Ignorância perigosa

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Para pensar:

"Só existe uma raça: a humana. E a beleza dessa raça está justamente em sua diversidade."

Aleksander Henryk Laks

Para refletir:

“Nunca deixe que as pessoas se esqueçam do quanto podem descer no trato umas com as outras.”

Jakob Laks, em pedido que fez ao filho durante a “Marcha da Morte”.

Ignorância perigosa (1)

E eis que o domingo começou com a notícia de que a bela e tradicional igreja de São Pedro da Serra - a primeira de nosso município, com mais de 150 anos - havia sido pichada durante aquela madrugada.

Algo que, por si só, já teria sido suficientemente lamentável e condenável.

Mas que não teria bastado para explicar como, ainda pela manhã, o colunista já havia recebido esta mesma notícia a partir de amigos que vivem muito longe de Nova Friburgo, e jamais estiveram por aqui.

Ignorância perigosa (2)

O que mais causou perturbação, de fato, foi o conteúdo do vandalismo.

Afinal, foram pichadas diversas suásticas, símbolo maior do regime nazista alemão, eternizado nas páginas da História não apenas por se encontrar no cerne do pior conflito já vivido pela humanidade, mas sobretudo por ter praticado, como política de estado, o extermínio em escala industrial daqueles que nomeou indesejáveis.

O tipo de horror que nenhum de nós jamais será capaz de dimensionar.

Contexto político

Além de tudo isso, naturalmente a notícia foi compreendida como de interesse nacional em meio ao contexto extremista, estereotipado e irresponsável em que se desenrola o segundo turno de nossa eleição presidencial.

A correlação, de fato, parece inevitável.

Meses perigosos

Não se pode fechar os olhos ao fato de que diversas pessoas - em especial jovens cujo contato com certas ideologias foi apenas superficial e distante - têm sentido a legitimação de determinados discursos e anseiam pelos próximos meses, quando acreditam que poderão exercitar impunemente uma barbárie cujas consequências lhes escapam.

Parece evidente que essa é uma onda fadada ao fracasso e à desilusão, mas a tendência é que tenhamos pela frente alguns meses marcados por arbitrariedades, as quais precisam ser dura e oficialmente combatidas, de forma exemplar.

Caso exemplar

Aliás, por aqui, imagens já foram requisitadas para identificar os responsáveis.

Cabe registrar, ainda, que a propaganda do emblema é vedada na lei que define preconceito de raça ou de cor, conhecida como Lei Caó.

A punição varia de dois a cinco anos de reclusão.

Em tempo: a prefeitura divulgou nota oficial a respeito do episódio, que pode ser lida em reportagem na página 7 desta edição.

Não vale tudo

A coluna entende que já passou da hora de discutirmos seriamente a ética nas campanhas.

Não dá mais para praticar o vale tudo em nome da vitória.

O colunista, inclusive, irá propor a elaboração de projeto de lei nesse sentido aos deputados federais com os quais mantém contato.

Nunca é demais

Em março de 2015 este colunista teve o privilégio de cobrir uma das palestras do saudoso Aleksander Laks, sobrevivente do Holocausto, em sua terceira e última visita a Nova Friburgo.

O texto publicado por A VOZ DA SERRA naquela ocasião parece atual demais para que não tenha algumas partes reproduzidas diante do episódio.

As notas abaixo foram extraídas de lá.

Ignorância perigosa (3)

Tão importante quanto transmitir às próximas gerações o conhecimento a respeito dos horrores cometidos pela humanidade, é fazer isso com responsabilidade e cuidado. Afinal, informações superficiais ou não devidamente enfáticas podem funcionar como um tiro que sai pela culatra, gerando simpatias mal-informadas ou, tão perigoso quanto, a impressão de que os episódios narrados podem não ter sido tão graves assim.

Não somos melhores

Da mesma forma, há que se ter cuidado com a conveniente, maniqueísta e ilusória interpretação histórica segundo a qual os personagens do passado seriam pessoas essencialmente más, em contraste com as boas almas de nosso tempo. Nada poderia ser mais perigoso do que fechar os olhos à desagradável consciência de que somos iguais em essência, e que apenas a vacina do conhecimento é capaz de impedir que reedições dos mesmos erros sejam novamente cometidas, gerando os mesmos frutos de sempre. Que ninguém duvide: as ideias que eram tão sedutoras e contagiosas no passado continuam a ser igualmente sedutoras e contagiosas hoje em dia.

Responsabilidade de todos

Atualmente já são poucas as testemunhas oculares do terror vivido em guetos e campos de concentração, e o mais provável é que esta seja a última geração a ter contato direto com tais personagens. A partir daqui, mais do que nunca, a responsabilidade passa às mãos dos elos seguintes da corrente.

Pessoas que não viveram o horror, que não viram a guerra, que nunca desejaram comer os próprios dedos para saciarem a fome indescritível, têm agora a missão de transmitir tais conhecimentos e sensações às gerações futuras. E já estão atrasadas nessa missão.

Sintoma preocupante

Aqui mesmo, em Nova Friburgo, não eram poucos os jovens cochichando durante a apresentação, alheios à magnitude do tesouro que lhes era apresentado gratuitamente. Adolescentes desinformados, capazes de rir de banalidades enquanto um sobrevivente de Auschwitz descrevia a sensação de descrença diante dos horrores que viu e sofreu no pior ambiente já idealizado pela mente humana, ou os esforços de professores e alunos da época para manterem viva uma cultura em meio a um processo formal de extermínio.

Risco real

Futuros adultos que, se não forem instruídos rapidamente, em breve não perceberão a importância de transmitir os mesmos conhecimentos a seus filhos e netos. E é por eles, nossos descendentes, que a preservação de tais lições é tão importante. Aqui e agora já há muito que ser feito.

Águas responde

A concessionária Águas de Nova Friburgo enviou resposta aos leitores que têm reclamado de desabastecimento no Cordoeira, em especial na comunidade Dom Bosco.

“Águas de Nova Friburgo informa que o sistema de abastecimento da Estação Tratamento de Água (ETA) Debossan foi interrompido na última quinta-feira, 11, devido a problemas técnicos na unidade. O comunicado oficial sobre a paralisação do sistema foi divulgado nos canais de comunicação da concessionária: site e SAC. Os clientes que sofreram com o desabastecimento foram atendidos por carros-pipa.”

Expectativa

“Águas de Nova Friburgo informa, ainda, que a ETA Debossan já está funcionando e o abastecimento está sendo normalizado de forma gradativa. Vale destacar que a concessionária fará obras para modernização da ETA com o objetivo de assegurar o funcionamento pleno da estação.”

Sobre o serviço

“Sobre o serviço mencionado pelo morador, a concessionária esclarece que realizou uma intervenção para remodelação das redes de abastecimento do bairro, o que não interfere no fornecimento de água.

Em caso de dúvidas, problemas ou informações, entre em contato com os nossos canais de atendimento pelo 0800 757 0422 (ligações de telefones fixos, celulares e de longa distância), loja de atendimento ou pelo site www.aguasdenovafriburgo.com.br”

Respostas

A respeito do desafio publicado em nossa edição de sexta-feira passada, a coluna recebeu três respostas logo após o fechamento da edição do fim de semana.

Com satisfação registramos os pontos somados por Gilberto Éboli, Igor Santos e Lauro Éboli.

Parabéns a todos.

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