Paralisação da Polícia Civil agora é por tempo indeterminado

Apenas ocorrências urgentes são atendidas na Delegacia Legal
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
por Karine Knust
Foto de capa
Na Delegacia Legal de Nova Friburgo apenas casos urgentes são registrados (Foto: Henrique Pinheiro)

Os policiais civis do estado do Rio decidiram manter a greve. A assembleia deliberativa aconteceu no fim da tarde de segunda-feira, 23, na capital do estado. Na pauta de reivindicações ainda estão o pagamento do 13º salário, a quitação do Regime Adicional de Serviço (RAS) e do adicional por metas alcançadas, referente ao segundo semestre de 2015. A reunião ainda contou com a presença do chefe da Polícia, Carlos Leba. Foram apresentadas todas as reivindicações que motivaram a greve da categoria, no entanto, Leba afirmou que não há previsão para que essas dívidas sejam quitadas.

De acordo com um dos sindicatos que representa a categoria (Sindpol), a partir de agora a paralisação não tem prazo determinado para acabar. Apenas 30% dos servidores permanecem em regime de plantão para atender as atividades consideradas básicas e essenciais à população, como remoções de cadáveres em via pública; prisões em flagrante; cumprimentos de mandado de prisão; inclusão de gravame para roubos de veículos; e ocorrências de estupro/homicídio e sequestro.

A situação já tem gerado reflexos para os friburguenses. Na semana passada, por exemplo, um imóvel da Rua Érico Veríssimo, no bairro Jardinlândia, foi invadido e furtado. Os assaltantes levaram R$ 4 mil. A proprietária da casa, uma mulher de 36 anos,  tentou registrar o furto na 151ª DP, mas não conseguiu devido à greve da Polícia Civil. A vítima acionou policiais do 11ºBPM, por volta das 18h, depois que ela constatou que o vidro de uma janela da casa estava quebrado. Nenhum objeto foi levado, mas a mulher sentiu falta do dinheiro.

Para o delegado da 151º DP, Mário Arruda, a mobilização dos servidores é importante para chamar a atenção do poder público quanto às falhas em questões básicas do setor. “Não estamos reivindicando apenas aumento salarial, cobramos algo que nos é devido. Não recebemos sequer décimo terceiro e o salário de dezembro só chegou depois da primeira paralisação”, observou ele.  

Os policiais civis paralisaram as atividades no último dia 17 por atraso no recebimento do salário de dezembro, do décimo terceiro salário, das horas extras [Regime Adicional de Serviço] e de prêmios pelo cumprimento de metas de segurança. A paralisação inicial durou 72 horas. Um dia depois do início da greve o governo pagou o salário, mas ainda continua devendo o restante.

Horário reduzido na PM

A reviravolta política e econômica do estado está afetando o funcionamento de diversos órgãos públicos. Na última semana, a  Polícia Militar reduziu o horário de funcionamento dos setores administrativos dos batalhãos. O regime estipula que os agentes trabalhem em escalas de nove horas e não mais de 12 horas, como anteriormente. Diminuindo a quantidade de dias no mês que o policial se desloca de casa para o trabalho, a medida visa reduzir os gastos do setor.

Em Nova Friburgo, por exemplo, a estimativa do 11º BPM é reduzir o custo de transporte de policiais do expediente em, pelo menos, 50%. Uma economia de cerca de 25% nos gastos do quartel também em alimentação.

Greve no Judiciário

Outra paralisação que continua no estado é a dos serventuários do Poder Judiciário. A greve, que começou em outubro do ano passado, completa três meses nesta quinta-feira, 26. Além do reajuste salarial de 5%, os serventuários da Justiça estadual também querem a garantia de pagamento dos 24% de aumento concedido, via ato administrativo, em 2010, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), progressão automática na carreira e o fim da necessidade diária da passagem de servidores pelo raio-X.  

Nesta terça-feira, 24, a direção do SindJustiça, sindicato que representa a categoria, publicou parecer sobre a decisão de permanecer em greve. “Mais do que nunca, precisamos estar unidos e fortes, porque teremos mais um ano com duas frentes de luta: TJ e governo. E precisamos vencer as duas. Estamos aguardando algumas decisões e algumas conversas. E vamos aguardar uma proposta que respeite a categoria. E vamos aguardar juntos e em greve”, afirma trecho de texto publicado.

Apesar da paralisação, no Fórum de Nova Friburgo, na Avenida Euterpe Friburguense, 30% dos servidores, conforme determina a lei de greve, permanecem atendendo medidas urgentes, como prisões, solicitações de medicamentos, entre outros. No próxima dia 2 de fevereiro, a categoria participará de dois atos. Um às 11h, em frente à Alerj, contra o intitulado “pacote de maldades” do governo Pezão e outro às 15h, em frente ao Tribunal de Justiça, contra a administração do setor.

 

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