Táxis em Nova Friburgo: um privilégio para poucos?

quarta-feira, 31 de dezembro de 1969
por Jornal A Voz da Serra

Eloir Perdigão

É comum em Nova Friburgo vermos pontos de táxis com veículos enfileirados, motoristas batendo papo uns com os outros, limpando, esfregando, dando brilho na lataria ou, simplesmente, esperando passageiros que não chegam. 

Atualmente, são 278 táxis na cidade — com 90 auxiliares —, que têm a bandeirada fixada em R$ 4,80 e o quilômetro rodado em R$ 2,80 na bandeirada 1, e R$ 3,50 na bandeirada 2. É tida como cara na cidade e talvez o valor esteja espantando os usuários desse serviço. Ainda mais porque, ao contrário da cidade do Rio — onde os táxis raramente param de rodar —, as distâncias percorridas em Nova Friburgo são bem menores. Mas aí fica a dúvida: o táxi tem poucos passageiros porque é caro ou é caro porque tem poucos passageiros?

CARO OU NÃO? – O contador e auxiliar administrativo Wanderson Saldanha disse que ônibus e táxis em Nova Friburgo são iguais: "Anda-se pouco e paga-se muito”. Ele diz que a tarifa dos ônibus urbanos comparada aos intermunicipais é cara e o mesmo acontece com os táxis, se comparados aos do Rio de Janeiro. Saldanha comenta que usou um táxi no período de Natal, entre o Centro e Olaria, e pagou R$ 20. Mesmo levando-se em conta o desgaste do carro e todas as despesas que os taxistas têm, ele julga esse valor caro.

O músico, arranjador e professor Ary Costa, que trabalhou por 30 anos em São Paulo, também faz um comparativo. Na Terra da Garoa a bandeirada custa R$ 4,10, e o quilômetro rodado R$ 2,50 na bandeirada 1, e R$ 3,25 na bandeirada 2. Recentemente Ary pagou R$ 15 para uma corrida também entre o Centro e Olaria.

Ary comenta que o táxi em São Paulo é mais necessário, e complementa: "O táxi em Nova Friburgo só vale a pena no caso de juntar três ou quatro passageiros que dividiriam o valor da corrida. Ou em condições especiais, como chuva, pressa, doença ou muita bagagem”.

A bandeirada em Nova Friburgo é estabelecida pela Prefeitura, através de ato do prefeito, baseada em planilha apresentada pelo sindicato da categoria. A Autran é responsável por fazer a vistoria dos táxis todo ano e ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), órgão do governo estadual, cabe aferir os taxímetros.

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Nova Friburgo, que congrega os taxistas, Dejair Barroso, há 16 anos na praça, diz que o friburguense está usando mais os táxis, de todos os pontos. Inclusive para outras cidades, principalmente para o Rio de Janeiro. O que não ajuda muito os taxistas é o trânsito. "A gente sai e custa voltar”, afirma. 

Segundo Dejair, através do sindicato ele pretende lançar campanha para que o friburguense exercite o hábito de pegar o táxi que porventura esteja passando desocupado e não somente no ponto. Ele diz que quando alguém faz sinal para o táxi rodando ele já sabe que a pessoa é do Rio, pois o friburguense não tem esse costume.

Outra proposta sua é que a Autran tolere a parada para pegar passageiro na Avenida Alberto Braune em mão dupla, por ser rápido, o que atualmente não acontece. Já está havendo negociação nesse sentido com o superintendente da Autran, Hudson Miranda, e a questão será levada ao prefeito Rogério Cabral. "Isso é condição de trabalho”, afirma Dejair. Através do sindicato, ele também quer promover cursos, como o deste mês (obrigatório por lei para todos os taxistas), agilizar documentação e outras vantagens para a categoria.

Para o presidente do sindicato o táxi em Nova Friburgo não é caro, até porque a bandeirada está sem reajuste desde dezembro de 2010. Na cidade do Rio pratica-se praticamente o mesmo valor: R$ 4,70. Lá, torna-se mais vantajoso para os taxistas porque normalmente há o retorno, o que não ocorre aqui e, por isso mesmo, a bandeirada na cidade sempre custou um pouco mais. Em Teresópolis já passa de R$ 5. É comum o táxi levar compras e seguirem mais duas, três ou quatro pessoas, tornando-se vantajoso.

O taxista Ricardo Almeida, há 22 anos na praça, concorda com Dejair de que o táxi em Friburgo não é caro. Ele lembra que até dezembro de 2010 uma corrida do Centro para o terminal rodoviário sul, na Ponte da Saudade, equivalia a uma passagem dos ônibus da Viação 1001 para o Rio. Hoje fica na casa de R$ 16 e a passagem para o Rio R$ 42. "Uma grande defasagem”, argumenta.


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