Temporais causam estragos em lavouras de São Lourenço

Plantações foram destruídas na última semana. Preço de hortaliças deve subir nas feiras
quinta-feira, 04 de janeiro de 2018
por Alerrandre Barros
Foto de capa
Plantação inundada (Dirceu Tardem)

Agricultores começaram 2018 contabilizando as perdas nas lavouras que foram destruídas pelas chuvas que caíram no distrito de Campo do Coelho, nos últimos dias de 2017. A Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural ainda não estimou o prejuízo, mas o impacto deve começar a chegar na mesa dos consumidores nas próximas semanas.

Em Conquista, área rural do mesmo distrito, o temporal da última quinta-feira, 29 de dezembro, elevou o nível do rio São Lourenço, alagando várias plantações de alface, brócolis e tomate às margens do curso d’água. A perda dos produtores rurais foi total. No dia seguinte, a estrada de acesso à localidade ficou fechada devido à lama. Um trator foi usado para limpar a via usada para escoar a produção.  

Produtores que cultivam nos morros mais afastados do rio também tiveram prejuízos. O agricultor Armando Robert perdeu toda a produção de cerca de seis mil pés de tomate porque, dias antes da chuva, arou a terra na parte mais alta do terreno. A chuva forte fez a terra descer, destruindo o tomateiro e o quebrando canos do sistema irrigação.  

“Duas horas de chuvas sem parar foi o bastante para acabar com a lavoura de tomate. Agora é limpar tudo. Mas vamos ter que fazer isso com máquina, porque com a mão, é impossível com esse lamaçal”, lamentou.  Só no dia 29 de dezembro choveu cerca de 39 milímetros em poucas horas na região, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A chuvarada foi tão forte que deslocou dos morros alguns blocos de pedra que foram parar nas estradas de terra.

As chuvas fortes, seguidas de sol quente, típicas do verão, vêm afetando as lavouras desde o mês passado, afirmou o presidente da Associação dos Produtores Rurais de São Lourenço, Dirceu Tardem. Isso porque essa combinação “queima” as hortaliças, tornando-as, muitas vezes, imprópria para consumo.

“Com tudo isso, a expectativa é que o preço dos produtos aumente no início deste ano. O consumidor deve sentir no bolso”, disse Tardem, que destaca que Nova Friburgo é responsável por cerca 25% do abastecimento de legumes e verduras do estado do Rio de Janeiro.

Desalojados e sem água

As chuvas da semana passada também desalojaram duas famílias em Prainha, também em Conquista. Segundo a Defesa Civil, o rio que corta a região transbordou na quarta-feira, 27 de dezembro, e invadiu residências. A Secretaria Municipal de Assistência Social acompanhou as vítimas dos temporais, que também receberam cestas básicas da Cruz Vermelha.

A Defesa Civil também registrou deslizamentos, queda de encostas, o estouro de tubulação e o transbordamento do córrego Dantas em bairros do distrito de Conselheiro Paulino. No conjunto habitacional Terra Nova, apartamentos no térreo de blocos do condomínio 9 foram alagados pela chuva.

Também por conta das chuvas vários bairros tiveram o abastecimento de água afetado na última semana devido aos altos níveis de turbidez da água bruta. De acordo com a concessionária Águas de Nova Friburgo, os sistemas foram paralisados para atender aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A concessionária informou, porém, que estava encaminhando caminhões-pipa aos locais sem água.

Para esta semana, o Inmet prevê pancadas de chuva e rajadas de ventos todos os dias. A temperatura média deve variar dos 17 aos 26 graus. O órgão ainda informou que os três primeiros meses de 2018 devem ser marcados por chuvas acima do normal acompanhadas de rajadas de ventos e, por vezes, quedas de granizo, por causa do fenômeno La Niña. A Defesa Civil disse que vai reforçar as ações de monitoramento para os próximos meses.

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