Câmara Municipal homenageia ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial

Janaína Botelho

Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Uma justa homenagem. Amanhã, 23, às 18h, três ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial receberão uma moção da Câmara Municipal de Nova Friburgo. São eles Célio Manjia, Altair Pinto Alaluna e Edmo João Dias, este último in memorian. A indicação foi do presidente da casa legislativa, vereador Alexandre Cruz, por ocasião do Dia do Soldado, celebrado no próximo domingo, 25.

Há exatos 74 anos, o povo friburguense fez uma subscrição para edificar um obelisco em tributo aos ex-combatentes, conhecidos carinhosamente como pracinhas, quando de seu retorno da guerra. Durante décadas ficaram esquecidos pela população. Nos últimos anos eram tão somente homenageados pelo Tiro de Guerra do Exército. Segundo Célio Manjia, havia por parte das pessoas preconceito em relação a eles, pois no imaginário da população quem lutava na guerra ficava maluco.

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito militar que durou de 1939 a 1945, envolvendo inúmeras nações, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Foi a guerra mais letal da história da humanidade resultando em mais de 70 milhões de mortes, sendo a maioria, civis. O Brasil vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas, que apoiava o regime nazifascista da Alemanha e da Itália. Mas em razão de vantagens oferecidas pelo governo norte-americano ao Brasil, Vargas decide participar da Segunda Guerra Mundial junto aos países aliados.

O Brasil entrou no conflito em julho de 1944, enviando aproximadamente 25 mil brasileiros sob o comando dos norte-americanos. O município de Nova Friburgo mandou 67 soldados para a guerra. Apenas um deles faleceu, Antônio Moraes, e sua imagem se destaca no obelisco, atualmente nas instalações do Tiro de Guerra 01-010, na Praça do Suspiro. Há uma lenda urbana de que seus restos mortais foram depositados dentro do obelisco, em uma gaveta.

Consultando o militar e ex-combatente Altair Alaluna, ele declarou ser impossível, pois os mortos eram enterrados na Itália. Não havia um sistema de cremação ou translado dos falecidos. Na entrevista que fiz com os ex-expedicionários descobri aspectos curiosos sobre o cotidiano da guerra. Os soldados não tinham informação alguma sobre os acontecimentos e isso ocorria desde a sua convocação. Não eram avisados sobre o contexto da guerra e executavam apenas a ordem do dia, sem nada saber sobre o dia seguinte.

Havia muita organização e disciplina e nenhum deles se queixou da autoridade dos oficiais norte-americanos. Célio Manjia apenas estranhou que os americanos separavam seus soldados em batalhões de brancos e negros. Todos os três entrevistados tiveram namoradas italianas. O relacionamento era sério, inclusive um deles frequentava a casa de uma das moças. Há uma tendência nesses conflitos de se tentar reproduzir o cotidiano das pessoas, possivelmente para minimizar os horrores da guerra.

Na solenidade de amanhã, apenas três receberão a homenagem da Câmara Municipal, mas, na realidade, a moção é extensiva a todos os ex-combatentes de Nova Friburgo. O evento é aberto ao público e será realizado no plenário da Câmara Municipal, na Rua Farinha Filho, 50.

Registro aqui a relação dos ex-expedicionários friburguenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial, cujos nomes estão impressos, em bronze, no obelisco situado em frente ao Tiro de Guerra: Abel de Araújo, Aderaldo Perroud, Aderbal Ribeiro, Aécio da Silva, Albertino Quimas, Alberto Piran Filho, Alcino Macedo, Álvaro Barcellos, Amato Vasconcellos, Ângelo Merecci Filho, Antenor Lopes, Antônio Araújo, Antônio Santos, Antônio da Silva, Antônio Hecker, Antônio Moraes, Arthur Bunte, Ataliba de Mendonça, Aurany de Souza, Benedicto da Rocha, Carlos Jacob, Carlos Moraes, Célio Manjia, Clarindo Thiengo, Constantino da Silva, Dionizio Teixeira, Edmo João Dias, Ellio Mury, Eloy Coelho, Emilio Schenckel, Enéas Hermsdorff, Fernando Ferreira, Gaspar Jasmim, Geraldo Beauclair, Gervásio Silveira, Henrique Amaral, Homero Cordeiro, Irineu Pimentel, João de Moraes, João Torres, João Nogueira, Jorge Costa, Jorge Cardoso, Jorge de Souza, José Azevedo, José Barbeto, José da Conceição, José Gomes Filho, Juvenal Sobrinho, Juvêncio Training, Lourival Lima, Luiz Garcia, Manoel Corrêa, Manoel Ximenes, Manoel Teixeira, Nagib Pedro, Nilton Mendes, Ordílio Tavares, Odon Coelho, Oniro Brust, Paul Kappel, Pedro Parada, Santana Jandre, Silvino Reis, Sylvio Lopes, Waldemar Reis e Waldyr Cabral.

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    À esquerda, Edmo João Dias, responsável pela manutenção dos carros

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    Célio Manjia recebeu a convocação após ter jogado uma partida de futebol

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A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

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