Excessos

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

sexta-feira, 04 de outubro de 2019

Para pensar:

“A sua irritação não solucionará problema algum. O seu mau humor não modifica a vida. Não estrague o seu dia.”

Chico Xavier

Para refletir:

“Aprenda com os erros dos outros. Você não consegue viver tempo suficiente para cometer todos por si mesmo.”

Eleanor Roosevelt

Excessos

A coluna desta sexta-feira, 4, já estava praticamente escrita quando o colunista recebeu um ofício enviado pela Subsecretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Nova Friburgo, cujo conteúdo reproduzimos abaixo.

Aspas (1)

“Na edição desta quinta-feira, 3, a coluna ‘Massimo’ informou que: ‘cargos foram devolvidos e o Palácio Barão de Nova Friburgo deixa de contar de vez com o suporte político de Comte Bittencourt’, ao noticiar que o Partido Cidadania deixou oficialmente o apoio ao governo Renato Bravo.”

“Em virtude da complexidade do assunto e certos de que este colunista é comprometido com a veracidade dos fatos, matéria prima (SIC) de toda notícia jornalística, solicitamos que os cargos, supostamente entregues, segundo a nota, sejam informados, assim como, onde este pedido foi protocolado.”

Aspas (2)

“Completando, quem informa e divulga informação responde pelo eventual excesso. Seja o redator, seja o veículo. A liberdade de imprensa - embora amplamente assegurada e com proibição de controle prévio - acarreta responsabilidade a posteriori pelo eventual excesso e não compreende a divulgação de especulação falsa, cuja verossimilhança, no caso, sequer se procurou apurar.”

Assina a mensagem o Subsecretário de Comunicação Social, Fernando Moraes.

Vai desmentir?

Bom, começando pelo fim, o vereador Alexandre Cruz, presidente da Câmara Municipal confirmou à coluna que reuniu-se com o prefeito Renato Bravo no início da tarde da última terça-feira, 1º, na prefeitura, e que na ocasião comunicou que o Partido Cidadania estava entregando seus cinco cargos no governo.

Talvez a prefeitura queira desmentir publicamente a palavra do presidente do Legislativo municipal.

É isso?

Por quê?

Aliás, é curioso que os agentes da notícia não tenham se incomodado em absoluto com o que a coluna escreveu, mas apenas a parte passiva, a prefeitura.

Por quê?

Bom, todas as respostas que vêm à mente, inclusive aquelas envolvendo recente pesquisa de popularidade, são bastante delicadas para o governo municipal.

Mas chega de papo, vamos à resposta à prefeitura.

Resposta

Como V.Sa. muito bem aponta, a informação é matéria-prima do trabalho do jornalista e através dela se explicam e contextualizam fatos para a melhor compreensão do público.

Conseguir um furo jornalístico, ou seja, dar determinada notícia antes de todos os outros meios de comunicação e, sobretudo, antes da própria administração pública, é a tarefa inaugural para o acesso à informação pela sociedade.

É o que fazemos

Assim, transmitir informações, levantar discussões e debates, são alguns dos trabalhos que o jornalista explora, e estão diretamente relacionados à natureza publicística de sua atividade. Ou seja, a de dar cumprimento ao direito dos cidadãos de serem informados.

E entrelaçado ao jornalismo está a liberdade de expressão, a possibilidade de exteriorização do pensamento e da opinião, pois corresponde a um emblema de vontade do ser humano ou do profissional do jornalismo de trazer à luz os fatos, bem como concretizar suas ideias sobre ele.

Amparo

Não esquecendo, a liberdade de informação está definida desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, considerada, acima de tudo, como um direito, pois foi normatizada.

De outro exemplo, a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica, 1969), no seu artigo 13 dispõe que: Toda pessoa tem liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de procurar, receber e difundir informações e ideias de toda a natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.

Sigilo da fonte

Quanto ao sigilo da fonte, ou seja, de resguardar quem transmitiu a informação então recepcionada e difundida na coluna, é absolutamente dispensável explorar a legalidade sobre sua preservação, já devendo ser do conhecimento de V.Sa. e do governo municipal.

Exigir do jornalista ou do público a forma protocolar, burocrática, para a comprovação de pesquisa e confirmação prévia sobre os fatos noticiados se assemelha (ora), a expor a fonte (ou as fontes) por via oblíqua, sendo até ingênua tal pretensão da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura, cuja tarefa é (ou deveria ser) a de evitar o furo de reportagem descrito no início desta resposta, caso comunicasse ao público os atos praticados em sua essência.

Acesso à informação

Ou seja, informar com clareza e transparência a natureza das nomeações (e dos respectivos exonerados), principalmente a partir de um rompimento de apoio político, contribui para o pleno acesso à informação pela sociedade friburguense, ainda que o método de se governar não seja dos mais socialmente aprováveis.

Inclusive porque não há crime nomear A ou B indicado por determinado parlamentar, quando estes estão efetivamente predestinados a trabalhar.

O que parece haver, no entanto, é a utilização da máquina pública para benefício político, às custas do erário, além do envio de “recado” ao parlamentar dissidente da base governista.

À disposição

A coluna se coloca, por fim, à disposição do governo Renato Bravo para disponibilizar os cargos, preservada a fonte da informação.

Mas, atendendo a forma protocolar que o governo municipal exige, reserva-se fazer isso perante o Poder Judiciário, de forma publicizada inclusive para a Justiça, já que o ofício endereçado a este colunista tem como objetivo inibir a atividade jornalística e a essência dos atos municipais que pretensiosamente são ocultados do público friburguense.

Respostas

Após tantos anos de parceria, o conhecimento dos leitores ainda impressiona a este colunista.

Até o fechamento desta edição, Verônica Emmerick Mattos, Stênio de Oliveira Soares, José Nilson e Rosemarie Künzel haviam reconhecido corretamente a emblemática porta do Colégio Anchieta.

Parabéns a todos, não foi um desafio fácil.

Não percam

Enquanto os cinemas ao redor do mundo exibem aquele que promete ser o derradeiro filme da franquia Rambo, o leitor poderá conferir na edição do próximo fim de semana, com exclusividade, um breve trailler do filme “Rombo”, que vem sendo rodado por aqui há quase três anos, e estará em cartaz muito em breve.

Não percam.

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