Obra pública inacabada é alvo de reclamações em Conselheiro

Trecho às margens do Rio Bengalas ficou sem receber calçadas nem grades de proteção nem explicações
quinta-feira, 09 de novembro de 2017
por Dayane Emrich
Foto de capa
O trecho sem pavimentação e sem grades na beira do rio (Foto: Henrique Pinheiro)

Quem faz diariamente o trajeto Conselheiro Paulino x Centro, em Nova Friburgo, já se acostumou a ver o movimento de máquinas e operários às margens do principal rio da cidade: o Bengalas. Iniciados em 2013, os trabalhos de construção de muros de contenção -- que finalmente entraram na fase final em março deste ano, ao chegar no bairro Duas Pedras --, no entanto, vem chamando atenção de friburguenses que querem saber: por que um trecho da Avenida Governador Roberto Silveira foi o único a não receber calçadas e grades de proteção?

O trecho, que compreende cerca de 500 metros de cada lado, considerando as duas margens do rio, fica situado entre a fachada da sede da Concessionária Friburgo Auto Ônibus Ltda (Faol) e o Colégio Municipal Rui Barbosa. O espaço, por onde passam centenas de friburguenses, não tem calçamento e há tempos não recebe capina. Em algumas partes, por ser estreito, o caminho permite a passagem de apenas uma pessoa por vez. Em outros, arbustos e postes obrigam os ciclistas e pedestres a se arriscar caminhando pelo acostamento.

Para a costureira Cineuza de Paula, de 50 anos, as calçadas e grades de proteção trarão mais segurança para os pedestres. “Moro no centro de Conselheiro e venho até a minha igreja, no Prado, todos os dias. Seria ótimo ter uma calçada regular, sem buracos e com proteção lateral para caminhar. Enquanto isso não acontece, evito andar no trecho, pois acho muito apertado e perigoso”, disse ela.

Dono de um quiosque há nove anos às margens da Avenida Governador Roberto Silveira, Waldeney Ribeiro de Simas, de 46 anos, também aguarda pelo término da obra. “Até agora a gente não entendeu o motivo por que só esse trecho não foi finalizado. Alguns empresários até pensaram em construir o resto da calçada, mas acho que é o governo quem deve terminar”, afirmou.

A VOZ DA SERRA entrou em contato com a Secretaria de Ambiente e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo projeto, no último dia 1º de novembro. A reportagem questionou os motivos dos trabalhos não terem sidos finalizados no trecho em Conselheiro e se há previsão para que as calçadas do local sejam feitas e as grades instaladas. Em nota o órgão informou que iria investigar o caso e, assim que possível, esclarecer o fato. Até a atualização desta notícia, no entanto, não houve resposta.

Sobre o projeto

Considerada uma das obras mais caras já realizadas em Nova Friburgo, os trabalhos de controle de inundação e recuperação ambiental do Rio Bengalas vêm sendo realizados pelo Consórcio Rio Bengalas, formado pela EIT Engenharia e a Ferreira Guedes. No total, foram investidos R$ 195 milhões pelos governos estadual, por meio do Inea, e federal, com verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Paralisadas por diversas vezes, por causa da demora no pagamento de indenizações pelo governo do estado às famílias que tiveram que desocupar suas casas às margens do rio,  a estimativa inicial era que os trabalhos fossem concluídos em abril de 2016, mas o prazo foi prorrogado para abril de 2018. Atualmente, operários trabalham na altura de Duas Pedras, próximo a rodoviária norte.

Entre as ações previstas, o projeto prevê desassoreamento, dragagem e canalização do rio, o reflorestamento das margens e a urbanização do entorno, com a criação de ciclovia e áreas de lazer para as comunidades. O objetivo é evitar o transbordamento do rio, como aconteceu na tragédia de 2011, que, além de centenas de vítimas, deixou ruas, casas e estabelecimentos comerciais inundados, resultando em um enorme prejuízo para a cidade.

 

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