Pós-verdade

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Para pensar:

“Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.”

Mahatma Gandhi

Para refletir:

“Quem não conhece a verdade não passa de um tolo; mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso!”

Bertolt Brecht

Pós-verdade

Como acontece em tantos casos atualmente, o discurso em torno da publicação de atos administrativos é embalado em cores politicamente corretas que mascaram as reais motivações e intenções, aparentemente consideradas indignas de serem tornadas públicas até mesmo por seus próprios protagonistas.

E, no fundo, é exatamente disso que se trata.

Para muitas pessoas, sobretudo no meio político, a verdade muitas vezes não é boa o bastante.

Inversão

Ao restringir a publicação de atos oficiais, por exemplo, o discurso se ampara em dois pilares: economicidade e manutenção da transparência.

E, a depender do contexto, isso poderia mesmo ser verdade.

Basta uma reflexão muito rápida, no entanto, para se confrontar com um cenário no qual as palavras servem apenas para se voltar contra quem as pronuncia.

O bonito

O comunicado enviado pela prefeitura na quarta-feira, 18, que pode ser lido na íntegra nesta mesma página, traz o seguinte: “Cumpre destacar que tal medida implicará em significativa economia para os cofres municipais, mantendo a total transparência e publicidade.”

Perfeito, não?

A verdade

No entanto, cabe observar que a “significativa economia” em questão equivale ao custo anual de apenas três gratificações, entre as de valor mais elevado disponibilizadas pelo governo municipal.

E que, apenas no mês de janeiro de 2019, de acordo com resposta a requerimento de informações apresentado pelo vereador Johnny Maycon, a prefeitura gastou R$ 292.645 com o pagamento de 436 destas gratificações, em sua maioria distribuídas a partir de critérios políticos.

Pesos e medidas

Num único mês, portanto, o governo gastou com gratificações um valor próximo ao triplo daquele que será economizado ao longo de um ano inteiro em publicidade de atos.

Evidentemente poderia ser escrito um livro inteiro com exemplos envolvendo sobrepreços, renúncias de receitas, ações trabalhistas, bloqueios de recursos, desperdícios, e gastos questionáveis.

Mas a coluna se limita a lembrar que ninguém se preocupou com economicidade nas duas vezes em que tentou-se controlar a linha editorial deste espaço.

Diante disso, qualquer outro argumento se torna redundante.

Proporção

Ademais, ao tratar tal investimento em publicidade de atos - pouco mais de R$ 300 ao dia - como uma significativa economia, o governo coloca a si próprio em situação delicada, quando lembramos que apenas na alimentação hospitalar do Raul Sertã gastou-se, durante muito tempo, mais de R$ 5 mil a mais do que se gasta atualmente, em decorrência de processos emergenciais que teriam sido absolutamente evitáveis, num ambiente de competência e correção.

Ora, então o que aconteceu foi o quê? Criminoso?

Redução

Por fim, com relação à manutenção da “total transparência e publicidade”, basta lembrar que o Diário Oficial Eletrônico já existe, promovido por AVS, de tal modo que reduzir a versão impressa apenas restringirá a oferta atual.

Quem quer ser visto?

A tendência, evidentemente, é a de que a migração ao digital ocorra ao longo dos anos, mas basta observar, por exemplo, que as sessões de nossa Câmara Municipal têm sido acompanhadas frequentemente por menos de dez pessoas no YouTube, para compreender que, ao contrário, parte da “atratividade” da medida está justamente na redução da visibilidade de atos como - olha aí - nomeações e direcionamento de gratificações.

Sem negócio

A verdade é que este espaço incomoda porque preserva sua liberdade editorial.

Ninguém aqui deixou de elogiar o que entendia ser positivo quando o jornal não era diário oficial, nem tampouco deixou de criticar o que se entende ser condenável, desde que o serviço voltou a ser prestado.

Publicidade de atos não é favor ou moeda de troca, mas direito inalienável da população.

Glauber x Moro

Confirmando expectativas, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados instaurou, nesta quarta-feira, 18, processo contra o deputado friburguense Glauber Braga (Psol-RJ).

Na mesma ocasião também foram sorteados os deputados para compor a lista tríplice, da qual sairá o relator do caso.

Os nomes são: Cacá Leão (PP-BA), Flávio Nogueira (PDT-PI); Gilson Marques (Novo-SC). O relator deverá ser definido na próxima reunião do conselho.

Contexto

O PSL acusa o parlamentar de quebra de decoro por ter chamado de "juiz ladrão" o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, durante audiência da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) realizada em julho.

Na ocasião, Moro havia ido à Câmara prestar esclarecimentos sobre denúncias publicadas pelo site The Intercept Brasil.

Aspas

A coluna reproduz a fala de Glauber, que agora será avaliada pelo conselho.

“O senhor vai estar nos livros de história como um juiz que se corrompeu, como um juiz ladrão (…) um juiz ladrão e corrompido que ganhou uma recompensa pra fazer com que a democracia brasileira fosse atingida (…) é o que o senhor é, um juiz que se corrompeu e um juiz ladrão”.

Defesa

Também nesta quarta-feira Glauber fez a leitura de sua defesa prévia, por meio da qual pediu o arquivamento da representação do PSL.

O parlamentar alegou ao Conselho de Ética que as frases ditas contra Moro estão protegidas pela imunidade parlamentar e pela exceção da verdade.

"Quem diz a verdade não merece castigo", declarou.

Segue

Glauber acrescentou ainda que parlamentares possuem direito à liberdade de opiniões, palavras e votos, e que, no episódio ocorrido na CCJ, apenas emitiu a opinião dele, "baseada e lastreada em fatos". "Se as palavras foram fortes e contundentes, não posso me desculpar. Foram adequadas para o assunto em pauta", disse.

Faol responde

O diretor da empresa de ônibus Faol, Paulo Valente, enviou resposta ao leitor Stênio de Oliveira Soares, que se direciona também aos moradores do Jardim Califórnia.

“O reequilíbrio econômico financeiro do contrato de concessão permitiu à concessionária adquirir 36 ônibus novos que até o fim de outubro serão integrados à sua frota, substituindo os mais antigos, que costumam apresentar problemas. A linha Centro-Jardim Califórnia terá sua frota renovada e passará a operar com ônibus com ar condicionado e suspensão a ar até o mês de novembro.”

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