Jogo viciado

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 09 de maio de 2019

Para pensar:

“A saúde de Nova Friburgo está [sobrevivendo] por aparelhos.”

Arthur Mattar Gremion Soares, ex-diretor médico do Hospital Municipal Raul Sertã

Para refletir:

“A história está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que em verdade perteciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo.”

Carl Sagan

Jogo viciado

A coluna já criticou diversas vezes a forma quase que cultural com que nossas administrações, nas três esferas de governo, costumam lidar com o preenchimento dos quadros (que deveriam ser) técnicos.

Mas, por mais que tentemos virar certas páginas, pouco ou nada muda, e muitas vezes a gente se vê obrigado a bater nas mesmas teclas.

Como deveria ser

Obviamente, ninguém pode cobrar de um prefeito, governador ou presidente conhecimentos aprofundados sobre todas as áreas sob sua gestão.

Para isso, claro, existem secretários municipais, de estado e ministros, os quais deveriam ser expoentes técnicos das respectivas pastas, preferencialmente concursados, de carreira, com conhecimentos práticos a respeito do que funciona e do que precisa ser melhorado (e de que forma).

Como costuma ser (1)

O que muitas vezes acontece no Brasil, no entanto, é curioso.

O chefe do Executivo negocia tais nomeações, geralmente em troca de apoio, entregando-as a pessoas que frequentemente não possuem conhecimento aprofundado sobre as pastas, e pior: que levam consigo cupinchas e guardadores de segredos, que tantas vezes inundam o segundo escalão, não raramente sendo agraciados com as melhores gratificações disponíveis.

Como costuma ser (2)

Na prática, o conhecimento técnico raramente alcança seu lugar de direito, e apenas o desestímulo é reservado a quem efetivamente compromete a própria vida profissional com uma causa.

Ao mesmo tempo, vemos um pequeno grupo de escolhidos que, ao longo dos anos, vão emprestando sua “genialidade” à direção das mais diversas pastas, como se fossem sumidades em todas as áreas do saber.

E, em alguns casos, acreditam mesmo que são.

Carreiristas

Nos bastidores, tais pessoas costumam ser chamadas de “carreiristas”, e geralmente o segredo de tamanha empregabilidade reside em suas habilidades camaleônicas de adaptação e sobrevivência.

Como o leitor deve imaginar, a capacidade de jogar qualquer tipo de jogo, sem se deixar afetar por reservas de foro ético, costuma ser apreciada e valorizada no meio político.

Pertinência

Certo, mas por que falar sobre isso agora?

Bom, porque o ex-diretor médico do Hospital Raul Sertã, Arthur Mattar Gremion Soares, foi muito claro ao descrever os motivos que o levaram a deixar o cargo, e também ao explicar por que a gestão da Saúde precisa ficar a cargo de pessoas que tenham formação e experiência na área.

E a coluna pode assegurar que ele não falou (ou mostrou) tudo o que podia.

Decepção

Já faz tempo que este colunista se decepcionou profundamente com parte da atual gestão da Saúde, à época ainda a mando da gestão anterior, ao ter contato com registros materiais de pedidos de vistas de processos que estavam em vias de gerar licitações, e que não seriam nem devolvidos nem muito menos licitados, redundando em processos emergenciais que muitos consideram evitáveis.

Com o tempo, outras decepções ainda mais pesadas iriam vir.

Coração

Todavia, apesar de defender desde sempre a necessidade de conhecimento técnico no primeiro escalão de qualquer governo (algo que deveria ser óbvio), a coluna precisa acrescentar ao que foi dito pelo ex-diretor que não bastam o diploma ou a vivência.

Já vimos aqui mesmo, não faz tanto tempo, uma médica orientar pacientes a processarem médicos que se recusassem a tomar parte em procedimentos cirúrgicos num momento em que era evidente que a Central de Materiais e Esterilização do Hospital Raul Sertã não estava funcionando de forma satisfatória.

Desconexão

Muita gente entendeu este ato como uma manifestação de profunda insensibilidade em relação à dor alheia, e este colunista tem tido alguma dificuldade para agir como se este tivesse sido o único exemplo desta mesma desconexão, justamente por saber que não foi.

Digamos, portanto, que o conhecimento técnico e a lembrança do que foi dito no juramento são essenciais para a melhor gestão pública.

A empatia é muito mais proveitosa do que a vaidade.

Como fica

A diretoria médica do HMRS passa a ser assumida por Thiago Vicente Canto.

Mais mudança

Nesta quarta-feira, 8, registrou-se mais uma mudança no primeiro escalão do governo municipal.

Miguel Schuenck, secretário de Agricultura desde abril de 2018, pediu exoneração.

Até o fechamento desta edição, o prefeito Renato Bravo ainda não havia anunciado o nome do novo (será o quarto) titular da pasta.

Schuenck deve agora retornar à Emater, onde é funcionário de carreira.

 

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