Uma família nada tradicional: 4 humanos, 3 gatos, um cachorro

Pai descreve rotina com dois filhos adotados (de uma mesma família) e seu companheiro de vida
sábado, 09 de dezembro de 2017
por Adriana Oliveira
Foto de capa
Rafaela, Gilberto, PH e Rodrigo: família mais tradicional, impossível (Arquivo pessoal)

De mudança do Rio para Teresópolis, Rodrigo Mello e Gilberto Scofield vivem juntos há 15 anos. Há três, adotaram Paulo Henrique, então com 5 anos. Há oito meses, resolveram adotar também a irmã mais velha de PH,  Rafaela, de 17 anos. Nesta edição, dedicada ao Dia da Família, celebrado nesta sexta, 8 de dezembro, reservamos este espaço editorial à comovente descrição que Rodrigo publicou no Facebook esta semana. “Foi um desabafo por sermos  tratados o tempo todo como uma família não-tradicional”, justificou.

O texto recebeu nada menos que 3,6 mil reações de apoio. Leia aqui, na íntegra:

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Essa é uma família não-tradicional: somos quatro humanos, três gatos, um cachorro.

O dia da família não-tradicional começa com a filha adolescente madrugando para ir pra escola. Ela sai cedinho e pega um ônibus aqui perto de casa para estudar todos os dias.

Quando ela não acorda, e é raro, a gente conversa sobre não faltar, sobre não atrasar, esse tipo de coisa.

Depois é o Gil que acorda. Ele sempre leva o Boo na rua. Terças e quintas dá café pro PH e leva ele na natação, de roupão e prancha. De lá PH segue para a escola e Gil para o trabalho.

Nas segundas, quartas e sextas, PH passa as manhãs comigo em casa. Me divido entre o trabalho no computador e cortar as unhas dele. Adoro a hora de limpar ouvidos com cotonete. Depois vem aquela maratona de banho e almoço e daí pego o carro para levá-lo na escola.

Essa família não-tradicional leva o filho na escola todos os dias. Em dois dias da semana ele joga futebol depois da aula. Eu busco no pós-futebol, vamos no carro falando sobre os gols e sobre ficar mais no ataque. Ele é meio zagueiro no time.

A Rafa passa a tarde em casa estudando e em alguns dias da semana tem ballet e jazz. Está chegando a hora do espetáculo do fim de ano e estamos todos ansiosos.

Quando todo mundo chega em casa, tipo 19h30, a rotina volta: nova rodada de banho, dever de casa, jantar. O dever de casa tem picos de estresse e frustração. Quem já passou pela fase de filho alfabetizando entende.

PH gosta quando eu faço macarrão cabelo de anjo com carne picadinha e molho de creme de leite com queijo ralado. As crianças adoram ajudar na cozinha. Toda semana rola um pudim bem gostoso também.

No fim do dia sempre tem Netflix e uma série qualquer que a gente adora ver.

Todos dormem. Eles na beliche. Eu na cama com o Gil.

Essa é a família não-tradicional.”

(Rodrigo Mello)

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A todas as famílias, tradicionais ou não, A VOZ DA SERRA envia o mais sincero e afetuoso  abraço.

 

 

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