Protesto contra superlotação no Jamil El-Jaick termina com professor detido

Manifestantes dizem que secretaria estadual não abre turmas em pelo menos 5 escolas de Friburgo
quinta-feira, 08 de março de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
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O protesto na Coordenadoria Regional Serrana II, da Secretaria Estadual de Educação, atrás do Ienf (Fotos: Alerrandre Barros)

O diretor do Colégio Estadual Jamil El-Jaick, professor Diogo Coelho, foi detido por policiais militares “por desobediência” durante uma manifestação de estudantes na Coordenadoria Regional Serrana II, da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), no Centro de Nova Friburgo, na manhã desta quarta-feira, 7. Eles protestaram contra a falta de vagas e a superlotação de salas de aula na escola.

“Fui chamado para me reunir com dois policiais e o diretor da Regional, mas recusei porque queria que outros representantes do movimento (pais, alunos e professores) também participassem. O PM me mandou subir para a reunião, mas como recusei, me deu voz de prisão por desobediência. Nunca vi isso. Não houve sequer desacato ao policial”, afirmou o professor.

Coelho disse que foi levado para a 151ª DP, por volta das 13h30, mas uma hora depois foi liberado pelo delegado de plantão. Em comunicado à imprensa, o comando do 11º BPM informou que o professor foi detido porque se recusou a encerrar o ato, que, segundo os policiais, não tinha as "devidas autorizações legais dos órgão competentes e envolvendo alunos menores de idade, sem o consentimento dos responsáveis, gerou transtorno ao local". 

O protesto começou pouco depois das 10h e só foi encerrado às 14h30, depois que o professor saiu da delegacia. Dezenas de estudantes do Jamil El-Jaick se reuniram em frente à Coordenadoria, atrás do Instituto de Educação de Nova Friburgo (Ienf), em protesto contra a falta de vagas no colégio. Com cartazes em mãos, gritavam “Dona Serrana, minha turma está lotada para caramba!”.

Até as 11h30, enquanto a equipe de A VOZ DA SERRA esteve no local, o protesto seguiu pacífico com acompanhamento da PM. De acordo com diretor de organização do Grêmio Estudantil do Jamil El-Jaick, Nathan Romão, os alunos decidiram realizar a manifestação após várias tentativas de diálogo com representantes da Coordenadoria Regional Serrana II.

“Vários ofícios foram enviados com nossas reivindicações sobre a superlotação. Mas não tivemos resposta. Por isso, decidimos vir aqui e cobrar uma posição da Coordenadoria”, disse o estudante do 3º ano do Ensino Médio com uma faixa com o nome “Jamil” amarrada na cabeça. Eles não foram recebidos pela Regional.

Turmas do colégio, localizado na Rua Euclides Solon de Pontes, no Centro, estão com 45 alunos matriculados, enquanto a capacidade por sala, segundo a diretora Marta Santos, é de, no máximo, 38 alunos. O Jamil oferece o ensino fundamental e médio e tem cerca de mil estudantes. A superlotação tem prejudicado o trabalho dos professores e, como consequência, a aprendizagem dos alunos.

“Existe a demanda por novas turmas nas escolas, mas a Seeduc não abre turmas. Faltam professores na rede. Há professores aprovados em concurso, mas o governo não faz a convocação deles. Muitos já entraram na Justiça para tomar posse, mas o governo recorreu. Enquanto isso, as salas de aula ficam superlotadas”, afirmou Marta.

Falta de vagas chega ao MP

O Sepe, o sindicato dos profissionais de educação, protocolou na terça-feira, 6, um ofício na Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Nova Friburgo em que denuncia a demanda por vagas em, pelo menos, cinco escolas estaduais na cidade.

Além do Jamil, onde há carência de vagas no 7º, 8º e 9 anos, e no 2º ano do Ensino Médio, o sindicato afirma que há demanda por vagas em turmas de Ensino Fundamental no Colégio Estadual Galdino do Valle Filho, no Paissandu. No Carlos Côrtes, no Catarcione há carência no 6º ano, assim como no João Bazet, no Bairro Ypu. No Vicente de Moraes, Prado, no distrito de Conselheiro Paulino, faltam vagas para o 6º, 7º e 8º anos.

Para Nelise Pimentel, mãe de um estudante do 7º ano no Jamil, que acompanhou a manifestação na Coordenadoria Regional Serrana II, a superlotação tem sido um problema. “O colégio possui salas que podem abrigar novas turmas. Os alunos enfrentam calor, barulho e os professores são sacrificados, porque não dão conta de tantos alunos em sala”, observou ela.

Seeduc responde

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) informou que os diretores das escolas fizeram um planejamento, em setembro de 2017, com a oferta de vagas para o ano letivo de 2018, de acordo com a disponibilidade de alunos e turmas, e que esse planejamento foi definido e aprovado, em outubro de 2017, juntamente às diretorias regionais e às próprias direções das escolas.

“Quanto ao Colégio Estadual Jamil El-Jaick, a Seeduc esclarece que as turmas seguem esse planejamento realizado pela própria direção da escola e que ainda existem vagas disponíveis para o Ensino Médio. Não existe carência de professores. Os quadros de alocação de docentes estão sendo dinamicamente atualizados e são feitos diretamente pelos próprios diretores. Eventuais problemas são pontuais e fazem parte da rotina, tendo sua solução por meio da alocação desses profissionais”, informa a nota.

A Seeduc ainda disse que com relação a contratação dos professores aprovados em concurso, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, suspendeu, em fevereiro, a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que determinava a nomeação desses docentes aprovados em concursos públicos. Mesmo assim, a Secretaria Estadual de Educação já contratou 300 professores.

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