Vila Mozer prepara o seu 23º arraiá

Festa, sempre na última semana de julho, este ano será no dia 28, a partir das 16h
sábado, 23 de junho de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Foto de capa

As festas juninas são uma forte tradição em diversos estados brasileiros, principalmente no Nordeste e no Sudeste do país, durante todo o mês de junho, julho e até agosto. Já existe até a setembrina em algumas cidades do interior. Aliás, a cada ano o evento vem se estendendo no tempo.

Tempo de homenagear três santos católicos, os queridos Antônio, João e Pedro. Cada região celebra à sua maneira, adaptando as tradições juninas aos costumes locais e misturando elementos religiosos, populares e folclóricos.

Realizados nas paróquias, nas casas, nas ruas da cidade ou em sítios, os arraiais possuem elementos essenciais que os identificam, como a fogueira, a quadrilha, as bandeirinhas e as receitas típicas, derivadas do milho. Celebra-se com alegria, cantando e dançando a quadrilha, elementos que completam o cenário de uma verdadeira festa junina. O período é tão importante no Brasil, que, em alguns estados, como Alagoas e Pernambuco, o dia de São João é feriado. Em Alagoas e no Rio Grande do Norte, o dia de São Pedro também é feriado estadual.

Em Campina Grande, na Paraíba, por exemplo, onde é realizada a festa junina mais famosa do país, considerado o “Maior São João do Mundo”, já começou e vai até julho

Nova Friburgo pode não ter a maior, mas sem dúvida, tem a “Mais Acolhedora Festa Julina do Mundo”: é na Vila do Mozer, famoso sítio em Lumiar onde vive a numerosa família que lhe dá nome. O Arraiá dos Mozer é um dos mais tradicionais da região. A festa, sempre na última semana de julho, este ano será no dia 28, a partir das 16h. Abre com oração e com a canção da família. Em seguida, tem forró com Os Mózi", formado por netos do patriarca e fundador da festa, Astrogildo Mozer, além do conjunto Sanfoneiros da Serra e outros artistas.

Confraternização é o ponto alto da festa

O forró e a música sertaneja embalam as festas juninas, ao som de zabumba, triângulo e a clássica sanfona, entoando canções como “... São João, São João, acende a fogueira do meu coração!... Tem tudo isso no Arraiá dos Mozer, que em sua preparação conta com a participação de toda a família: crianças, jovens, adultos, idosos, todos se unem para fazer “a festa mais bonita do lugar”, segundo seu José Pinto, que vai completar 80 anos em novembro, um orgulhoso membro do clã.

“Todos os anos, desde 1994 (suspensa no ano passado devido ao falecimento de seu filho Dilmo, um dos organizadores da festa) toda a família se mobiliza para receber os visitantes. Fazemos questão de dar as boas vindas logo na entrada do sítio. É bom ver as pessoas chegando, as crianças alegres, correndo e brincando. A gente fica feliz com o resultado de nosso esforço e mais ainda em ver todo mundo junto. Só de parentes, somos mais de 80 pessoas!’, conta, acrescentando que o encontro é aberto a todo o público.

Barraca das gostosuras

Bercília Mozer de Moraes, espécie de matriarca e uma das responsáveis pelo evento, revela que a preparação começa um mês antes, portanto, no momento, está ocupadíssima. Entre os pratos salgados, os mais procurados são o cachorro quente, o churrasquinho e os caldos. Entre os doces, estão a canjica, pamonha, cocada, cuscuz, pé de moleque, paçoca, doce de abóbora, além bolos de sabores variados.

“A barraca de doces é uma das grandes atrações da festa, pela quantidade de guloseimas. É até difícil escolher diante de tanta coisa gostosa! Tudo é feito com a ajuda dos meus filhos, netos, noras, genros, primos, é parente que não acaba mais. é muita gente ajudando pra tudo sair perfeito”, ressalta. “Recebemos gente do Rio, de Niterói e de municípios vizinhos como Bom Jardim, Cordeiro e Petrópolis, e, às vezes, até de São Paulo. As pousadas ficam lotadas”, completou.

No meio de tantas gostosuras, um ítem se destaca: a broa. Graças a uma receita muito especial, outra tradição da família Mozer, que pode ser experimentada com geleias ou cremes. A broa dos Mozer começa a ser preprarada uma semana antes do início do evento e chega a ser produzida mais de mil unidades. Foi Bercília quem introduziu a receita na família, herdada de seus antepassados suíços. Ela não faz segredo sobre os ingredientes que usa: batata doce, inhame, aipim, cará, chuchu e abóbora, além de fermento, açúcar, manteiga e óleo.

“Não tem mistério. Tudo é feito de forma caseira e à moda antiga, em forno de lenha. Talvez, essa forma de assar faça diferença no resultado. Mas é só isso mesmo”, resumiu Bercília.

Curiosidades

  • Quadrilha: Tem origem nos bailes de salão da cultura francesa. Palavras como balancê, anarriê, anavã têm origem na língua francesa : balancer (balançar), en arrière (para trás), en avant (para frente). A quadrilha é a encenação do casamento do caipira com uma linda moça, no qual estão presentes o padre, os pais dos noivos, o juiz, o delegado e os convidados. Colorida e alegre, a quadrilha é elemento obrigatório de todo arraial.
  • Comida: A lista das especialidades juninas é longa e pode variar de acordo com as regiões. Existem, porém, alguns quitutes tradicionais, como o quentão, vinho quente, bolinho caipira, cuscuz, bolo de milho, pamonha, canjica, milho cozido, pipoca, pé de moleque, pinhão, curau, batata doce, bolo de fubá, maria-mole, churros, churrasquinho, pastel.
  • Balão: Há alguns anos, costumava-se soltar balões durante as festas juninas. Atualmente, devido ao perigo de o balão cair em áreas residenciais ou florestas, com alto risco de queimadas e incêndios, a brincadeira é proibida por lei.
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