Para ministro, obras no Raul Sertã precisam terminar logo

Em visita inédita a Nova Friburgo, Gilberto Occhi defende regionalização e sinaliza assumir radioterapia no futuro Hospital do Câncer
sexta-feira, 29 de junho de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Na visita ao hospital, o ministro ouve as explicações do prefeito sobre as obras (Fotos: Daniel Marcus)

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, esteve em Nova Friburgo nesta sexta-feira, 29, para formalizar a destinação de recursos, no valor aproximado de R$ 10 milhões, para a aquisição de equipamentos médicos para os hospitais Municipal Raul Sertã e Maternidade Mário Dutra de Castro. Acompanhado do prefeito, Renato Bravo; dos secretários de Saúde Sérgio D’Abreu Gama (estadual) e Christiano Huguenin (municipal); e do deputado federal Julio Lopes, Occhi visitou as instalações do Raul Sertã e depois se reuniu com representantes de outros municípios da região.

Sobre o hospital, que passa por obras de reforma e adaptação da Central de Tratamento de Urgência (CTU), além de outras intervenções, o ministro destacou a importância de priorizar a finalização do projeto por meio da união de recursos federais, estaduais e municipais. “O Governo Federal está investindo R$ 10 milhões na aquisição de novos equipamentos, mas nós identificamos uma prioridade, que é a conclusão das obras do hospital. Precisamos agora é encontrar opções de emendas parlamentares, de ações de repasse do governo do estado, com contrapartida da prefeitura, que já tem feito essas ações com recursos do próprio tesouro e federais, para esse objetivo”, disse Occhi.

Segundo a administração municipal, além da CTU, passam por intervenções também os Centros de Terapia Intensiva (CTI) adulto e infantil, que também receberão novos equipamentos. De acordo com Renato Bravo, estão sendo feitas as descrições dos itens para dar início às licitações.  “Sobre os equipamentos, foi feito um levantamento geral das necessidades dos hospitais. Percebemos que os existentes são realmente muito antigos e é importante que nós tenhamos esses equipamentos o mais rápido possível para fazer esse atendimento à população”, disse o prefeito, que aproveitou a ocasião para agradecer a presença do ministro, lembrando da sua participação na reconstrução do município após a tragédia, pelo Ministério das Cidades, e ressaltando ser a primeira vez que um ministro da Saúde visita Nova Friburgo.

Regionalização

Segundo o ministro, o Raul Sertã é uma unidade que, apesar de ser municipal, recebe pacientes de toda a região para atendimentos de média e alta complexidade. E como existe o propósito por parte da sua administração de alcançar a “regionalização da saúde”, ou seja, ter hospitais de referência em cada região permitindo que as pessoas sejam atendidas mais próximo dos seus municípios, Nova Friburgo se destaca como possível núcleo do Centro-Norte fluminense. “Vamos trabalhar para construir uma solução que nós defendemos no ministério, que é a regionalização. É muito melhor que seja assim, reforçar sempre a atenção básica nos municípios e ter a capacidade de fazer ofertas regionalizadas, e Nova Friburgo é uma situação dessa natureza. Mais de dez municípios trazem seus pacientes para cá e, para que nós possamos usar os recursos da melhor maneira possível, direcionar de forma mais eficiente o investimento, centralizamos o atendimento às especialidades”, explicou Occhi.

O ministro informou ainda ter acordado com o prefeito e a direção do Raul Sertã a habilitação de serviços que já são realizados na unidade e podem ser ampliados para receber remuneração por atendimentos a outros municípios. A questão dos serviços foi inclusive comentada pelo secretário Christiano Huguenin, que afirmou a intenção melhorar a qualidade das informações passadas pelo município aos órgãos de controle para conseguir aumento no repasse federal. “A partir do momento que conseguirmos terminar as obras, vamos passar para a fase de informatização do Raul Sertã, porque se a gente informa, a gente produz. E se produz, recebe mais verbas, aumentando o teto de repasse do hospital, que atualmente recebe do governo federal R$ 2,5 milhões”, disse Huguenin.

Recursos

Os cerca de R$ 10 milhões foram destinados à cidade através de emenda parlamentar do deputado federal Julio Lopes, que acompanhou o ministro no comprometimento de buscar mais verbas para as obras do hospital, responsabilidade aceita também pelo secretário estadual de Saúde. “Estamos discutindo uma forma de acelerar as obras, que irão proporcionar a melhoria da qualidade no atendimento, habilitando novos leitos. Só este ano para Nova Friburgo nós repassamos cerca de R$ 40 milhões  para a saúde. Isso é importante, mas a gente sabe da necessidade de estar sempre melhorando a gestão, o serviço, o atendimento e isso exige recurso”, disse o ministro.

Apesar das restrições legais quanto ao repasse de recursos voluntários da União aos estados e municípios; e dos estados aos municípios nos três meses que antecedem as eleições, prazo que começa a contar a partir deste sábado, 30, o ministro comprometeu-se a, assim que possível, estudar essa vinda de recursos para o hospital. De acordo com Occhi, a estimativa é de que seja necessário um investimento entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões para a conclusão das obras.

Hospital do Câncer

A discussão sobre saúde no município contemplou ainda a questão do Hospital Estadual do Câncer, na Ponte da Saudade. A obra, iniciada 2015 e avaliada inicialmente em mais de R$ 60 milhões, continua parada por falta de recursos, uma vez que o contrato existente com a Caixa Econômica Federal, responsável pelo repasse, foi extinto em dezembro de 2017. Em comunicado feito no início do ano, a Caixa informou que o repasse foi impedido pelo não cumprimento de alguns ajustes técnicos no processo de licitação. Sobre o assunto, as autoridades foram unânimes em ressaltar a importância do atendimento especializado para a região, mas não informaram nenhuma previsão para a retomada da obra. “Como o Raul Sertã, o Hospital de Oncologia é muito importante para a região e, por meio dessa parceria entre os poderes, poderemos terminar essas duas obras”, declarou o secretário estadual Sérgio D’Abreu Gama.

Já o ministro foi um pouco além e disse que a União pode assumir implantação da radioterapia. De acordo com Occhi, a pasta poderá cuidar da aquisição do equipamento e das obras de infraestrutura desse setor: “O hospital é uma iniciativa do estado, que está trabalhando para sua construção. O que eu me comprometi é que nós podemos assumir uma parte importante do tratamento oncológico, que é a radioterapia, construindo o bunker no local, a parte tecnológica e também o equipamento, que custa em torno de US$ 700 mil. Então, um investimento dessa natureza, com construção e equipamentos, ficaria na ordem de R$ 10 milhões”.

 

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TAGS: saúde