Vila operária da Filó: casas vazias geram especulações

Com a incerteza em torno da situação da vila, moradores remanescentes temem, inclusive, ter que deixar os imóveis
quarta-feira, 13 de julho de 2016
por Jornal A Voz da Serra
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As casas situadas em frente ao prédio da fábrica (Foto: Lúcio Cesar Pereira)

Conhecidas por representarem a hegemonia das indústrias, que por muitos anos foram a base da economia de Nova Friburgo, as vilas operárias, atualmente, evidenciam outra realidade. Na Vila Amélia, as amplas residências que abrigavam um número significativo de funcionários dos mais variados setores da antiga Fábrica Filó, hoje, a maioria é de espaços vazios.

O abandono tem sido alvo de questionamentos. Leitores têm perguntado sobre a situação e o destino das casas. Amplas, as residências ficam dentro do complexo fabril e têm nove cômodos, além de varanda e quintal com lavanderia. 

“Procurava um imóvel para alugar próximo ao Centro e resolvi ir até as casas da Filó. Mas me informaram que não era possível alugar porque serviam apenas a funcionários”, declarou a jornalista Amanda Batista. 

Com a incerteza em torno da situação da vila, alguns moradores temem, inclusive, ter que deixar os imóveis. “Não temos uma informação precisa sobre o que farão com essas casas. Alguns imóveis têm sido utilizados para receber funcionários da fábrica que vem de outros estados, mas, como são poucos moradores que restam, o medo de o benefício acabar é constante. Há até quem diga que a vila deve ser demolida para construção de  apartamentos”, afirmou uma moradora que preferiu não se identificar. 

Elaine Ferreira, de 55 anos, trabalha há mais de 30 anos na fábrica, que hoje pertence ao grupo Rosset, e é uma das poucas pessoas que ainda reside na vila operária. “Logo depois da tragédia de 2011, a empresa fez um levantamento dos funcionários para saber se estavam todos bem. Sabendo da situação de alguns, como nós que perdemos tudo, eles ofereceram casas da vila. Morávamos na Vilage e não tínhamos para onde ir”, contou ela. 

De acordo com os moradores, para residir em um imóvel da vila da Filó é preciso que pelo menos um membro da família seja funcionário. Além disso, os moradores precisam efetuar um pagamento para manutenção do espaço que custa cerca de R$ 100. Caso seja demitido, o funcionário tem três meses para sair da casa. 

Desde o fim do mês passado, A VOZ DA SERRA tem buscado informações com o grupo Rosset, atual responsável pela Filó, mas até o fechamento desta edição não obtivemos resposta.

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