As características do profissional na sociedade do conhecimento - A administração de conflitos

quarta-feira, 05 de setembro de 2018

 A vida humana sempre esteve envolvida em conflitos. Ultimamente eles aumentaram devido à velocidade com que as coisas acontecem. Os imprevistos aumentaram, assim como o estresse das pessoas. É muito difícil que uma pessoa desses tempos de mudança não tenha alguma depressão, algum desejo de suicídio, algum nervosismo ou insegurança. Quem não enfrenta essas coisas não vive o seu tempo.

Por um lado, muitas coisas podem ser boas em se tratando de modernidade e pós-modernidade, mas, por outro, existem reveses e muitos aborrecimentos. Quando ocorre um conflito, é importante verificar o que aconteceu antes dele. Por que uma pessoa chegou aos extremos com outra? Por que um aluno agrediu um colega em sala de aula? Um comportamento muito comum é o da transferência da responsabilidade. Um chefe de seção envia o subordinado ao seu mestre, e o professor envia o aluno à coordenação. Ambos transferem o problema.

Os alunos, quando indagados sobre quem resolve seus problemas, geralmente respondem que se trata da “dona”, cujo gabinete está ao lado da sala da diretora. Quando volta para a sala de aula, já que o professor terceirizou a solução do problema, ele continua fazendo o que não se espera, porque outro é o mediador e outro é quem tem autoridade para resolver. Quando se transfere a solução de um problema, perde-se a autoridade. Geralmente fica sobrando, como última instância, o autoritarismo. Torna-se necessário apelar para a voz alta, para o berro e para atitudes que conferem pouca credibilidade a quem educa.

Os problemas não podem ser transferidos, devem ser enfrentados com seriedade e com comprometimento. O envolvimento e a convivência entre educador e educando e entre supervisor de seção e seus liderados trabalhadores deve ser de tal ordem que possibilite prever o que poderá ocorrer. O bom educador e o bom líder antecipam-se aos problemas. Os menos preparados deixam que as coisas aconteçam para, depois, remediar, às vezes tarde demais. Fica superada a estratégia de criar o problema ou, como dizem alguns, criar o fato. Surgem, então, os factoides. Só que esses criadores de fatos não conhecem as estratégias para neutralizar factoides.

O principal erro é criar o problema. O líder deve criar a solução, deve solucionar os conflitos, até por antecipação. Quando se cria um fato para, depois, resolvê-lo - com demonstração de capacidade de contornar problemas –, a primeira impressão que o líder deixa aos seus liderados é de incompetência pelo fato de não ter tido percepção diante dos acontecimentos.

Muitos supõem, erradamente, que a resolução de problemas que eles mesmos criaram aumenta a figura do líder. Grande engano! O bom líder não deixa acontecer, o bom líder, de tal modo, está envolvido que evita os aspectos negativos. Deixar acontecer para, depois, mostrar-se salvador da pátria é uma neurose boba, própria de alguns políticos superados que não perceberam que já perderam o prazo de validade. O líder não cria problemas nem os transfere: evita-os. Se não for possível, então, soluciona-os.

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