Atestado

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Para pensar:

“Mais vale chegar a tempo do que ser convidado.”

Gabriel García Márquez

Para refletir:

“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.“

Madre Teresa de Calcutá

Atestado

Já faz uns seis ou sete meses que a coluna vem antecipando que o governo municipal iria desistir da compra do imóvel da fábrica Ypu, para aplicar esses recursos (quase R$ 26 milhões) em diversas obras pela cidade.

Ao longo deste período este espaço sempre tratou a questão sob um viés bastante neutro, não fechando os olhos aos benefícios concretos que tais ações devem trazer à qualidade de vida da população, nem tampouco aos interesses eleitorais envolvidos.

Nem propaganda, nem crítica intransitiva.

Ficando feio

Ao longo deste período o colunista jamais dividiu com os leitores, por exemplo, que tão logo começou a apurar essa situação, começou a se deparar com sinais desconfortáveis de que algumas pessoas estariam acalentando planos menos nobres para parte desse dinheiro.

No máximo, dissemos que os poderes de fiscalização deveriam ficar especialmente atentos a todas as etapas de sua aplicação.

Ao que parece, no entanto, chegou a hora de conversarmos mais claramente.

Alarmante

Este colunista não gostou nada do que viu durante a sessão ordinária da última quinta-feira, 14, na Câmara Municipal.

O esforço para aprovar de forma apressada a autorização para utilização destes recursos foi desrespeitoso para com a Câmara e a sociedade, de várias maneiras distintas.

E foi também alarmante, quando devidamente contextualizado.

Imoral

De imediato, podemos assegurar que a votação na sessão de quinta-feira teria ferido o Regimento Interno, e uma consulta à Procuradoria da Câmara teria deixado isso claro.

Mas mesmo que houvesse amparo para este atropelo, ainda assim estaríamos diante de uma situação legal, mas imoral.

E isso, para todo representante da população, deveria valer até mais do que a lei.

Cheque em branco

Para início de conversa, o projeto tem de ser preciso ao definir onde os recursos serão investidos, e quais as previsões de gastos em cada uma dessas intervenções.

Argumentar que o direcionamento já foi anunciado à imprensa é esquecer, por exemplo, que este mesmo governo também prometeu que ia inaugurar UPAs em Olaria e São Geraldo, ou que não iria permitir que os ônibus circulassem sem cobrador, para citar apenas dois exemplos.

Para a palavra ter valor, antes é preciso que seja honrada.

Estranho

É estranho, para dizer o mínimo, que o projeto não traga essas informações, como é estranho que haja tanto esforço para que ele seja aprovado com tamanha urgência, sem a devida apreciação por parte das comissões relacionadas, sem a realização de audiências públicas, e sem a transmissão da TV Câmara.

Havia muitos caciques na assistência do plenário, e ficou claro, para quem estava lá, que tem gente querendo essa aprovação quase que desesperadamente.

Audiência

Aí, amigos, quando todos esses sintomas se unem numa mesma equação, a mente começa a se lembrar daqueles sinais vistos lá atrás, e dos alertas que foram sendo deixados pelo caminho.

E tem mais: com muito custo uma audiência pública foi aprovada para a próxima quarta-feira, 20, a partir das 18h30, justamente para debater esse assunto com a população.

Mensagem clara

Ou seja: se o governo se esforçar por aprovar essa matéria na sessão anterior, de terça-feira, então estará mandando um recado muito claro a todos nós.

Caso isso venha a acontecer - não venham reclamar depois -, este colunista ficará convencido a respeito das intenções secundárias infiltradas nesse esforço.

Estamos entendidos?

Menção honrosa

A coluna não poderia encerrar esse assunto sem exaltar a postura sensata e ponderada do vereador Marcio Damazio, cuja intervenção (quando propôs um curto adiamento para a votação) teve a propriedade de preservar os interesses do governo, sem desrespeitar a Câmara e a população.

É deste tipo de base governista que a sociedade precisa, e a coluna tem a certeza de que as palavras de Damazio representam a maioria dos vereadores de situação.

Felizmente.

Exemplo

O deputado federal Luiz Lima tomou uma atitude surpreendente, e que faz por merecer um elogio bastante concreto por parte deste espaço.

“Compreendendo a atual crise brasileira e em respeito aos seus mais 115 mil eleitores, o deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ) renunciou ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). O pedido foi protocolado no dia 12 de fevereiro e solicitado ao diretor do Departamento de Pessoal da Câmara dos Deputados.“

Aspas

"Nós, deputados, temos a missão de arrumar a casa. Para fazer acontecer e poder cobrar, é preciso dar o exemplo. A mudança precisa começar por nós, parlamentares", resumiu.

De fato, é um escárnio que a Reforma da Previdência seja votada por pessoas que podem se aposentar (e muito bem!) após oito anos de serviços prestados.

E tudo isso sem que tenhamos acesso a todos os números através de uma auditoria independente.

Sugestão

Melhor do que uma atitude isolada, no entanto, seria se a reforma começasse pelo próprio Congresso, para que nenhum deputado precisasse chegar a este extremo, em última análise saindo prejudicado.

Ainda que sabidamente o governo conte com apoio popular, a voz das ruas precisa ser ouvida com clareza a respeito dessas demandas.

Desafio

A coluna já recebeu algumas respostas certas ao desafio publicado na sexta-feira, 15, mas dará mais uns dias aos leitores para que se manifestem.

Na próxima terça-feira, 19, publicaremos a lista dos vencedores.

Foto da galeria
(Foto: Henrique Pinheiro)
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