Verão começa com alerta para segurança em rios e cachoeiras

Mais de 70% dos casos de afogamento no país acontecem em água doce
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
por Karine Knust
Sol e muito calor. Os últimos dias foram, de fato, uma amostra de que o verão 2018 promete. Nesta quinta-feira, 21, começa oficialmente a estação mais quente do ano e, com as altas temperaturas esperadas para a estação, já é dada a largada à frenética busca por formas de se refrescar. Em Nova Friburgo, os rios e cachoeiras da região são as principais escolhas de friburguenses e turistas que optam por curtir os encantos da Serra.

“Ficar em local calmo, não é sinônimo de segurança”

Comandante bombeiro Fábio Gonçalves

Mas, apesar de lindas, essas belezas naturais escondem muitos perigos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), o Brasil está em terceiro lugar no ranking dos países com maior número de casos de morte por afogamento — mais de seis mil por ano. Ainda segundo a Sobrasa, 17 pessoas morrem afogadas diariamente no país. Desses óbitos, 75% acontecem em rios e represas.

Segundo especialistas, um dos motivos para tantos afogamentos nesses locais pode estar na água. Isso porque, o rio é ainda mais perigoso que o mar devido a baixa densidade da água, o que faz com que a pessoa afunde mais rápido. Apesar disso, para o Corpo dos Bombeiros, mais de 50% dos afogamentos acontece por irresponsabilidade do próprio banhista.

“Na maioria dos casos, as pessoas subestimam a força dos rios e cachoeiras. Ficar em local calmo, com água na canela, não é sinônimo de segurança. Existem vários fatores de risco: refluxos, pedras, sumidouros, correntezas”, afirma o comandante do 6º Grupamento de Bombeiro Militar de Nova Friburgo, Fábio Gonçalves. “Educar e prevenir é o primeiro passo para se manter seguro. Não tem como o Corpo de Bombeiros estar presente em todos os lugares. A quantidade de rios e lagos que temos é muito grande então o caminho é educar a população”, acrescenta.

Ainda de acordo com dados da Sobrasa, dentre as principais vítimas nesses tipos de acidente estão jovens e crianças. Segundo o levantamento, o maior risco de morte por afogamento ocorre na faixa de 15 a 19 anos e essa também é a segunda maior causa de morte entre crianças de 1 a 9 anos.

“Muitos casos acontecem porque crianças e adolescentes tem o costume de se aventurar, propor brincadeiras que podem ser extremamente perigosas, como mergulho de cabeça ou ‘quem chega mais longe’. O ato de se achar muito resistente é um erro. É preciso entender que o corpo tem seus limites”, alerta o comandante.

As temidas cabeças d’água

Se você é ligado nas redes sociais, certamente já viu vídeos que mostram pessoas se afogando devido a fortes correntezas que surgem rapidamente nos rios. O fenômeno é conhecido como cabeça d’água e acontece quando chove em um determinado ponto do rio e aumentando o nível da água e gerando uma enorme onda. O evento se forma quando há forte calor e alta umidade do ar, ou seja, não está distante da realidade da região.

“Normalmente a cabeça d’água acontece de forma muito rápida, como uma onda gigantesca. Mas em alguns casos é possível perceber que algo está errado com alguns indícios. A coloração da água - que muda devido a detritos, galhos, folhas - além do aumento gradual do volume de água e da velocidade do rio são alguns deles. Se estiver chovendo nas proximidades da nascente do rio é bom evitar a área”, esclarece o comandante Fábio Gonçalves.

Aproveitando sem riscos

Para Fábio, um dos maiores segredos para manter a segurança e, consequentemente, aproveitar o dia de folga com tranquilidade é observar. “A primeira coisa a se fazer, em qualquer lugar, é verificar os subterfúgios do local, conhecer e observar as possíveis saídas em caso de perigo”, orienta ele, acrescentando que “Se houver uma criança no grupo, é preciso orientá-la, porque ela pode tropeçar, cair e se afogar mesmo em locais considerados rasos.  A relatos de afogamento infantil em lâmina d’água com profundidade de 30 a 40 centímetros”.

Ainda de acordo com Fábio Gonçalves, evitar ingerir comidas pesadas, bebidas alcoólicas ou entorpecentes, além de nunca mergulhar de cabeça ou nadar sozinho, se manter hidratado e sempre manter as crianças acompanhadas e com os devidos equipamentos de proteção estão entre os cuidados a serem tomados para evitar acidentes. “Ninguém estava livre de um mau súbito, cãibra ou algo do tipo, por isso, nunca frequente rios e cachoeiras sozinho”, também ressalta.

Caso, ainda assim, ocorra um acidente “a orientação é procurar ficar calmo, se manter o máximo de tempo sobre a água, boiando, nunca nadar contra a correnteza e sempre seguir em direção as margens. Qualquer meio em que seja possível manter a pessoa sobre a água também é válido. Seja uma garrafa pet ou uma toalha, qualquer objeto que possa auxiliar quem está em estado de afogamento deve ser utilizado. Talvez, uma pessoa próxima do local que saiba nadar e prestar os primeiros socorros pode fazer o salvamento ou então orientar o banhista em afogamento, que pode conseguir se salvar até sozinho. Caso isso não seja uma realidade, é preciso ligar para o Corpo de Bombeiros através do 193”, orienta o comandante.

A proteção mais adequada para crianças

Quando o assunto é água, a diversão entre a criançada é garantida. Mas para manter a segurança dos pequenos, muitos pais investem em diversos equipamentos: Bóias de braço, flutuadores... São diversas as opções de materiais infláveis com o intuito de manter as crianças mais seguras na hora do contato com a água.

Uma das alternativas mais populares entre tantas é a bóia de braço. De acordo com o Corpo de Bombeiro, entretanto, essa não é a opção mais segura. “Colete salva-vidas é a melhor opção para as crianças. A boia é um subterfúgio, mas não é o ideal. O colete mantém a criança numa flutuabilidade melhor”.

Além de garantir uma boa flutuação, a opção ainda oferece uma maior liberdade de movimentos e deixam os braços livres. Vale ressaltar, porém, que é preciso levar em conta o tamanho da criança na hora de comprar o produto.

 

LEIA MAIS

Agasalhos beneficiam assistidos pela Casa dos Pobres, pelo Lar Abrigo de Amor a Jesus, Lar para Idosos Frederico Meyer e pela Casa de Passagem

Esquema de pare-e-siga vai ser adotado para instalação de vigas de concreto no alargamento de duas pontes

Segundo prognóstico de meteorologista, frio mais intenso vai de agora até meados de julho, apenas

Publicidade
TAGS: Clima | Turismo