A VOZ DA SERRA tem site mais informativo nos seus 20 anos

quarta-feira, 21 de junho de 2017
por Adriana Ventura
Foto de capa
Reprodução do anúncio dos 72 anos de A VOZ DA SERRA: jornal não para de se reinventar
Mais uma data para o jornal A VOZ DA SERRA comemorar: 20 anos presente na internet.

A possibilidade de atingir mais pessoas com nossas notícias o levou a dar esse passo.

Adriana Ventura*

Em 1997, Laercio Ventura decidiu enfrentar o desafio de colocar o jornal na internet, apesar de todas as dificuldades da época. Talvez seja difícil entender, para as novas gerações, que hoje tem na palma da mão um pequeno aparelho que te responde qualquer pergunta, que indica o melhor caminho de uma estrada a ser percorrido, lê um  código de barras próprio criado  só para internet, com um nome complicado, QRCode.

Mas não era assim em 1997.

A internet era discada e enorme a dificuldade para encontrar mão de obra especializada. E em Nova Friburgo, era tudo ainda muito mais difícil. Mas ele estava decidido, e ousou se lançar na nova aventura antes mesmo de passar à policromia em nosso impresso, que veio somente dois anos depois.

Nos últimos dias venho pensando como festejar esse aniversário, como homenageá-lo. E me pergunto: o que o levou a encarar esse desafio?

Naquela época, somente grandes empresas jornalísticas estavam online, e praticamente nenhum jornal de cidades do interior. Já éramos um impresso diário, mas ainda em preto e branco, e ele mesmo assim, ousou botar nosso jornal para navegar pela internet?

Ele não se intimidou. E apesar de nada entender do assunto, e super receoso em lidar com a tal “máquina”, confiou aos “moleques” japoneses a tarefa de tocar o projeto. E em 12 de junho, daquele ano, entramos no ar.

Um dia, o computador se instalou na sua mesa, ainda que sua função fosse de mero “enfeite”, porque ele não abria mão de sua máquina de escrever. Até que perdeu a vergonha e contratou uma professora, a Lu. Se isolava em sua sala para ter aulas de  “computador”.

Quantas  vezes ligou para o neto Gabriel, à noite, para perguntar como saía, como devia fechar uma página para não perder o que havia escrito, e como desligava “aquilo”. Se vangloriava dos acessos internacionais monitorados e sempre comentava, orgulhoso, quantas pessoas estavam lendo o jornal nos EUA (época em que muitos friburguenses começavam a vida nas terras do Tio Sam. Hoje, só de pensar em Trump, arrepiamos).

Mal sabia ele que dois anos depois seria obrigado a se aproximar do computador, para matar as saudades dos netos, quando fomos morar fora do Brasil. Mudamos para um país onde a internet bombava e as crianças rapidamente assimilaram o “cyber space”. Descobriram sites e redes sociais, um mundo de novidades. Portanto, Laercio precisaria aprender, eu também.

Aos  poucos, ele foi ganhando confiança, aprendeu a linguagem e foi explorando esse imenso universo desconhecido. Passava horas no skype com os netos, e teve a oportunidade de aqui no Brasil, assistir online a graduação de uma de suas netas, transmitida pela Universidade de Bradford, na Inglaterra.

Decididamente, o mundo estava vivendo uma grande revolução de costumes.  Posso imaginar o espanto de quem passou por tantas mudanças tecnológicas, em apenas uma existência. 

Mais de 15 anos depois, perto de falecer, já fazia compras online, principalmente de livros. E adorava descobrir que o serviço funcionava. Virou o melhor amigo do Google, se espantou com a inutilidade de todas as enciclopédias compradas e colecionadas por ele por toda sua vida.

Que pena, pai, você não estar mais aqui para comemorar essa data conosco. Adoraríamos vê-lo no WhatsApp, no Instagram, e fazendo um ‘live’.

No Facebook,  ele já estava, mas quando eu perguntava como ele tinha tantas pessoas estranhas como “amigas”, respondia: “Me pediram amizade, acho falta de educação recusar”.

Ah, pai, como  você era bem educado, como sua índole, caráter e seriedade nos fazem falta. Precisava ver as baixarias que “rolam” na internet agora, a invasão de nossas páginas com ofensas, reduzindo as pessoas a coxinhas e mortadelas, filmagens de assassinatos e estupros. Um horror, esse outro lado da evolução digital.

Definitivamente, você não imaginaria que as redes sociais dominariam nossas vidas, como agora. Não tenho dúvidas de que você se abriu para esse mundo movido pela possibilidade de fazer ainda melhor, o que sempre fez: informar.

A possibilidade de atingir mais pessoas com nossas notícias, o levou a dar esse passo. Você enxergou que o futuro estava em fazer chegar a informação ao maior número de pessoas. Estar na internet era estar falando para o mundo todo, e rapidamente. Seria a nossa voz para além da serra fluminense. Para o resto do planeta.

Somos referência como veículo em nossa cidade. Nossa credibilidade e seriedade extrapolam nossas páginas do impresso e pulam para as telas de milhares de pessoas, falando especialmente da vida dos friburguenses. Você vislumbrou isso quando deu o primeiro passo.

E seu neto, o Gabriel, desde sempre, o acompanhou e orientou mesmo de longe. Depois de sua morte realizou todas as mudanças necessárias para que não perdêssemos nossa relevância, como você um dia pensou.  Vem nos conduzindo, dia a dia, para estarmos sempre à altura de qualquer portal de notícias de grandes jornais, nacional ou estrangeiro.

Quando A Voz da Serra impressa completou 70 anos, já convencidos da nossa capacidade online, fizemos uma grande mudança no site. E hoje temos um site  mais fácil de navegar, mas bonito e com maior interatividade. A notícia  apurada com maior rapidez, como exige um portal de notícias, mas com o mesmo padrão de seriedade e com o compromisso de informar.

Não imaginamos quais caminhos cibernéticos iremos seguir, nos próximos anos. Somos surpreendidos a cada dia com tantas novas possibilidades tecnológicas...  Mas, uma coisa, eu posso garantir: estaremos fazendo o que melhor sabemos fazer -  informar, noticiar.

Nunca esqueceremos o grande passo que este jovem senhor, de 67 anos, deu um dia, e que nos trouxe até aqui.

Laercio Rangel Ventura, à sua maneira, discretamente, provou a todos nós, o quanto era moderno e corajoso, atributos cuja modéstia não lhe permitia admitir.

*Adriana Ventura, diretora de A VOZ DA SERRA, é filha de Laercio Ventura.

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