“Tô pegando fogo”, canta o sambista Valcir Ferreira

Compositor friburguense de Bangu será premiado nesta terça em programa de TV em São Paulo
segunda-feira, 04 de dezembro de 2017
por Ana Borges
Foto de capa
Valcir Ferreira dá entrevista em A VOZ DA SERRA (Foto: Henrique Pinheiro)
Ele é carioca de Bangu, mas friburguense desde criancinha, já que aqui chegou com apenas 3 anos de idade. Sambista, compositor e cantor, a primeira música foi para um circo que aportou em Olaria, onde ele sempre morou e mora até hoje. E, claro, desfila pela Imperatriz de Olaria.

"Tudo o que me chama atenção, vira música, seja em que ritmo for. Mas o samba é o que mais toca o meu coração”

Valcir Ferreira

“As pessoas gostaram, elogiaram e me incentivaram a continuar. Aí, procurei as escolas das bandas Campesina e da Euterpe para estudar, e foi ótimo”, lembra. Evoluiu tão bem que Valcir tomou gosto por vários gêneros musicais, além do samba, que é a sua paixão: ele compõe hino, axé e até música sertaneja, e canta de tudo. Até o momento, Valcir tem um repertório de 150 composições, incluindo o Hino da Guarda Civil de Nova Friburgo, cuja letra foi revisada pela jormalista e trovadora Elisabeth Souza Cruz.  

Antes de lançar o primeiro CD, Valcir Ferreira competiu num concurso de marchinhas de carnaval, do Odir de Souza, o Godô, que tinha um programa na Rádio Friburgo, o “Seresteiros em Revista”. “Todo final de ano ele promovia concurso para o carnaval para descobrir talentos da terra. Isso foi por volta de 1973, 74, e foi assim que tive a minha primeira chance”, contou.

Com todo o talento que Deus lhe deu, Valcir nunca viveu da música. Então, para sustentar a família, esposa e cinco filhos, teve várias atividades: em fábrica de cerâmica, em almoxarifado da Fábrica Sinimbu, em salas de cinema (na faxina, na bilheteria, na projeção). Foi também servente de pedreiro, na Rua Nossa Senhora de Fátima, e dessa época, destacou: “Eu chegava de manhã bem cedo e acordava os moradores cantando, imitando o Agnaldo Timóteo. Aí gritavam: ‘Já chegou, negão?’. Mas não reclamavam, não. Quando eu não cantava, até perguntavam se eu estava doente”.

Também foi cozinheiro, trabalhou em motel, foi porteiro, vigia e recepcionista. Mesmo tendo emprego fixo na Sinimbu, sempre fez bicos. Por isso trabalhou durante 25 anos nos diversos cinemas, mais de 15 na fábrica. Nos fins de semana e à noite, pegava o que aparecia. Já era feirante quando foi convidado por Carlinhos, que tinha vindo de Ponta Grossa (PR) e fazia linguiças defumadas. “O Carlinhos gostava do jeito como eu me comunicava com as pessoas. Aí fui trabalhar para ele”.

Sucesso na TV

Valcir insistiu na carreira e se profissionalizou. Tem a carteira da Ordem dos Músicos, registro no Sindicato dos Compositores e é membro da Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais (Socinpro), segunda maior arrecadadora em direitos autorais no país. Participou de três LPs, “Carnaval no Rio” e “Vieram pra ficar” (volumes 1 e 2), e gravou dois CDs:  “Amor Ardente” e “Canto pra gente sambar”, este com o sucesso “Tô pegando fogo”. Esse último CD contou com a participação da amiga e também sambista Sidnéa Merêncio, que revisou as letras.

Em 2015, Valcir e Sidnéia participaram do Programa do Ratinho, no SBT, interpretando a música “A Voz do Morro”, de Zé Keti, indicada pelo programa, e foram premiados com R$ 4 mil. Em junho deste ano, voltaram ao programa e de novo foram destaque, ficando com o prêmio máximo - R$ 1 mil além de um troféu.

Valcir também desfila nas escolas de samba e blocos. Por onde passa, esse carioca com charme friburguense, carismático, sempre sorridente, conquista a todos com sua simpatia. Juntamente com a parceira musical Sidnéia, a dupla foi chamada para comandar o programa “Samba pra gente sambar”, na televisão. Começou na TV Friburgo e depois foi para a TV Focus.

Cada vez com mais determinado em consolidar sua carreira, nesta terça-feira, 5, a dupla volta a São Paulo para receber o prêmio de revelação do samba, no programa Festa Popular, de Nerivan Silva, da Rede NGT de Televisão. Antes, neste domingo, 3, Alcir vai participar da homenagem ao samba, no Teatro Municipal Laercio Ventura, com o grupo Cultura do Samba e vários cantores do Rio, incluindo a filha da prestigiada sambista Jovelina Pérola Negra, entre outros compositores de samba-enredo.

“Eu sou um compositor e cantor eclético. Faço sertanejo, marchinha de carnaval, axé, tudo. Já fiz marchinha pro Silvio Santos, hino pra time de futebol, como o Corinthians, que foi campeão esse ano, o axé pra Ivete Sangalo “Quem é essa aí, papai?”, daquele episódio em que uma mulher parecia estar paquerando o marido dela durante um show. Enfim, tudo o que me chama atenção, vira música, seja em que ritmo for. Mas o samba é o que mais toca o meu coração”.    

 

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