As características da sociedade do século 21 - Os códigos de modernidade

Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Cabe ao profissional do século 21 ser moderno. Mas, na   verdade, o que significa isso? O educador colombiano Bernardo Toro nos deixa uma excelente contribuição quando aborda sete pontos considerados mágicos para se atingir uma performance correspondente às competências que este século requer. Parece-nos que, sem essas competências, é difícil dizer que uma pessoa está sendo preparada para a vida.

A primeira consideração desse educador refere-se à leitura e à escrita, assim como às várias linguagens de comunicação usadas pelos seres humanos. Só podemos pensar em inserir uma pessoa na sociedade se ela conseguir ler e escrever. Portanto, métodos de alfabetização, interpretação de textos, comunicação verbal e por escrito de forma clara e correta, fazem parte da sobrevivência do ser humano nestes tempos. A modernidade exige alfabetização e muito mais além. É condição fundamental para que alguém possa participar da vida social e, portanto, ser considerado um cidadão.

As interpretações ultrapassam a barreira das palavras e números, atingindo, agora, as imagens. Quem não faz isso em universidades e escolas não está se preparando para a vida. Quanto aos cálculos e à  resolução de problemas, Toro chama a atenção para dois pontos fundamentais: as máquinas podem fazer contas, no entanto solucionar problemas e encaminhá-los são inerentes ao ser humano. Daí se conclui que uma escola ou universidade deve estar centrada na resolução de problemas, nas estratégias e nos encaminhamentos; caso contrário, estará perdendo tempo.

Devemos fazer o que nos compete e deixar para as máquinas o que elas podem fazer, poupando-nos esforço. Uma criança, em sala de aula, lê um simples problema: Joãozinho tinha cinco goiabas, recebeu três de seu colega; com quantas goiabas ficou? As crianças costumam levantar a mão e perguntar à professora se o problema é de mais ou de menos. Se a professora responder que se trata de uma soma, ela tirará desse aluno a oportunidade de pensar. O que menos importa, e as máquinas fazem, é somar cinco com três ou diminuir três de cinco. Cabe ao ser humano, e aí está a ação dos educadores, fazê-los refletir e decidir se devem orientar para a soma ou outra operação.

Em extensão, aplicamos o mesmo princípio  às questões sociais. Cabe também aos seres humanos tomar decisões positivas dentro das suas comunidades: condomínios, universidades, fábricas, bancos, comércio... A educação voltada para a era das máquinas estava centrada em fazer contas. Problemas semelhantes em cargas absurdas para que as pessoas mecanizassem os processos. A era das máquinas ensinava a fazer contas. A era das pessoas ensina a tomar decisões. Este é o caminho para a vida inteira. A capacidade de interpretar dados, fatos e situações constitui um outro tópico da modernidade, que permite às pessoas a exposição do próprio pensamento, interpretando fatos, gráficos, signos e símbolos.

A linguística entra em cena com toda a sua força, e a comunicação, por meio de códigos e símbolos, com seus significados, ressalta os valores de Ferdinand Saussure e de Claude Lévi-Strauss, passando pelas experiências e estudos de antropologia de Margareth Mead. Basta abrir um jornal, ouvir uma notícia, acessar a internet ou ligar o televisor para que os códigos cheguem diante de nós e se multipliquem abundantemente. Cabe ao assistente, em face dessa avalanche, fazer os discernimentos para escolher o que vai para a lixeira e o que fica em seus arquivos.

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