Desgosto

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Para pensar:

“A morte de Ricardo Boechat me pareceu uma metáfora de sua própria vida. Morreu em um acidente de helicóptero que caiu em uma das vias mais movimentadas da cidade mais movimentada do Brasil. Bem na frente de todos, numa segunda-feira, sob os holofotes, de forma muito inusitada, bastante factual. Lembrou-me a canção de Chico Buarque ("Morreu na contramão atrapalhando o tráfego"). O fato havia sido noticiado antes mesmo de saberem que ele estava entre os tripulantes. Eu havia visto na TV a notícia da queda de um helicóptero na avenida Anhanguera minutos antes de saber de sua morte. Não é que a morte dele tenha virado notícia. É o contrário. Boechat morreu numa notícia.”

Alexandre Campos

Para refletir:

“Estamos reféns do pior tipo de aliança: os fanáticos, os ignorantes e os canalhas. Como na Teoria dos Conjuntos, há também as intersecções. Os fanáticos ignorantes, os ignorantes canalhas, os fanáticos canalhas. Dureza é aquele espacinho que onde os três conjuntos se encontram...”

Alexandre Durão

Desgosto

Vamos falar sério um pouquinho?

As ruínas do que deveria ter sido nosso Hospital de Oncologia da Região Serrana, na Ponte da Saudade, são um monumento à falência não só deste nosso sistema político alicerçado em egoísmos e mentiras, mas, muito pior que isso, da própria sociedade que este sistema político reflete.

Retrato fiel

Aquele canteiro de obras é o nosso retrato mais fiel, a imagem do que poderia ser e nunca foi.

Um espaço privilegiado, de muita paz, mas que serviu apenas aos propósitos eleitoreiros de alguém que também teve de lutar contra um câncer, e ainda assim privilegiou a manutenção de esquemas milionários de corrupção à possibilidade de reduzir o sofrimento alheio.

E, olha, muita gente tomou parte nisso.

Encenação

É um escárnio imaginar que um volume enorme de recursos foi devolvido aos cofres federais, em parte porque servimos de plateia para uma encenação cretina de início de obras, que no fim bagunçou todo o cenário e tornou impossível avaliar o que teria de ser reforma e o que teria de ser construção.

Custa caro

Enquanto isso, a população continua a arcar com enorme sacrifício - em dinheiro e sofrimento - para que o mesmo tratamento seja feito em unidades já saturadas na Região Metropolitana.

Mesmo para os padrões fluminenses, o que aconteceu aqui foi além da conta.

De novo?

E eis que nesta semana surgem novas denúncias relacionadas a furtos e vandalismo no canteiro de obras.

Portas e janelas foram arrancadas, vidros foram quebrados e parte da fiação elétrica do prédio foi furtada.

Policiais militares e guardas municipais vistoriaram o interior do imóvel após denúncia de moradores, mas ninguém foi encontrado.

Nossa parte (1)

Não é a primeira vez que isso acontece.

É desanimador que tenhamos entre nós pessoas capazes de agir dessa maneira, mas, se sabemos que é assim, então a coluna entende que já passou da hora de reforçarmos a segurança e/ou a vigilância do local.

Isso não pode mais se repetir.

Nossa parte (2)

O município tem interesses diretos envolvidos, até mesmo pelo valor que poderia economizar com o TFD (Tratamento Fora do Domicílio).

Precisamos dar exemplo, fazer a nossa parte, para que possamos cobrar das esferas superiores o que nos é devido.

Ressonância

Uma decisão da Justiça Estadual, exarada pela 3ª Vara Cível da comarca de Nova Friburgo nesta segunda-feira, 11, reconheceu que a prefeitura de nossa cidade vem descumprindo a lei municipal 4.520, de 2016, que estabelece valores para salários de prefeito, vice-prefeito e secretários.

E esta informação, claro, vem fazendo enorme barulho nas redes sociais.

Contexto

Não custa relembrarmos um pouco do contexto que cerca essa história.

Em 2012 nossa legislação determinava os seguintes valores: R$ 7 mil para secretários (e cargos de teto equivalente); R$ 9.500 para vice-prefeito e R$ 19 mil para o prefeito.

Então, em 2014, esses valores foram reajustados em aproximadamente 6,32%, alcançando R$ 7.443,10; R$ 10.101,35; e R$ 20.202,70, respectivamente.

Linha do tempo

Por fim, em 2016, a Câmara Municipal aprovou a lei 4.520, determinando que o salários de secretários e equivalentes passava a ser de R$ 8.229,94, enquanto os de prefeito e vice-prefeito retornavam ao patamar de 2012.

Ou seja: R$ 9.500 e R$ 19 mil.

A lei acabou sendo vetada pelo prefeito Rogério Cabral, mas este veto foi derrubado pelo plenário no fim dos trabalhos da legislatura anterior.

Acertou o que não viu

Atendo-se ao veto, o novo governo municipal seguiu com os valores de 2014.

A Associação dos Servidores Públicos Municipais, por sua vez, cumpriu seu papel de representar os interesses de servidores que recebem o teto de secretário, e, segundo a lei em vigor, deveriam estar recebendo quase R$ 800 a mais.

O salário extra que vem sendo pago ao prefeito e seu vice foi uma situação extra, que veio junto quando a rede foi puxada.

Desproporção

O leitor sabe bem que este espaço não poupa críticas ao que entende estar errado, mas também não aborda de maneira sensacionalista situações de apelo midiático desproporcional.

O alarde em torno dessa situação - que já está sendo resolvida pela Justiça - faz lembrar um pouco a história de Al Capone, condenado por sonegação fiscal apesar de ter cometido crimes muito mais pesados.

Por aqui nós também temos situações muito mais sérias que não causam tanto alarde.

É hoje!

Acontece hoje, 14, às 19h, a assembleia de fundação da Associação dos Veteranos e Amigos do Tiro de Guerra 01-010.

O evento será realizado no Teatro Municipal Laercio Ventura, e deve reunir grande número de veteranos da instituição.

Mal de nosso tempo

O colunista nunca escondeu sua paixão pelo Fluminense, e ficou muito feliz ao ver o apoio do Tricolor das Laranjeiras - e de diversos outros times, do Rio e de fora - ao Flamengo, diante da recente tragédia no Ninho do Urubu.

Cenas como esta pichação, no entanto, causam grande desconforto.

Talvez seja esse o grande mal de nossos tempos: manifestar de maneira equivocada nosso apoio ao que gostamos, invariavelmente gerando rejeição.

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Massimo

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