Reflexos da greve: produtos escassos, ruas vazias e muito lixo nas calçadas

No Centro da cidade, postos de combustíveis estão zerados e feira da Vila Amélia já está com estoques reduzidos
quinta-feira, 24 de maio de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Lixo se acumula numa esquina na Avenida Galdino do Valle (Fotos: Henrique Pinheiro)

Os moradores de Nova Friburgo acordaram e foram dormir nesta quinta-feira, 24, com lixo nas ruas, postos de combustíveis fechados, mercados e feiras com espaço de sobra nas prateleiras e poucos carros circulando nas ruas. Quem enfrentou fila na quarta-feira, 23, e conseguiu abastecer, agora economiza mantendo o carro na garagem o máximo possível. A greve dos caminhoneiros que já dura cinco dias, continua afetando diversos setores da cidade.

Os postos de combustíveis estão com os estoques zerados e permaneceram fechados ontem; a cooperativa de feirantes na Vila Amélia, está com estoque reduzido e as prateleiras de muitos mercadinhos nos bairros já começam a ficar vazias.

Lixo

O lixo está acumulado na calçadas devido a coleta doméstica ter sido suspensa. Os caminhões da empresa responsável pela coleta de lixo, a EBMA, têm sido impedidos de deixar a sede da empresa no bairro Córrego Dantas por membros da greve. A recomendação à população é evitar colocar o lixo nas calçadas nos próximos dias, ou até que a situação se normalize. Infelizmente, muitos friburguenses não atenderam o pedido. Ao longo das Avenidas Galdino do Valle e Comte Bittencourt os pedestres tiveram, ontem, que desviar das pilhas de lixo jogadas por prédios e escolas.

Falta de alimentos

A equipe de A VOZ DA SERRA percorreu o centro da cidade e observou que alguns mercados e armazéns, principalmente nos bairros, já estão com prateleiras vazias devido a  falta de reposição de mercadorias. A feira da Vila Amélia tem prejudicado a maior parte dos comerciantes. Segundo um deles, que preferiu não se identificar, foi preciso usar carros particulares para conseguir repor parte da mercadoria. “Eu fui com meu carro na Ceasa e comprei o que consegui e vim pra cá”, disse um comerciante. Outro dono de armazém disse que passou com seu caminhão perto da zona de bloqueio na RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis) e só conseguiu ser liberado com a carga pela metade. “Falei que estava carregando gelo e eles (os grevistas) deixaram passar”, contou ele.

Ônibus

Desde a última terça-feira, 22, os ônibus da empresa Faol tem circulado com os horários de sábados, mas com reforços nos horários de pico. De acordo com o gerente da empresa, Paulo Valente, muitos coletivos da frota foram abastecidos em postos convencionais e garante que consegue manter toda a frota operando pelo menos até amanhã, 26, ou, dependendo do consumo, até domingo, 27.

Postos de combustíveis

A greve fez com que os motoristas friburguenses realizassem uma corrida desenfreada para encher os tanques, nos postos da cidade e o resultado não poderia ser outro: bombas zeradas. Ontem, o dono de um posto afirmou que após o término da greve, a situação só deverá voltar ao normal em pelo menos dois dias.  

Consequências

Na Ceasa, em Conquista, estavam retidas ontem cerca de 50 toneladas de produtos agrícolas e a previsão é de que 80% desses alimentos devam estragar em até dois dias. Nos sacolões de hortifrutigranjeiros no centro da cidade, os preços da batata, tomate, verduras e legumes já aumentou.

O que diz o Procon sobre preços abusivos?

De acordo com o coordenador do Procon em Nova Friburgo, Alessandro Gabetta, até o início da tarde de ontem, nenhuma reclamação contra preço abusivo havia sido protocolada no órgão, apesar dele próprio  ter ouvido comentários dando conta que alguns estabelecimentos teriam até triplicado o preço de alguns produtos.

Gabetta orienta que quem se sentir lesado deve registrar uma reclamação no Procon para que o órgão investigue o caso. “O consumidor que se sentir lesado, pode trazer a nota fiscal ou tirar a foto do preço cobrado por determinado produto e fazer a queixa aqui no Procon. É importante que o consumidor traga uma prova dessa cobrança para que a gente possa analisar o valor médio de mercado da mercadoria em questão. Importante frisar que não há tabelamento de preços de alguns produtos, mas quando o consumidor desconfiar desse aumento abusivo, deve procurar o Procon”, disse Gabetta.

Até a atualização desta notícia, ainda não havia previsão para o fim da greve.

 

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