Os dois lados da estatística

segunda-feira, 17 de abril de 2017
por Jornal A Voz da Serra

O NÚMERO de pessoas físicas inadimplentes, segundo dados do SPC e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, mostrou crescimento no primeiro trimestre do ano. No fim de março o número era de 59,2 milhões de consumidores brasileiros nas listas. Frente à estimativa de dezembro de 2016, que mostrou cerca de 58,3 milhões de consumidores inadimplentes, houve um saldo de 900 mil novos nomes nas listas de inadimplência neste ano. 

“SE EU DISSER que está bom é mentira.” Esta frase está na boca de muitos brasileiros que avaliam a economia em 2017 e esperam para o resto do ano retração financeira, arrocho salarial e perspectiva de aumento do endividamento familiar. Ficou mais apertado o nó do endividamento. Dados do Banco Central mostram que os compromissos com cartões de crédito, cheque especial, empréstimos bancários, gastos com habitação e financiamentos rurais das pessoas físicas preocupam os cidadãos. 

EMBORA grande, os economistas reconhecem que o nível de endividamento das famílias está dentro do razoável se comparado ao de países como o Chile e os Estados Unidos, nos quais o nível de endividamento beira os 100%. A dívida do brasileiro passa de 20% do PIB (Produto Interno Bruto), a soma da riqueza produzida no país. O cartão de crédito continua como a principal fonte desse endividamento, utilizado por 63,1% das famílias analisadas, seguida pelo financiamento de carro (22,4%), carnês (15,6%) e financiamento de casa (15,1%). 

ALÉM DAS dívidas, a população também convive com a alta dos alimentos e o perigo sempre presente da inflação. Na prática, a dona de casa, o trabalhador e o aposentado convivem com realidades diferentes das apresentadas pelo Palácio do Planalto.  

A ARMADILHA do crédito fácil está pegando os consumidores e os economistas temem agora a escalada do endividamento. Muita gente se deixa atrair pelas facilidades de acesso ao crédito e pelo alongamento das dívidas sem se atentar que os juros bancários no Brasil são muito altos. Quanto maior for o prazo, mais cara será a dívida.

O CENÁRIO não é muito animador.  As elevadas taxas de juros e o fim das reduções de impostos oferecidas pelo governo federal afastaram o consumidor das compras a prazo e sinalizam que o ano não promete facilidades. Poupar e pechinchar ainda são a melhor solução. Porém, falta dinheiro e os sinais de aumento da renda nacional ainda ficam por conta das estatísticas e não do que realmente se passa no seio da família brasileira.

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