

Literal
Em nosso contexto atual, no entanto, a frase bem que poderia ser aproveitada em seu sentido literal.
Afinal, uma apuração levada adiante pelo vereador Johnny Maycon - e que está em vias de se tornar uma representação junto ao Ministério Público - aponta para diversos problemas relacionados às lavanderias do Hospital Raul Sertã e também da Maternidade.

Discrepância
Desde meados de setembro deste ano, e pelo prazo de 180 dias, o serviço de lavanderia para os dois hospitais vem sendo prestado por uma empresa sediada na Região dos Lagos ao custo de R$ 4,60 pelo quilo de roupa lavada.
Todavia, entre meados de abril e de agosto deste ano, o mesmo serviço foi prestado por um hospital particular vizinho ao Raul Sertã, que agora solicita o reconhecimento de dívida superior a R$ 731 mil, calculado a partir do valor de R$ 20,80 por quilo de roupa lavada.
Um valor 352% mais alto do que o praticado atualmente, apesar do custo com transporte ter sido infinitamente menor.

De novo?
Daí o leitor pode imaginar que o problema esteja restrito ao que aconteceu no passado, e que o serviço prestado atualmente está ok.
Mas, infelizmente, não é o caso.
Recentemente o vereador viu, gravou e fotografou roupas que tinham acabado de chegar à Maternidade após o procedimento de lavagem e ainda assim continuavam sujas de sangue.
Algo que já havia acontecido em 2017, com o material que estava sendo “esterilizado” fora do Hospital Raul Sertã.
A coluna tem as imagens, mas vai poupar os leitores de vê-las.

Desperdício
Acabou?
Não, ainda não.
O vereador também fotografou aproximadamente 95 galões de amaciante estocados no Raul Sertã.
Alguns já com prazo de validade vencido, outros muito perto disso. 

Interesse de quem?
Enfim, o caso das lavanderias se soma a tantos outros exemplos de gastos incompatíveis com a escassez de recursos em áreas essenciais - como o pagamento de fornecedores de merenda escolar -, ainda que o vereador Johnny Maycon pretenda solicitar ao Ministério Público que tome medidas a fim de assegurar que a dívida não venha a ser reconhecida nos valores apresentados.
Algo, aliás, que o próprio Executivo deveria estar ocupado em fazer, não?

Trailer
Bastou este espaço tangenciar nosso cenário eleitoral momentâneo para que a coluna da última terça-feira, 10, se tornasse rapidamente a mais lida e comentada da semana, fornecendo um termômetro, uma pequena amostra do que parece nos aguardar em 2020.
E o filme não parece ser lá muito bonito não.

Receita de bolo
O colunista tem uma opinião bastante clara a respeito de certas rotinas.
Tentar explorar o chamado “comportamento de manada”, por exemplo, é algo que incomoda bastante, uma vez que passa necessariamente por subestimar a inteligência alheia.
A experiência definitivamente ensina que esse tipo de comportamento é um mau sinal a respeito dos interesses que um grupo efetivamente defende ou representa.

História eternizada
Será lançada, nesta sexta-feira, 13, a autobiografia do professor e ex-presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Jorge Carvalho.
Com o título “Nem tudo o que sei devo contar...”, certamente inusitado para uma obra biográfica, o livro está sendo publicado pela In Media Res Editora, e será apresentado a partir das 18h, na Academia Friburguense de Letras.

Arte pedagógica
A luta contra exploração do trabalho infantil inspirou o espetáculo de dança “InVisíveis”, que será encenado neste domingo, 15, em Cachoeiras de Macacu.
A apresentação tem como objetivo pedagógico abordar o trabalho infantil em seus diversos aspectos.
O procurador do Trabalho Jefferson Rodrigues abrirá o evento, com manifestação sobre o tema e o espetáculo.

Mensagem importante
Nele serão apresentados os dados relativos ao trabalho infantil no Brasil, as repercussões negativas sobre crianças e adolescentes vitimados, os reflexos físicos, psicológicos e sociais, exemplos de trabalhos mais comuns exercidos ilegalmente por crianças e adolescentes, que integram a lista das piores formas de trabalho infantil (Lista TIP), como o trabalho em lixões, trabalho doméstico, trabalho como garçonete em local que vende bebida alcoólica, vendedor de entorpecentes (drogas ilícitas), entre outros.

Onde e quando
A apresentação acontece domingo, 15, a partir das 19h na Vila Olímpica de Cachoeiras de Macacu (Alameda Bedem, 2-24, condomínios Village I e II).
A apresentação artística contará com 18 coreografias e a participação de 62 bailarinas, alunas do Grupo de Dança Mundo Rosa, e o apoio do Ministério Público do Trabalho em Nova Friburgo.
Os convites estão sendo vendidos a preços populares, com o objetivo de custear parcialmente o projeto.

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