Site suíço faz, de Fribourg, cobertura jornalística dos 200 anos de "Nova"

Editor do www.swissinfo.ch, Fernando Hirschy vive há 20 anos na cidade-irmã
quinta-feira, 10 de maio de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)

Jornalista nascido em Nova Friburgo e radicado há 20 anos em Fribourg, Fernando Hirschy é o repórter responsável pela cobertura da participação e atividades programadas para os visitantes suíços no município e região. Editor do site  www.swissinfo.ch em português, um serviço internacional da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão, criada há quase 90 anos, Hirschy vai cobrir os principais eventos comemorativos dos 200 anos de Nova Friburgo, até o dia 18. Recém-chegado à cidade, ele tem aproveitado a estada para visitar familiares, amigos de infância e colegas de seus tempos de escola, enquanto aguarda a chegada de 165 suíços no domingo, dia 13.

Em visita ao jornal A VOZ DA SERRA, ele explicou que a plataforma para a qual trabalha é dirigido a um público internacional interessado na Suíça e aos cidadãos suíços que vivem no exterior. Hirschy faz parte de uma equipe de cem funcionários de 15 nacionalidades diferentes. “Abordamos diariamente os fatos em seus mais diferentes aspectos, como política, economia, cultura, ciência, tecnologia e sociedade. Esse conteúdo é traduzido para dez idiomas, já que estrangeiros de qualquer parte do mundo fazem parte do público ao qual nos dirigimos, em português, alemão, francês, italiano, inglês, espanhol, chinês, árabe, japonês e russo”, explicou.

E contou uma curiosidade: dada a similaridade sonora entre "Fribourg" e "Friburgo", os suíços se referem à cidade brasileira como "Nova", com a pronúncia "nová".

O calendário festivo prevê eventos até o final deste ano, mas o mês mais movimentado é maio, a semana de 13 a 19 e a data do aniversário, dia 16, têm no desfile cívico-militar seu ponto alto, com a mobilização de escolas, entidades, associações e diversos grupos, totalizando dez mil pessoas. A inauguração de um memorial, ao lado do Obelisco do Centenário, na Praça Demerval Barbosa Moreira, será no domingo, 13.

Entre as reportagens  recentemente publicadas por Hirschy, chamou atenção a que aborda a réplica do Cristo Redentor instalada num parque em Fribourg, em homenagem a Nova Friburgo. Ele também gravou, no Rio, entrevista com a pesquisadora e historiadora mineira Gisele Sanglard, professora da Fiocruz, sobre a correspondência dos imigrantes com seus familiares, desde a chegada ao Brasil, em 1819. Ela conta como foi sua busca, em Jura, e cita conteúdos das cartas trocadas.

LEIA AQUI A MATÉRIA DO CRISTO REDENTOR SUÍÇO.

O resultado da pesquisa faz parte de sua tese de mestrado, de 2003, onde dedica um capítulo, “De Nova Friburgo a Fribourg através das letras: a colonização suíça vista pelos próprios imigrantes”, à história da imigração suíça, cujo marco inicial é o desembarque deles no Rio de Janeiro, em 1819.

“A singularidade de Nova Friburgo se encontra no fato de ter sido a primeira empresa colonial contratada pelo governo português. Este trabalho é um convite a um retorno no tempo, para o período de constituição da colônia de Nova Friburgo através das cartas que os próprios imigrantes escreveram e que foram publicadas em um jornal suíço da época. Através destas cartas pode-se perceber o encontro de dois mundos diferentes: o Velho e o Novo Mundo, além de encontrar com outros suíços que já estavam estabelecidos no Rio de Janeiro ou que aqui estavam se estabelecendo, mostrando toda a dinâmica do ir e vir de imigrantes, partícipes ou não de empresas migratórias. Percepção, informação e expectativa são a tônica destas mensagens”, descreveu Gisele Sanglard, neste pequeno trecho extraído de sua tese.

Resgatando laços

De acordo com o jornalista, o sentimento que move o grupo de suíços que vem participar do aniversário da cidade é o resgate de laços afetivos. Viver a emoção de conhecer a terra para onde vieram seus antepassados, onde vivem e como estão seus descendentes. “É a questão emocional do reencontro que está mexendo com os sentimentos dessas pessoas. Eles querem encontrar primos, parentes mais próximos ou distantes, não importa, os suíços querem conhecer a história dos que vieram há 200 anos e o que ficou deles aqui. Não estão preocupados se a cidade está abandonada, se está arrumada, se é bonita ou não, se tem traços da Suíça antiga, enfim, não são questões típicas que os motivam. Eles querem saber das pessoas, vêm com a ideia do recolhimento, de vivenciar um momento muito especial”, adiantou Hirschy.    

Ele conta que tem descoberto muitas histórias a partir de suas entrevistas e encontro com historiadores. “Aprendi, por exemplo, que naquela leva dos primeiros imigrantes, não vieram somente pessoas desvalidas, desesperadas, fugindo da fome. Vieram profissionais de diversas áreas, inclusive médicos, marceneiros, religiosos, confeiteros, entre outros, que ansiavam por experimentar o tal do "mundo novo". Mas é também um povo que tem um respeito muito grande pela sua história, suas tradições, e nesse sentido, querem saber mais de seu próprio passado”.

No dia 18 e 19, Fernando Hirschy volta com o grupo para a Suíça. “Estou aqui a trabalho, sem esquecer que sou filho de um suíço alemão casado com uma brasileira, também descendente, uma Cardinot. Vou testemunhar os encontros, ouvir histórias, conhecer mais sobre a minha própria origem, para então contar como foi festejar os 200 anos da chegada dos imigrantes a Nova Friburgo”, encerrou Fernando Hirschy.

 

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