Formas de cuidar

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Para pensar:

“Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.”

C. S. Lewis

Para refletir:
"Sobe a piracema…

A continuidade da vida

na contramão.”

Teruko Oda

Formas de cuidar

Dia desses, em rápida zapeada por redes sociais, o colunista leu uma postagem na qual se dizia que quem ama uma cidade não fala mal dela.

E compreendeu perfeitamente o ponto de vista, tanto mais por ter partido de alguém que pratica e vive cotidianamente essa forma de demonstrar amor, e o faz há muitos anos, com ótimos efeitos.

Existem, contudo, outras formas igualmente legítimas de demonstrar comprometimento, e parece haver alguma confusão quanto a isso.

Plantar e colher

Há poucos dias, por exemplo, recebemos todos a ótima notícia de que Nova Friburgo havia sido eleita como o melhor destino turístico do Estado do Rio, em consulta realizada para distribuição do Prêmio Cieth Destaques do Turismo 2019 – Troféu Professor Fernando Malta, obtendo 46,92% do total de 1.224 votos computados, derrotando cidades como Arraial do Cabo e Rio das Ostras.

Um resultado muito importante, que reflete em grande parte a paixão e a competência com que os quadros técnicos da Secretaria Municipal de Turismo se entregam ao que fazem.

Podemos mais

A coluna entende, no entanto, que ainda estamos muito longe de aproveitarmos todo o enorme potencial de que dispomos, não apenas em termos turísticos, mas de qualidade de vida.

Porque, quando levamos em consideração a riqueza de nossa história e de nossos patrimônios ambientais, a abundância de nossos mirantes, a beleza de nossas paisagens, o clima abençoado e a localização extremamente favorável, só resta concluir que deveríamos ser destino obrigatório para quem visita o Rio de Janeiro, sobretudo nos meses de inverno, e também referência nacional para cidades montanhosas ou frias.

Continuidade

Não, é, no entanto, razoável imaginar que chegaremos lá no período de um ou dois mandatos, e por isso a coluna volta a insistir na necessidade de elaboração de um documento suprapartidário, uma espinha dorsal para políticas públicas pensadas para os próximos 30 anos, elaborada em conjunto com a sociedade e com o compromisso dos mais variados grupos políticos, no sentido de assegurar as necessárias doses de previsibilidade e continuidade para que efetivamente sejamos capazes de mudar nossa realidade para melhor.

Quem ama, cuida

Criticar de forma construtiva, fazer sugestões, ou mesmo combater a interferência de interesses pessoais ou de grupo na gestão da coisa pública não é, de forma alguma, torcer contra o sucesso da gestão, que em última análise representa também o sucesso da própria cidade.

No fim, são apenas maneiras diferentes de cuidar daquilo que se ama.

Interatividade

A coluna andou fazendo vários convites à manifestação de leitores, e as mensagens acabaram se acumulando.

Publicaremos duas hoje, e outras nos próximos dias.

Fala, leitor!

“O respeito à coisa pública deve vir em primeiro lugar. A atenção do Executivo, às políticas públicas tem que chegar aos bairros e distritos. Só assim o município será integrado e não teremos cidadãos de primeira e segunda classe. Isto também é função do Legislativo: fiscalizar para que o Governo atenda ao município como um todo.”

Assina a mensagem o leitor Ocimar Teixeira.

Fala, leitora!

“O ano é novo, mas o velho problema do barulho das motos continua com força total. Houve uma melhora, após a reunião da prefeitura com os donos de empresas de motoboys, mas de um mês para cá tudo voltou ao que era antes. O barulho voltou a ser insuportável e, por observação minha, os motoboys ligados às empresas voltaram a se comportar de maneira absurda. O que fazer? Não sei... Já fui inúmeras vezes à Ouvidoria da prefeitura, já entrei em contato com a PM... Desistir? Me conformar que vivemos em uma cidade onde as leis não são fiscalizadas e cumpridas? Muito triste por ver essa cidade tão abandonada e a população abandonada à sua própria sorte por falta de vontade política…”

Assina a mensagem a leitora Rosane Avellar Cortez.

Remédios do dia

Dando continuidade ao detalhamento da aquisição de medicamentos com enorme sobrepreço pela atual gestão municipal no início de 2017, hoje as informações dizem respeito à ampola de Tramadol cloridrato 50mg/ml 1 ml (Adendo A2), que no processo 1077/16 foi cotada a R$ 0,94, mas foi adquirida pelo processo 2565/17 por R$ 4,67, configurando uma variação de 397%.

E também à seringa preenchida subcutânea de enoxaparina 40mg/0,4ml, que através do processo 1077/16 custaria R$ 10,50, mas através do processo 2565/17 saiu a R$ 35,86, com sobrepreço de 242%.

Ecos

Mais importante do que os valores envolvidos, no entanto, é a consciência de que quantidades muito maiores destes medicamentos poderiam ter sido adquiridas a partir dos recursos que foram empenhados, com consequências diretas sobre a redução no sofrimento de contribuintes, e também, por exemplo, sobre a atuação da Defensoria Pública, tantas vezes sobrecarregada a fim de assegurar que tratamentos não venham a ser interrompidos.

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