O eterno brilho da Embaixatriz do Carnaval

Rosângela Cassano conta como se tornou uma referência da festa de Momo em Friburgo
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
por Guilherme Alt
Desde bebê vivenciando o carnaval, Rosângela Cassano conta como se tornou uma referência da festa de Momo em Nova Friburgo, fala da cidade, dos desfiles, de seus ícones. Praticamente nascida e criada na maior festa popular do planeta, Rosângela deu entrevista no estúdio de A VOZ DA SERRA esbanjando simpatia, sorriso no rosto, muito brilho e purpurina.

"Eu me emociono ao lembrar do carnaval de 2014. Foi o último carnaval da minha mãe"
AVS: Há quanto tempo você está nessa vida de carnaval?

Desde os 3 anos de idade, ou seja, desde que eu me conheço por gente eu participo dessa festa. A minha mãe já desfilava no Salgueiro, inclusive ela desfilava quando estava grávida de mim. Em Friburgo a minha história começou da seguinte maneira: eu fui convidada a participar do baile da Campesina pelo saudoso Eduardo Rodrigues, seu Leônidas e a dona Tereza da Vilage, para desfilar na escola de samba. Eu sempre participei de concursos de fantasias no Clube do Xadrez, lá tinha um carnaval muito animado. Durante dez anos (dos 3 aos 13) eu ganhei o concurso infantil na categoria Luxo Feminino. E daí eu me despontei para a festa friburguense. A imprensa toda já me conhecia. Eu tenho muito a agradecer ao Laércio Ventura porque sempre divulgou o meu trabalho, não só nessa época do ano como em outras, ao longo da minha vida.

Você reinou por dez anos quando criança e depois continuou o reinado na época de adolescente e depois adulta, certo?

Isso mesmo. Eu fui Rainha do Carnaval de Friburgo por duas vezes. Na primeira não valeu. Eu tinha 12 anos e juizado não autorizou que eu pudesse ser coroada. Mas no ano seguinte, já com 13 anos, eu ganhei pela segunda vez e pude ser finalmente coroada. A partir daí eu me sobressaí e cheguei a levar o nome de Friburgo para um livro chamado “Le Suisse Dans Le Monde”, em que contava a história de famílias suíças aqui na cidade, e como eu sou filha de descendentes europeus, tive um destaque no livro, que fala dessa parte de carnaval.

E os desfiles?

Eu sempre participei dos desfiles aqui na cidade como destaque, participei dos concursos de fantasia. Com 16 anos eu fui incentivada a trabalhar na Secretaria municipal de Turismo, no governo Paulo Azevedo. E desde essa época eu estou aqui.

O que é ser a Embaixatriz do Carnaval de Nova Friburgo?

Em primeiro lugar, é divulgar o nome de Nova Friburgo, os eventos que aqui ocorrem, e levar a cada canto possível o que de melhor a nossa cidade tem. Dentro disso, tem a divulgação dos festejos de Momo. Nosso carnaval é muito rico. Nós somos o segundo maior carnaval do estado, só perdendo para o carnaval da Sapucaí, no Rio de Janeiro. Temos quatro escolas de samba maravilhosas, temos blocos de enredo com uma potência enorme e que fazem bonito na avenida. O que eu sempre digo é que tem de haver uma parceria do governo municipal junto à Secretaria de Cultura e de Turismo com as escolas de samba. Nós precisamos incentivar o trabalho dessas escolas. Nova Friburgo é um dos principais polos de moda íntima, temos infinitas confecções por aqui. Temos mão de obra qualificada para que trabalhem em prol do nosso carnaval. Friburgo tem nomes como o coreógrafo Jorginho Freitas, que está em São Paulo e divulga as nossas festas de Momo; Roberto Abreu, que está na Unidos da Tijuca; Rafael Éboli, que está no Acadêmicos do Salgueiro; são nomes importantes do carnaval friburguense, que divulgam a nossa cidade, mas são poucas vozes, precisamos de mais.

A seu ver, como melhorar a capacitação dos nossos profissionais, pensando na questão do carnaval?

Nova Friburgo tem um potencial enorme. O que não temos é uma capacitação voltada para essa área. Costurar uma ala de carnaval é extremamente complicado e custoso. Aqui em Friburgo temos poucas pessoas que são boas aderecistas, bordadeiras. Caso precise fazer uma calça para um mestre-sala, nós não temos farta mão de obra que saiba cortar um gavião duplo, entre outros cortes específicos. Esse está sendo o meu trabalho como Embaixatriz: pedir o apoio das pessoas, do governo, para que o nosso carnaval seja cada vez melhor.

E Friburgo é também um dos principais destinos para os cariocas que querem curtir um carnaval mais tranquilo e com mais segurança..

Aqui é muito mais seguro. Além disso, nós temos pessoas que estão muito dispostas a dar a sua contribuição para a folia friburguense. Sem contar que nós somos um povo muito receptivo. Então o turista que quiser vir para Friburgo será bem recebido e vai curtir sua folga de carnaval sem qualquer tipo de estresse.

Qual foi o carnaval mais marcante da sua vida?

Como a minha vida sempre foi o carnaval, eu tenho muitos carnavais marcantes, como aquele em que finalmente fui eleita a Rainha de Carnaval. Mas eu tenho um em especial: eu me emociono ao lembrar do carnaval de 2014. Foi o último carnaval da minha mãe. Ela desfilava pela Imperatriz de Olaria e queria muito retornar ao carnaval da Vilage, sob o enredo “Rosas Negras”. A VOZ DA SERRA presenteou a minha mãe com uma linda matéria das “Certinhas do Lalau”, com uma página inteira, ressaltando o trabalho dela. O jornal foi de um carinho ímpar e eu tenho essa edição até hoje. E por esse presente lindo, o carnaval de 2014 ficou na minha memória e na memória da minha mãe.

 

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