Mordaça

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Para pensar:

“A vaidade é a pior inimiga do ser que se julga ser o melhor. Ela cega, ensurdece, e faz o assédio virar rotina. Cuidado com a vaidade, não essa das melhores roupas, acessórios e perfumes, mas a vaidade do coração. Um coração vaidoso se torna vilão de sua própria espécie sem que seus portadores percebam.”

Ismael Azevedo

Para refletir:

“A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.”

Barão de Montesquieu

Mordaça

Dando continuidade à nossas breves reflexões sobre os absurdos diários de nossa política, depois de falarmos sobre assistencialismo e sobre as relações mantidas com difamadores profissionais, é chegada a hora de observarmos algo muito sério e que também acontece fartamente por aqui: a utilização de vínculos trabalhistas como ferramenta de intimidação e controle.

Medo

Ao longo dos últimos anos este colunista foi apresentado a algumas centenas de depoimentos de servidores municipais insatisfeitos - por vezes até mesmo desesperados - com as situações que vinham enfrentando em seus respectivos ambientes de trabalho.

A imensa maioria destes relatos, todavia, vinha acompanhada de um pedido para que a fonte fosse preservada, ou para que as informações não fossem publicadas até que outras pessoas tivessem acesso aos mesmos dados, de modo a tornar mais difícil o rastreamento sobre quem teria falado.

Retaliação

Raríssimas foram as vezes em que alguém se dispôs a falar abertamente sobre alguma situação problemática, e fica fácil entender o porquê quando observamos o caso mais recente, do médico que deu entrevistas a respeito das condições de trabalho que encontrou, e em menos de dois meses já foi demitido de um emprego e informado que em breve perderá outro também.

Para além de concordâncias ou discordâncias com o que foi dito à época, tais retaliações - não neguemos o óbvio, por favor - expõem situações de imensa gravidade.

Intimidação

Porque, como se vê, o poder de nomear e exonerar não vem sendo historicamente utilizado “apenas” - como se isso fosse pouco - para benefícios eleitorais ou nepotistas.

Ele também vem sendo empregado como ferramenta de controle e intimidação, não apenas do próprio funcionalismo, mas também de alguns integrantes da base aliada.

Algo que pode ser visto, por exemplo, quando se analisa com atenção a composição da assistência no dia em que foi votado o mais recente pedido de abertura de comissão processante, aqui em Nova Friburgo.

A tentativa de intimidação estava lá. E, ao menos neste caso, não funcionou.

Controle

Observando tais fatores fica mais fácil entender por que tanta hesitação para levar adiante concursos públicos cuja necessidade todos estão cansados de conhecer.

E também por que algumas categorias seguem com vencimentos tão baixos, na dependência de “gratificações” para que possam compor uma renda um pouco mais decente.

Dessa forma, claro, fica muito mais fácil manter o controle sobre as categorias e também parte do plenário.

Furor

A exemplo do que já havia acontecido recentemente em relação às declarações do deputado federal Glauber Braga durante sabatina do ministro da Justiça, Sérgio Moro, a recente nomeação da ex-secretária de Saúde Emmanuele Marques como assessora parlamentar IX no gabinete do deputado estadual Alexandre knoploch (PSL/RJ) - o mesmo que anunciou que pediria intervenção estadual na Saúde friburguense um dia após Emmanuele deixar o cargo - também viralizou rapidamente nas redes sociais em meio a uma repercussão muito negativa.

Inabilidade

Todo este episódio, desde o momento escolhido para esta nomeação até a forma como se negligenciou a comunicação a respeito do que realmente se pretendia fazer na gestão da Saúde, passando pela imprecisão quanto às resistências que foram encontradas, sintetiza uma narrativa de enorme inabilidade política, bem no quintal de atuação de um personagem controverso cuja aptidão soa por vezes superestimada.

Ao que parece, é mais fácil atuar nos bastidores...

Lado bom

Também existem, todavia, boas notícias vindas do PSL, e é justo registrá-las.

O gabinete do deputado federal Luiz Lima enviou ofício à presidência de nossa Câmara Municipal comunicando a existência de uma indicação orçamentária de autoria do próprio parlamentar junto ao Ministério da Saúde, no valor de R$ 2,1 milhões, destinada a fornecer “incremento temporário ao custeio dos serviços de assistência hospitalar e ambulatorial” aqui em Nova Friburgo.

Trâmites

O deputado solicita que a Câmara de Vereadores faça a destinação destes recursos junto à prefeitura, e em seguida remeta ofício, assinado pelos 21 vereadores, contendo o objeto a ser adquirido/contratado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Resta apurar, no entanto, se esta notícia joga alguma luz sobre a anterior, ou se não existe nada que as conecte.

Imagem completa

Que a Fevest é importantíssima e merece todo o apoio, todo mundo já sabe, e sabe bem.

A fim de complementar a cobertura do evento, portanto, a coluna registra o teor de mensagem enviada pelo ex-vereador Edil Nunes, com ponderações importantes.

O polo friburguense conta com aproximadamente 14 mil trabalhadores, em sua maioria  mulheres “que historicamente cumprem jornada dupla ou tripla”.

Pode melhorar

Edil também fala em “produção exaustiva”, piso salarial baixo, e sobre a forma como algumas empresas fazem uso de prêmios ou gratificações por produção, com impactos sobre a arrecadação.

Em essência, contudo, a mensagem pede reconhecimento aos trabalhadores da indústria da moda, lembrando que a pauta de reivindicações foi enviada em fevereiro, e até agora não foi fechado acordo.

“Trabalhadores são o maior patrimônio do polo.”

Fala, leitor!

“Digna de muitos aplausos a iniciativa da Secretaria de Assistência Social, mas depois que o frio passar eles voltarão às ruas? Não seria conveniente tentar uma solução para que pudessem trabalhar e terem um local para 'morar' dignamente? Não entendo quem luta por um país rico quando temos gente nessa situação. País rico só justifica se todo seu povo se beneficiar de suas riquezas.”

Assina a mensagem o leitor Antônio Lopes.

Publicidade
TAGS:

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.