Ofensiva contra o tráfico prendeu 16 suspeitos em Friburgo e no Rio

Investigações revelaram que bando do Tuiuti, na capital, fornecia armas pesadas para morros friburguenses
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa
Carros da Força Nacional no Paissandu (Foto: Henrique Pinheiro)

Uma investigação da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) para desarticular uma quadrilha de traficantes que planejava retomar o controle da Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio, acabou revelando uma ramificação em Nova Friburgo, para onde bandidos do Tuiuti forneciam armas pesadas. Na manhã desta terça-feira, 14, a Polícia Civil deflagrou a Operação Invasão com 200 homens, para cumprir 34 mandados de prisão preventivas, no Rio e em Friburgo. Ao todo, 16 pessoas foram presas nas duas cidades. Carros da Força Nacional também foram vistos circulando pelas ruas da cidade e a PM montou barreira em frente ao 11º batalhão (foto).

Procurada por A VOZ DA SERRA, a assessoria de imprensa da DCOD não detalhou quantos e quais traficantes foram presos em Friburgo. Mas divulgou nota, no fim da tarde, informando que policiais civis prenderam o traficante do Morro do Tuiuti, na Zona Norte do Rio, conhecido como “Pastor”, um dos principais fornecedores de armas e drogas para morros de Friburgo. O traficante, do Comando Vermelho (CV), teria determinado o envio de 20 pistolas e de um fuzil AK 47 para o município serrano a fim de reforçar a quadrilha dele, ao lado de seus comparsas  “Baú” e “Coroa”, ambos presos no Complexo de Bangu.

“Ele foi o responsável pelo incremento da periculosidade na região (serrana), uma vez que as técnicas e táticas de guerra já utilizadas nas favelas cariocas passaram a ser implementadas na Região Serrana fluminense, aumentando sobremaneira o risco para os policiais e para toda a população da cidade”, informou a Polícia Civil.

Em setembro último, policiais militares encontraram no Jardim Ouro Preto, no distrito de Conselheiro Paulino, dois fuzis, dez granadas e farta munição no segundo andar de um imóvel onde funcionava uma padaria. Um jovem foi preso durante a ação.

Na manhã desta terça-feira, 14, policiais civis prenderam o traficante Wesley Henrique dos Anjos Santos, apontado como chefe do tráfico nas comunidades Pica-Pau e Cinco Bocas, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Wesley é filho do também traficante Carlos Henrique dos Santos Gravini, vulgo Rato ou Torrá, que está preso desde 2016. Outro alvo era o traficante Rodinei de Menezes Andrade, vulgo Baratão, que era o homem de confiança de Carlos Henrique dos Santos Gravini. Com a prisão dele, Rodinei passou a ser o gerente geral do tráfico na Cidade Alta.

A polícia explicou que, em razão da briga pelo poder, Rodinei se aliou ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, vulgo Peixão, chefe do tráfico em Parada de Lucas e Vigário Geral, ambas comunidades da Zona Norte, e se aliou à organização criminosa conhecida como TCP (Terceiro Comando da Capital), aplicando um “golpe de estado” ao expulsar os traficantes ligados ao CV. Neste contexto, de acordo com a polícia, os traficantes expulsos da Cidade Alta passaram a manter o domínio nas favelas Cinco Bocas de Pica-Pau, ambas sob o comando de Wesley.

Ainda de acordo com as investigações, traficantes da Cidade Alta (CV) buscaram refúgio nos complexos do Alemão e da Penha, locais de onde partiram, pelo menos, três tentativas de retomada do controle da referida favela. Tais ações contaram com a ajuda de várias lideranças do tráfico da referida organização criminosa, fato que levou à identificação da ramificação atuante na comunidade do Tuiuti, com conexão com Nova Friburgo.

Para retomarem o controle do tráfico de drogas na Cidade Alta, bandidos do CV encomendaram maquetes desenhadas em programa de modelagem 3D CAD - utilizado para a elaboração de peças de desenho técnico em duas dimensões (2D) e para criação de modelos tridimensionais -, software usado por profissionais das áreas de arquitetura e engenharia. O objetivo é planejar e retomar, de forma definitiva, a venda de drogas na região.

As investigações demonstraram, também, que o Comando Vermelho possui uma “caixinha”, uma espécie de contribuição patronal do crime, baseada na importância da localidade dominada, de cada núcleo (quadrilha que exerce o domínio em uma comunidade) para financiar os interesses da organização (pagamento dos advogados, pagamento dos líderes, sustento das famílias dos que estão presos, compra de armas que são socializadas entre todos os núcleos).

A Operação Invasão foi coordenada pelos delegados Felipe Curi e Vinícius Domingos e teve como principal objetivo identificar suspeitos que participavam das ações criminosas nas comunidades, mas ainda não tinham anotações criminais e se deslocavam livremente sem ser incomodados.

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