Primeiro caso de sarampo no Estado do Rio tem confirmação prévia

Moradora da capital teria contraído doença. Secretaria de Saúde investiga se contágio ocorreu em Petrópolis
quarta-feira, 04 de julho de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Febre e exantema são sintomas do sarampo (Foto da web: prevenirclinicadevacinas.com.br)

A Secretaria estadual de Saúde emitiu alerta aos órgãos do setor nesta terça-feira, 3, informando o que pode ser o primeiro caso de sarampo confirmado no estado do Rio de Janeiro.  Segundo a secretaria,  há quatro casos da doença em investigação no estado. Um deles teve resultado preliminar positivo, aguardando apenas confirmação do diagnóstico pelo laboratório de referência nacional da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

A doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, conforme descrição do Ministério da Saúde, foi previamente confirmada em uma jovem de 20 anos, moradora da capital. No entanto, a investigação indica que o possível contágio possa ter ocorrido em Petrópolis, já que a paciente participou dos Jogos Estudantis Jurídicos realizados no município serrano entre 30 de maio e 3 de junho.

Se plenamente confirmado, este será o primeiro caso registrado no Rio após o Ministério da Saúde confirmar um surto de sarampo nos estados de Roraima e Amazonas, no Norte do país. Em Roraima já foram confirmados mais de 200 casos e outros continuam sob investigação. A situação do Amazonas ainda é mais preocupante, pois dados do ministério indicam que, até 20 de junho, foram confirmados 263 casos da doença e 1.368 permanecem em investigação.  Por conta da doença, a capital Manaus, cidade com maior número de notificações, entrou em “situação de emergência”. Outros estados também já notificaram casos de sarampo,  como o Mato Grosso do Sul, mas em menor escala.

Por conta disso, o alerta da Secretaria de Saúde, intitulado “Gerência de Doenças Imunopreveníveis”, assinado também pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde e a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, reforça a importância da vacinação e pede que as Vigilâncias Epidemiológicas Municipais fiquem alertas para casos que apresentem febre e exantema (erupção cutânea comum em doenças provocadas por vírus).

Segundo a secretaria, deve ser notificado como caso suspeito de sarampo aquele em que o paciente apresente febre e exantema acompanhadas de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse, coriza e conjuntivite, independente da situação vacinal. A orientação reforça ainda a atenção para pacientes que tenham estado em Petrópolis durante o evento, participado dele ou que tiveram contato com pessoas que estiveram no município no período, para que seja investigada a questão do contágio. No caso das pessoas que entraram em contato com pessoas que estejam sob suspeita do vírus, a orientação é que seja realizada a vacinação de bloqueio o mais breve possível, mas quem apresentar os sintomas não deverá ser vacinado por medida de proteção.

Sobre a vacinação, a secretaria reforça que as medidas de controle devem ser tomadas, independentemente de haver ou não casos suspeitos nos municípios, declarando que a prevenção é fundamental para evitar a reintrodução do vírus do sarampo no estado.

Onda insensata de medo de vacinas

por Delia Celser Engel*

Mais uma vez, a campanha de vacinação para Influenza não alcança o objetivo. Nós, brasileiros, que temos tantos motivos para reclamar da saúde, da corrupção, dos roubos, deixamos de aproveitar o que funciona bem em nosso país. A epidemia de Febre Amarela só pôde ser controlada com a vacinação em massa. Quem dera que durante a pandemia de gripe de 1918, tivéssemos a vacina de Influenza disponível; 35 mil brasileiros morreram por falta dela. A poliomielite, a rubéola, a difteria, não nos preocupam mais, mas o sarampo está de volta.

Desde 2000, a vacina pneumocócica ajudou a diminuir os casos graves em quase 90%. Como sonhamos no passado com a vacina contra a meningite meningocócica! A vacina contra o HPV, que protege contra o câncer de útero, também disponível, não alcança seu objetivo. Será que nosso complexo de vira-lata mais uma vez nos faz copiar as ideias do continente europeu, onde uma onda insensata de medo de vacinas está fazendo retornar os casos de sarampo, inclusive com óbitos?

A vacinação protetora começa na gestação, e não só para a futura mamãe. Hoje, indicamos vacinas nos familiares que estarão próximos ao recém-nascido; continua para a criança, para o adolescente, para o adulto e para o idoso. Sem contar a vacinação para pacientes que se submetem a determinados tratamentos que diminuem a imunidade ou em portadores do HIV. Se sonhamos com um país livre da hepatite B, é porque a primeira dose é dada à criança ao nascer, ainda na maternidade.

Vacinação em nosso país é obrigatória porque essa é a estratégia para erradicação das doenças preveníveis. Nenhuma vacina tem 100% de eficácia, por isso, se seu filho estiver entre estes, ele se beneficiará da vacinação de todos (efeito rebanho).

* Delia Celser Engel é médica infectologista

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TAGS: saúde | vacina