Virá o Deus da Paz!

Dom Edney Gouvêa Mattoso

A Voz do Pastor

Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo, o bispo diocesano da cidade, Dom Edney Gouvêa Mattoso, assina a coluna A Voz do Pastor, todas as terças, no A VOZ DA SERRA.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Caros amigos, o Advento é marcado pela esperança, virtude motivadora de toda boa ação e purificadora das intenções. Neste tempo, somos chamados a preparar a chegada do Príncipe da Paz (cf. Is 9,6) purificando nossos corações de todo ódio, sentimento de vingança e divisão, para que a esperança num mundo de paz e verdade, onde todos vivam como irmãos não se apague.

A vinda do Messias anunciada pelos profetas é sinal da concretude desta realidade nova, na qual serão superadas as forças do mal. “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão, como um boi, se alimentará de palha, e a serpente comerá terra. Nenhum mal nem desordem alguma será cometida” (Is 65,25).

A promessa de novos céus e nova terra, não pode ser compreendida como uma realidade intimista. Ela diz respeito a toda a criação que chora e geme como em dores de parto aguardando a manifestação dos Filhos de Deus (cf. Rm 8,19-25). É muito oportuno que o tempo do Advento nos ensine a esperar a vinda do Salvador, atentos à conversão do coração e trabalhando na construção da cidade terrena promovendo a justiça e favorecendo o bem (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1888).

É necessário que a preparação para o Natal de Nosso Senhor nos inspire o amor ao próximo e a promoção da paz, empenhando-nos “em prol do bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Solicitudo rei socialis, 38).

O Papa Francisco chama atenção para a realidade comunitária, da fé e da esperança de todo batizado, quando diz que “somos chamados a acolher sempre novamente a presença de Deus no nosso meio e ajudar os outros a descobri-la, ou redescobri-la se a tivessem esquecido. É uma missão muito bonita, semelhante a de João o Batista: orientar as pessoas à Cristo – não a nós mesmos – porque ele é a meta para a qual tende o coração do homem quando busca a alegria e a felicidade” (Ângelus, 14 dez. 2014).

Cada cristão, pela missão recebida em seu batismo, torna-se luz que ilumina e aquece as grutas escuras e frias da humanidade. No mundo, ferido pelo pecado, onde impera a ordem da violência e da guerra, é urgente que o anúncio do Deus da Paz seja sustentado pelas obras em favor da paz.

Por isto, todos os cristãos são insistentemente convocados para que, ‘praticando a justiça na caridade’ (Ef 4,15), se associem a todos os homens sinceramente pacíficos, para implorar e estabelecer a paz” (Gaudium et Spes, 78). Não podemos nos calar diante das mais diversas situações de violência, quer manifesta pela agressão física, psicológica ou verbal, quer pela desconstrução da identidade de filhos de Deus, criados a sua imagem e semelhança.

A espera no Senhor nunca será estéril, enquanto ela nos mover à unidade e à paz. A realidade atual nos faz querer desanimar. A todo instante somos bombardeados por notícias que nos fazem descreditar no homem e num futuro melhor. Este pessimismo precisa ser superado pela confiança expectante em Deus e pela determinação em agir sempre na direção de suas inspirações e preceitos.

Enquanto nos preparamos para o encontro definitivo com o Príncipe da Paz, conduzamos nossa vida como um verdadeiro advento. Cheios de esperança, movamos nossos corações à conversão e nossas ações para a construção de um mundo melhor.

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