Batizados e enviados em missão

Dom Edney Gouvêa Mattoso

A Voz do Pastor

Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo, o bispo diocesano da cidade, Dom Edney Gouvêa Mattoso, assina a coluna A Voz do Pastor, todas as terças, no A VOZ DA SERRA.

terça-feira, 08 de outubro de 2019

Caros amigos, em nossa última reflexão lembramos o convite do Papa Francisco a toda Igreja para despertar a consciência da missão além-fronteiras e retomar com novo impulso a transformação da vida e da pastoral.

O convite a missionaridade não é uma novidade de nosso tempo. Desde o chamado que Jesus faz a seus discípulos, é marcadamente claro o envio de cada um aonde o próprio Cristo deveria estar. “E mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir” (Lc 10,1).

Contudo, neste tempo em que vivemos, urge que cada cristão assuma com seriedade e inteira doação a responsabilidade de fazer Cristo presente. Muitas foram as reflexões e os acenos do magistério da Igreja para esta imperativa realidade.

O apelo missionário tornou-se uma marca característica do pontificado do Papa Francisco. Mesmo antes, de todo este movimento “de saída” proposto por Francisco, a Igreja já anunciava e manifestava sua essência missionária.

O Concílio Vaticano II é uma referência clara da preocupação com a mudança de época e com tudo o que ela acarretou no comportamento humano. A Igreja traça novas diretrizes para a evangelização com dois documentos muito importantes: Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que lançou um olhar atento sobre a Igreja no mundo atual e o Decreto Ad Gentes, que tratou mais especificamente sobre a atividade missionária da Igreja.

Depois desta grande virada missionária pastoral da Igreja no século 20, muitos foram os documentos que surgiram como linhas mestras para a atividade eclesial no mundo. Lembramos, por exemplo a paradigmática Exortação “Evangelii Nuntiandi” do Papa Paulo VI (1975) e a encíclica “Redemptoris Missio”, de São João Paulo II (1990).

Equivocadamente pode se pensar que tantos pronunciamentos sobre o mesmo tema tendem a complicar ou sofisticar o anúncio missionário, mas, quando ouvimos com atenção o magistério da Igreja é evidente que todo pronunciamento tende à simplificação e cotidianidade da evangelização como tarefa de todo cristão.

Sobre este ponto, ensina-nos o santo padre, o Papa Francisco: “Quando a Igreja apela ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal. Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isto é, definitivamente, a missão. Isto posto, um evangelizador não deveria ter constantemente uma cara de funeral. Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito e a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! E que o mundo do nosso tempo, que procura, ora na angústia ora com esperança, possa receber a Boa-Nova dos lábios não de evangelizadores tristes e desanimados, impacientes ou ansiosos, mas sim, de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram os que primeiro receberam em si a alegria de Cristo”. (Envangelii Gaudium, 10)

O cristão precisa falar sobre Deus: no mercado ou no hospital, no trabalho ou no lazer, em casa ou em viagem, oportuna ou inoportunamente (2Tm 4, 2). Não importa onde ou quando, mas as palavras de Cristo precisam ser cada vez mais nossas, como a respiração de nosso organismo sobrenatural, fruto de uma vitalidade muito mais profunda do que a vida biológica.

O mundo, marcado pela tecnologia, clama por evangelizadores nos novos canais de comunicação; e igualmente os reclama nas situações normais do dia-a-dia. Precisamos ter cuidado com o desejo de querer organizar demasiadamente a atividade pastoral da Igreja, caindo num legalismo farisaico e perdendo a simplicidade do Evangelho. A ânsia por cargos e funções acabam por sufocar o anúncio destemido da palavra de Deus.

Ouçamos com temor e responsabilidade o santo padre, de modo a não deixar que nos roubem o entusiasmo missionário (cf. Evangelii Gaudium, 80).

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