Operação no dia da Lei Maria da Penha termina com 3 presos em Friburgo

Deams de todo o estado cumpriram 42 mandados de prisão durante a operação “Polícia Civil em defesa da mulher”
terça-feira, 07 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
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Três homens foram presos - um no Centro, outro na Granja Spinelli e o terceiro no Loteamento Floresta, no distrito de Conselheiro Paulino - por estupro de vulnerável, furto e lesão corporal contra mulheres durante operação realizada nesta terça-feira, 7, pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). “Foram prisões decretadas pela Justiça. Todos respondem procedimentos aqui”, disse a delegada da Deam, Danielle de Barros.

Coordenada pela Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM) e com o apoio das delegacias de Homicídios, Polinter e de todos os departamentos da Polícia Civil, a operação “Polícia Civil em defesa da mulher”, foi deflagrada em todo o estado pelas 14 Deams e cumpriu, até o fim da tarde de ontem, 42 dos cerca 50 mandados de prisão, a maioria no Grande Rio.

A ação das delegacias teve o objetivo de reforçar a importância da criação da Lei Maria da Penha, que completou 12 anos nesta terça-feira. A data foi instituída pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2008 com o propósito de celebrar a lei que criou mecanismos para coibir a violência contra a mulher.

Violência contra a mulher aumenta

Conforme A VOZ DA SERRA noticiou na edição desta terça-feira, 7, o número de casos de violência contra a mulher aumentou 9% em Friburgo. Somente no primeiro semestre foram 718 ocorrências. Em 2017, no mesmo período, esse número chegou a 655. Segundo Danielle, o crescimento é pequeno, quando são avaliados os dados mês a mês, e é preciso considerar, por exemplo, se aumentaram os casos ou as denúncias.

Especificamente os casos de feminicídio tentado, por exemplo, observa-se que foram registrados um caso na cidade em 2016, outro em 2017 e, até o momento, um caso em 2018. Todas as investigações foram rígidas. Para a delegada, mais importante que a prevenção é a conscientização sobre a lei e a importância de denunciar, seja a vítima ou a testemunha da violência.

“A lei trouxe medidas protetivas, que são um dispositivo valioso, uma vez que a partir do momento em que a mulher faz a denúncia o problema passa a não ser só dela, passa a ser um problema da Deam, que pede a medida protetiva e o homem responsável é intimado e, se não respeitar as determinações, vai preso. Por isso, a mulher que é vítima de violência, seja por ameaça, xingamento, agressão, qualquer tipo de violência, deve ter a denúncia registrada, deve ser protegida por lei”, reitera Danielle.

Mais denúncias recebidas do que no Rio

Vítimas de violência doméstica e sexual na cidade têm procurado da cada vez mais denunciar os casos. É o que indica a pesquisa Tecle Mulher, realizada pela Assessoria e Pesquisa no Âmbito dos Direitos da Mulher, com base em dados do Dossiê Mulher 2018, do Instituto de Segurança Pública (ISP).

O estudo calculou que Nova Friburgo recebe mais denúncias de violência contra a mulher do que a cidade do Rio de Janeiro. Friburgo apresenta 906 mil denúncias para 100 mil habitantes, enquanto o Rio tem 659 mil registros, assim como as cidades vizinhas Teresópolis (824 mil) e Petrópolis (529 mil), estão com os índices oficiais de violência relacionados à mulher maiores que os da capital.

Para a organização que realizou a pesquisa, esses números reforçam a importância de fortalecer cada vez mais atendimento especializado, através da Deam, Centros de Referência da Mulher, Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, para que as vítimas se sintam seguras, sejam de fato acolhidas e, com isso, reverter o número de casos.

 

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