Pendências com a Caixa atrasam obras no Hospital do Câncer

Segundo banco, somente após estado atender a exigências será possível autorizar a retomada das obras
domingo, 16 de julho de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
O futuro Hospital do Câncer (Foto de Henrique Pinheiro)

Além da crise no estado, pendências técnicas da Secretaria estadual de Obras com a Caixa Econômica Federal estão impedindo a retomada das obras no Hospital do Câncer, em Nova Friburgo. A reforma do imóvel para implantação da futura unidade de oncologia começou em 2015, por meio de um convênio dos governos estadual e federal, mas os repasses foram interrompidos no ano seguinte. O Ministério Público Federal (MPF) está cobrando dos órgãos uma solução para o impasse.

“Ainda constam pendências referentes a reprogramação e licitação. Somente após o atendimento integral de todas as pendências apontadas, será possível autorizar a retomada das obras”, confirmou a Caixa em nota sem detalhar a questão.

O governo estadual não informou quando as pendências serão resolvidas, mas reiterou que a obra foi paralisada após decreto de calamidade financeira, assinado pelo governador em exercício Francisco Dornelles, no ano passado. A medida interrompeu o repasse de recursos para obras. “A retomada depende da assinatura do Plano de Recuperação Fiscal com o governo federal, bem como com a disponibilidade de recursos”, diz o texto.

Desde o dia 5 de julho, guardas municipais estão fazendo a segurança do canteiro de obras do Hospital do Câncer, na Ponte da Saudade, 24 horas por dia, sete dias por semana, depois da denúncia de que materiais teriam sido furtados do canteiro. A ronda começou a pedido da Secretaria Estadual de Saúde, até que a segurança do imóvel seja retomada pela construtora responsável pelas obras.

Como A VOZ DA SERRA mostrou no fim de junho, o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Ponte da Saudade (Amaps), José Roberto Folly, encontrou uma lixeira contendo tubos de conexão e chapas de aço, na Rua Prefeito César Guinle, perto do hospital. Um morador contou a ele que viu um homem lançando na lixeira sacolas com as peças por cima do portão do canteiro.

Uma queixa-crime foi feita no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que determinou a abertura de inquérito para investigar a denúncia. A Polícia Civil está investigando o caso. O deputado estadual Wanderson Nogueira e o deputado federal Glauber Braga, ambos do Psol, também protocolaram uma representação no MPF para que haja também investigações acerca de possível omissão do governo estadual.

Em nota, a Secretaria estadual de Obras reiterou que comunicou a denúncia de furtos à FW Empreendimentos Imobiliários e Construções Ltda para que “a empresa tome providências a fim de preservar o canteiro de obras, que é de sua responsabilidade”. A construtora, por sua vez, disse, por e-mail, que não ia comentar o assunto.

No próximo mês, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio  (Alerj) vai realizar uma audiência pública para discutir a retomada dos serviços de reforma para implantação do hospital. O encontro, promovido pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Câncer, vai acontecer no dia 9 e deve projetar o início do funcionamento da futura unidade de oncologia do estado.

Com orçamento de R$ 93,6 milhões — sendo R$ 10 milhões para desapropriação, R$ 45,7 milhões para as obras e R$ 35 milhões para compra de equipamentos — o projeto prevê que o Hospital do Câncer vai contar com 200 leitos, sendo 30 destinados à infância, cerca de 300 consultas por dia e até quatro mil cirurgias por ano. A unidade terá capacidade de atender 500 mil pessoas por ano.

 

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