Esperança?

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 09 de janeiro de 2018

Para pensar:

Quando o político não tem caráter, mesmo os seus acertos são nocivos ao longo prazo.

Para refletir:

“Quando ficamos mais velhos, permanecem duas ou três perguntas. "Quanto tempo ainda tenho?" e "O que fazer com o tempo que me resta?"”

David Bowie

Esperança?

A coluna desta terça-feira, 9, já estava praticamente fechada quando tocou o telefone do colunista.

Do outro lado da linha, o deputado estadual Wanderson Nogueira trazia novidades - acreditem! - sobre o hospital de oncologia da Região Serrana.

Sim, pelo visto ainda resta uma esperança.

Questão de honra?

Em essência, o governador Pezão reafirmou que a unidade é para ele um “compromisso moral”, e que irá tocar a obra com recursos próprios do Palácio Guanabara.

De onde vai tirar tais recursos, o governador ainda não disse.

Mas, de imediato, duas coisas são praticamente certas.

Ponto 1

A primeira é que o hospital, cujo projeto já vinha sendo reduzido em adequação às capacidades de gastos do Estado, será ainda mais enxuto.

Com certeza, o resultado final não lembrará em nada a grandiosidade da unidade tantas vezes anunciada no passado.

Ponto 2

A segunda questão - e o deputado Wanderson compartilha da mesma sensação - é que Pezão vai tentar de todas as formas inaugurar esta obra até o fim do ano.

Uma vez que a burocracia para trabalhar com recursos próprios será muito menor, não é preciso ser muito iniciado em política para imaginar que muita gente gostaria de cortar uma fitinha ou outra por ali antes das eleições.

É esperar para ver. Mas já é melhor do que nada.

Santa ignorância

“Eu confiei nas pessoas erradas.”

Quantas vezes já ouvimos gestores públicos recorrendo a este tipo de discurso, encarnando o estereótipo de ignorância bem intencionada enquanto lançam à fogueira mais um bode expiatório que, na maioria das vezes, receberá alguma “recompensa” pelo próprio silêncio?

Muitas, não?

E não precisamos ir muito longe - nem no tempo, nem no espaço - para buscar exemplos, correto?

Não cola

Não custa lembrar, portanto, que dentro de uma cadeia de comando a gerência carrega sim parcela de responsabilidade pelos atos de seus comandados, tanto quanto pode pleitear parte de seus louros diante de um resultado de sucesso.

Quando algo sai dos trilhos, o comando peca por saber o que se passava debaixo de suas barbas, e peca também por não saber.

Não dá para sair limpo da história.

Numa hipótese terá sido conivente; noutra terá sido um péssimo gestor.

Pior cego

E a situação só pode se agravar quando observa-se que a verdade esteve sempre ao alcance da mão, que os sinais de que algo não estava bem eram flagrantes, ou que avisos foram dados.

Existe um abismo entre não saber, e não querer saber.

Deixemos de lado, portanto, desculpas ofensivas à inteligência da população.

Maniqueísmo

O colunista toca no assunto por reconhecer entre nós a tentativa de construção de heróis, vítimas e vilões a partir dos escombros de algo que corre o risco de configurar o único pecado realmente imperdoável na política nacional: ser descoberto.

Aliás, tem cheiro de pré-campanha no ar, não tem não?

Tudo, claro, com o devido apoio da ala dinheirista de nossa mídia.

Opacidade

Infelizmente ainda vivemos dias de restrições no acesso a informações, dias nos quais os discursos nem sempre batem com os fatos.

Inúmeras vezes, por exemplo, a coluna já enfatizou a importância da população ter acesso aos custos para reativar a Central de Esterilização do Hospital Raul Sertã.

Sem qualquer resposta.

Implicações

A questão central é que passa a haver implicações quando fica comprovado que o reparo poderia ter sido efetuado com uma pequena parcela dos recursos destinados à terceirização, por apenas seis meses.

Daí o levantar de sobrancelhas quando surge a alegação de que foram identificados novos problemas nas autoclaves, pouco depois de revisão e testes tocados pelo técnico em manutenção.

Cirurgias eletivas

De fato, no último fim de semana o debate esquentou a partir de um comunicado assinado pelos vereadores Wellington Moreira, Marcinho, Johnny Maycon, Zezinho do Caminhão e Professor Pierre, listando motivos pelos quais - de acordo com o que foi apurado em ações fiscalizatórias - não estão sendo realizadas cirurgias eletivas no Raul Sertã.

Inventário

Além de questionar a origem do problema de uma das autoclaves, a nota aponta o “crônico desabastecimento de medicamentos e de materiais cirúrgicos básicos, bem como a falta de acesso a exames”.

Entre as carências citam “agulha para anestesia epidural nº 16 e 18, agulha para bloqueio de nervos periféricos; aparelho de barbear descartável; eletropasta gel p/EGC; malha tubular 10cm e 15cm; fio nylon 2.0; transofix; bupivacaína com vaso e sem vaso 20ml; ciprofloxaxina 500mg IV; epinefrina (adrenalina)1ml/ml; clonidina 150 mcg/ml IV; lopromida 623mg/ml; tenoxicam 20mg IV; morfina; e tubo orotraqueal com cuff 7.0 7.5 e 8.0, além de placas e parafusos para ortopedia.”

Espaço aberto

Como de hábito, a coluna segue aberta a ampliar a transparência em torno do tema, caso alguma das partes deseje prestar esclarecimentos.

Vai renunciar?

Francisco de Barros assumiu nesta segunda-feira, 8, a cadeira deixada vaga em plenário pelo vereador licenciado Marcio Damazio, novo secretário de Serviços Públicos.

Resta ver se Chico – como é mais conhecido – irá renunciar ao mandato em favor de Marcelo Verly, abrindo mão de um salário mais de duas vezes maior do que aquele que recebia na Prefeitura.

Mas que, por outro lado, ainda era mais de três vezes maior do que o de muitos concursados que exerciam a mesma função...

Boato?

Na onda de rumores deste pródigo intercâmbio entre Legislativo e Executivo, o nome da vez é o do vereador Cascão, apontado por alguns como nome a ser indicado para comandar a secretaria de Assistência Social, atualmente acumulada por Christiano Huguenin, secretário interino de Saúde.

O colunista, no entanto, entende que desta vez a articulação pretendida – se é que é mesmo pretendida – esbarra num elo da corrente de personalidade forte, que dificilmente aceitaria o papel que lhe caberia na história.

É esperar para ver.

Respostas

A coluna registra com alegria as respostas corretas enviadas pelos leitores Cristielton Viana, Rosemarie Künzel, Girlan Guilland, Renato Mendes, Gilberto Éboli, Igor Santos, Lauro Éboli, Sílvio Poeta e Stênio de Oliveira Soares para o desafio publicado no fim de semana, mostrando um dos novos (e belos) jardins laterais da Catedral São João Batista.

Parabéns a todos!

Pergunta

Regina Lo Bianco é mesmo demais.

O colunista não deixa de se encantar a cada novo presente enviado, como este que ilustra nosso desafio de hoje.

Sem dúvida, a cidade fica mais bonita quando vista através de seus olhos.

E então, os amigos conseguem dizer que lugar é este?

Uma ótima semana, e boa sorte.

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