Nova Friburgo, terra fluminense

Janaína Botelho

Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

quinta-feira, 05 de dezembro de 2019

Nesta semana, remexendo nos meus guardados, me deparei com um interessante caderno denominado “A Terra Fluminense”. Trata-se de um levantamento estatístico realizado em Nova Friburgo entre os anos 1920 e 1922. Segundo o caderno, a população do município nesse período era de 26.032 habitantes e a maior parte da população vivia na área rural. Vale destacar que na ocasião Nova Friburgo tinha apenas dois distritos e não oito como atualmente.

O primeiro distrito era subdividido em zona urbana e rural. Na urbs viviam 7.283 habitantes, com 1.117 prédios urbanos registrados. Já na zona rural da urbs a população era o dobro com 14.436 habitantes. Constituíam a zona rural do primeiro distrito, Amparo (1.498 habitantes), Conselheiro Paulino (1.864 habitantes) e Rio Grande (1.830 habitantes), esse último é hoje o distrito de Riograndina.

Já o segundo distrito era formado pelas localidades de Lumiar e São Pedro da Serra, sendo a população de 4.313 habitantes. Um dado interessante é que a zona rural da urbs possuía 5.666 alqueires cultivados e já Lumiar e São Pedro da Serra apenas 1.490 alqueires cultivados. Isso significa que, o que hoje denominamos de centro da cidade era, na realidade, uma região eminentemente rural na segunda década do século 20.

Há ainda referência de que seis indústrias empregavam 472 pessoas. Parece-nos que as empresas citadas seriam as fábricas têxteis Rendas Arp, Ypu e Filó, a Fábrica de Carbureto e as outras duas poderiam ser fábricas de bebida, de tamanco ou de chapéu. Nova Friburgo era ainda uma cidade de veraneio em que “a natureza destinou para arrimo da caducidade física da humanidade”, com hotéis confortáveis, aspecto de cidade europeia e colégios grandiosos, assim era descrito o município no respectivo caderno.

Na urbs os palacetes se destacavam principalmente os da margem esquerda do Rio Bengalas de quem parte da Praça Paissandu. Na Rua General Osório destaque para o palacete do Conde de Matosinho, na ocasião de propriedade de Francisco Thomaz e hoje o Colégio Modelo. Já em frente ao encontro dos rios Cônego e Santo Antônio outro belíssimo palacete construído pelo italiano Giovanni Giffoni, onde hoje é o edifício Itália.

Os palacetes das famílias Mac Níven e Galdino do Valle, entre outros, foram igualmente destaque. A Praça Getúlio Vargas era chamada de Praça 15 de novembro sendo dividida em três partes. Já a Praça Paissandu tinha sido objeto de uma reforma em 1903, projeto do engenheiro Farinha Filho. No centro da praça havia uma touceira de bambus que cobria uma superfície com cerca de 40 metros quadrados e belos canteiros de flores completavam a ornamentação.

No ano seguinte foi a Praça do Suspiro que teve a sua reforma. Essa praça era considerada a mais importante de todas em razão de sua fonte que tinha algo de lendário e misterioso. Havia nela várias pequenas pontes. Uma de um tipo de pedra imitando madeira roliça e as outras de bambu. No centro dessa praça havia uma estátua de Minerva, em mármore, que pertencera a uma fazenda e foi oferecida à cidade pelo paisagista da praça o engenheiro Farinha Filho.

Havia ainda a Praça Primeiro de Março, na Vila Cantagalo (hoje o bairro Vilage) e a Praça Visconde de Itaboraí, o que seria hoje a Rua Augusto Spinelli. A Vila Amélia do imigrante português Antônio Alves Pinto Martins mereceu destaque, assim como a plantação de cravos no Sítio Sans Souci e as belas vivendas no Sítio do Tingly. Faz-se referência ainda a Fazenda Paraíso, localizada na Chácara do Paraíso de propriedade do Augusto Marques Braga. A casa de vivenda existe até hoje assim como grande parte da fazenda, bem no coração do bairro Chácara do Paraíso.

Em Amparo, há referência a Fazenda Gripp e a Fazenda da Cachoeira do Amparo. Essa última era de propriedade do coronel Galeano das Neves Júnior, conhecido como Coronel Chon-chon. Sua fazenda produzia 12 mil arroubas de café, além da cana-de-açúcar e de cereais. Foram mencionados como lugares de passeio o Colégio Anchieta, o Sanatório Naval, a Caixa D’água (possivelmente o bairro Perissê), a Cascata do Pinel (Conselheiro Paulino), a Fazenda do Cônego, as Duas Pedras, o Parque Guinle (Country Club), a Chácara do Paraíso, a represa do abastecimento de água (Usina Hans) e o Sítio São Luiz.

Nesse sítio, de propriedade de Júlio Zamith, havia produção de caquis e ameixas japoneses. Os dois importantes jornais eram O Friburguense e Cidade de Friburgo. E assim conhecemos através do caderno A Terra Fluminense, um pouco sobre a economia e a divisão administrativa de Nova Friburgo na segunda década do século 20.

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