O macaco não é culpado

terça-feira, 30 de janeiro de 2018
por Jornal A Voz da Serra

A POPULAÇÃO friburguense compreendeu a importância da vacina contra a febre amarela e vem procurando a rede pública para imunizar-se do surto. Vários estados brasileiros estão mobilizados contra a febre amarela. Trata-se de um esforço que não precisaria ser feito. A doença foi erradicada desde o início do século passado, mas os surtos, que ocorriam de tempos em tempos, agora são anuais.

NO BRASIL, a febre amarela é silvestre. Ela só era transmitida ao homem quando este penetrava as florestas. Mas hoje, com o avanço da agricultura e das cidades, sobram menos espaços para os macacos e os mosquitos, que se adaptam ao novo meio ambiente. Ocorrem entre outubro e fevereiro de todos os anos, quando começam as chuvas do verão.

OS INDÍGENAS têm contato com a febre amarela primária desde criança. Com a idade, vão adquirindo imunidade. Sem os anticorpos conferidos pela vacina, o homem da cidade está sujeito à infecção amarílica secundária, que é frequentemente mortal.

O SURTO atual é devido ao descaso dos governos com a saúde da população, que também tem sua parcela de responsabilidade na incidência da doença. Em alguns lugares, populares estão caçando macacos que poderiam estar hospedando o vírus, numa atitude sem resultado prático, além de praticarem crime ambiental. O macaco é depositário do vírus durante alguns dias, mas o mosquito é disseminador dele durante vários meses. Além disso, viaja por muitos quilômetros.

ESTAMOS destruindo as áreas naturais. O próprio governo tem reduzido as unidades de preservação, o que diminui o alimento necessário para manter internados os animais. Por outro lado, o ambiente degradado das cidades é propício aos mosquitos.

FELIZMENTE Nova Friburgo escapou do improviso do governo, como o fracionamento das vacinas, repercutindo no custo desses serviços médicos, agora executados todos os anos.

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