Papai Noel mora bem perto: nas Furnas do Catete

Há 18 anos seu Nicolau se transforma no personagem mais famoso do Natal, no 2º piso do Cadima Shopping
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
O jornalista Alerrandre Barros conversa com Papai Noel (Foto: Henrique Pinheiro)

Sentado numa poltrona vermelha grande, Nicolau tira de trás das costas uma bala sabor morango. Tenta entregar para Miguel, de 3 anos, que não para de chorar no colo da mãe. “Está com medo do papai noel? Olha a barba dele. Não precisa ter medo”, diz a mãe, em vão. Minutos depois, ela sai com o filho, prometendo voltar mais tarde para tirar a foto com o Bom Velhinho.

“Às vezes é assim mesmo. Os ‘menorzinhos’ têm medo de mim”, diz o senhor com barba e cabelos branquinhos, vestido com calça e casaco vermelho, cinto preto na cintura, olhos redondos dourados e gorro na cabeça. Aos 75 anos, ele não revela o nome verdadeiro por nada. “Sou Nicolau, o papai noel. Esse é o nome verdadeiro do Papai Noel”.

Ele está numa casa de madeira, decorada com árvores de Natal, móveis, relógio cuco, neste sábado, 23, das 10h às 22h, e no domingo, 24, das 10h às 18h, no segundo piso do Cadima Shopping, para conversar com as crianças. Seja para fazer um pedido, agradecer ou tirar uma foto (que custa R$ 10).

O velhinho que mexe com o imaginário de crianças e também de adultos que curtem a época mais mágica do ano é interpretado por Nicolau há 18 anos. Por trás da roupa pesada e quente, está o pai de quatro filhos, friburguense, ex-fotógrafo viajante, ex-taxista, ex-professor de história... que aproveita a semelhança com o Papai Noel para ganhar um dinheirinho extra no fim do ano.

“É cansativo, mas muito recompensador. Várias vezes me emociono com as crianças. Há aquelas que pedem brinquedos, aparelhos eletrônicos, que os pais deveriam controlar. As crianças não brincam como antigamente. Tem crianças que me emocionam, pedem a cura de uma doença para algum familiar. Me comove”, disse com os olhos cheio d’água ao relatar os pedidos das crianças.

Com a barba e os cabelos grandes e brancos, bem cuidados com um produto especial para evitar que fiquem amarelados, Nicolau diz que, às vezes, é reconhecido nas ruas. Uma vez, em um supermercado de Nova Friburgo, ele estava fazendo compras, quando de longe, um menino olhou para ele, puxou a blusa da mãe e disse: “Olha, mãe, o Papai Noel vestido de gente!”.

Para 2018, Nicolau, que mora num lugar secreto entre Friburgo e Bom Jardim, espera ver o fim da corrupção, “que mata tantas pessoas nos hospitais”. Ele pede que os governantes olhem mais para a população e que os pais fiquem mais atentos aos filhos. “Feliz Natal! Ho ho ho!”, se despediu ele.

 

 

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