Tratamento para Hepatite C promete 90% de chance de cura

O novo método é composto pelos medicamentos Daclatasvir, Simeprevir e Sofoscuvir e a expectativa do governo é beneficiar cerca de 30 mil pessoas em um ano.
terça-feira, 28 de julho de 2015
por Jornal A Voz da Serra

O Ministério da Saúde anunciou no início desta semana uma novidade que pode mudar a realidade dos portadores da Hepatite C no país. De acordo com o órgão, uma nova terapia que aumenta as chances de cura e diminui o tempo de tratamento deste tipo de doença estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), até dezembro deste ano. O novo método é composto pelos medicamentos Daclatasvir, Simeprevir e Sofoscuvir e a expectativa do governo é beneficiar cerca de 30 mil pessoas em um ano.

Essas drogas são fabricadas por três laboratórios e tem grau de potência comprovadamente maior, já que o tratamento leva de 12 a 24 semanas e tem chances de cura superiores a 90%. Enquanto a terapia utilizada atualmente leva de 48 a 52 semanas e tem chances de cura que vão de 40% a 47%, além de não poder ser aplicada caso o paciente tome uma série de outros medicamentos. No entanto, os custos desta novidade são altos. Para a compra dos medicamentos, apenas neste ano, a previsão é de que sejam investidos até R$ 500 milhões. Apesar disso, o órgão diz que o valor gasto com dois pacientes no antigo tratamento é suficiente para cuidar de cinco agora. “Estamos incorporando no SUS o que tem de mais moderno no tratamento para a hepatite C”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante solenidade que marcou o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites, nesta terça-feira, 28, em Brasília.

O novo protocolo clínico facilita também o diagnóstico da doença para o início do tratamento. Antes, para o paciente iniciá-lo, era necessário passar por uma biópsia, exame considerado invasivo e que não é feito em qualquer lugar. Agora, segundo o diretor do departamento de HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, o paciente passará antes pela triagem de posto de saúde. Caso necessário, será encaminhado para o serviço especializado, que indicará se há necessidade de mais exames. Sem contar que, agora o grupo de pessoas que antes não podiam se tratar, como portadores de HIV, quem tem cirrose descompensada, quem está em fase pré e pós-transplante, pacientes com má resposta ao medicamento Interferon e os que não se curaram com tratamentos anteriores, poderão recorrer à nova terapia.
 
Hepatite C: Uma doença silenciosa com causas quase desconhecidas
A hepatite C afeta 150 milhões de pessoas, quase cinco vezes o número de portadores de HIV. Atualmente, dez mil casos da doença são notificados por ano no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 350 mil e 700 mil pessoas morrem em todo mundo em decorrência da hepatite C. Ainda segundo o órgão, em 13 anos de assistência à doença no SUS, foram confirmados 120 mil casos e realizados cem mil tratamentos.

Talvez, a falta de conhecimento sobre as formas de contágio da hepatite C possa ser um dos motivos para números tão alarmantes. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, que ouviu 2.125 pessoas de 120 municípios, 36% das pessoas pensam que a doença é transmitida no ato sexual. No entanto, essa é a forma mais rara de contágio. Outros acreditam que a doença seja transmitida por picada de mosquitos e por animais domésticos. Enquanto 18% admitiram que não sabem como se pega a doença.
Na verdade, as formas mais comuns de contágio por hepatite C acontecem no compartilhamento de objetos pontiagudos e de seringas. Apesar de grave, a doença pode levar anos até que comece a manifestar os sintomas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia, há cerca de dois milhões de brasileiros infectados com hepatite C, porém mais de 60% não sabem que têm a doença.

 

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