Avalanche

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

terça-feira, 02 de julho de 2019

Para pensar

“Por isso cuidado meu bem

Há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal

Está fechado prá nós

Que somos jovens.”

Belchior


Para refletir

“Existe o risco que você não pode jamais correr, e existe o risco que você não pode deixar de correr.”

Peter Drucker

Avalanche

A coluna do fim de semana tentou mais uma vez não se deixar pautar pelos temas pesados que têm dominado as manchetes em nossa cidade, mas bastou uma edição dedicada a assuntos cotidianos para que tivéssemos uma infinidade de novidades para registrar e eventualmente avaliar.

Mudança de planos

Na manhã da última sexta-feira, 28 de junho, o colunista começou a receber indícios de que a planejada ocupação de cargos de direção e 2º escalão nos quadros da rede municipal de saúde estaria sendo reavaliada.

Horas mais tarde a ex-secretária de Saúde, Emmanuele Marques, que havia assumido a direção da pasta 15 dias antes, anunciou para A VOZ DA SERRA que estava pedindo exoneração, sob alegação de ter se deparado com interferências da Câmara Municipal na gestão da pasta.

Fogo amigo

Parece evidente, todavia, que tal descrição não basta para desenhar por completo o cenário do que se passou.

Seria mais preciso dizer, por exemplo, que o que se deu foi uma disputa entre grupos políticos, a partir do momento em que um novo bloco tentou ocupar o espaço já preenchido pelo assistencialismo de alguns vereadores da base governista, responsáveis pela indicação de muitos servidores da Saúde.

Mão invisível

Ao que consta, uma eminência parda, que há tempos cobra caro para ficar de boca fechada, agora se esforça por também condicionar parte do fluxo de emendas parlamentares ao município, demandando controle sobre a pasta que irá receber.

A ideia, claro, é unir sob a mesma influência as duas pontas desta corda, a fim de controlar todas as fases do processo e da aplicação dos recursos.

Escolha de Sofia

Desnecessário analisar muito para perceber que, para o governo, é uma situação quase que infernal, ainda que decorrente de seus próprios erros.

Afinal, por um lado o Palácio Barão de Nova Friburgo prefere que certos detalhes de bastidores permaneçam por lá mesmo, e também não pode abrir mão de recursos extras vindos de Brasília.

Já por outro lado ele não pode perder a base legislativa que o sustenta, e que em grande parte se alimenta de influência e fatias da administração.

Cadeia de erros

No fim, claro, está tudo errado.

Há quem transfira parte das responsabilidades ao TAC firmado com os ministérios públicos Federal e do Trabalho, mas a verdade é que se os quadros fossem ocupados por servidores concursados, com estabilidade inclusive para denunciar o que acontece de errado, e os cargos de confiança fossem reservados a perfis técnicos, nada disso estaria acontecendo.

Se...

Se todos os vereadores apoiassem ou criticassem o governo pelo que veem ou sabem, e não pelo que recebem ou deixam de receber, nada disso estaria acontecendo.

Se todos no governo tivessem o currículo livre de nódoas ou “esqueletos no armário”, ninguém teria como fazer exigências em troca de silêncio.

Por fim, se grande parte do eleitorado não estivesse disposta ou ansiosa por vender ou terceirizar um direito pelo qual muito sangue já foi derramado, certamente nossos plenários não seriam tão distanciados daqueles que deveriam representar.

Intervenção?

Ato contínuo ao pedido de demissão da ex-secretária de Saúde e do anúncio de que o prefeito em exercício, Marcelo Braune, assumiria a pasta de forma interina, o deputado estadual Alexandre Knoploch (PSL/RJ) anunciou que pediu uma intervenção estadual na gestão da Saúde em Nova Friburgo.

Coincidência?

No mesmo dia, vejam só, um personagem que andou denunciando problemas da gestão municipal foi demitido de uma instituição particular que frequentemente socorre o governo em situações emergenciais.

Coincidência, não?

Claro que sim.

O que mais poderia ser?

CPI

No próximo dia 12 deve acontecer a leitura do relatório da CPI que investiga os contratos emergenciais para fornecimento de alimentação hospitalar firmados ao longo do atual governo.

E, ao que tudo indica, vem coisa forte por aí, com acompanhamento atento da Polícia Federal.

A bola de neve ainda tem espaço para crescer.

Momento decisivo

Algumas das melhores e piores escolhas da humanidade foram feitas em períodos de crise.

Está claro, a essa altura, que algumas pessoas que ajudaram a chocar o ovo da serpente e sabiam muito bem o que estavam fazendo, agora disfarçam e atiram pedras aos lugares que há pouco tempo ocupavam.

Quem ajudou a consolidar a crise agora quer tirar proveito dela, e a indústria da confusão, da desinformação, já funciona a pleno vapor.

Pode piorar

Olhando com atenção, o cenário que se desenha para 2020 é muito, muito preocupante.

Está na hora da sociedade buscar meios de se apropriar da cidade, de se fazer representar seriamente, e de colocar limites.

Porque, como diz a música de Belchior, há perigo na esquina.

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