Novembro azul, mas sinal vermelho para uma consulta

Homens chegam a esperar meses para conseguir atendimento e fazer exames de prevenção na rede pública de saúde
sábado, 18 de novembro de 2017
por Alerrandre Barros
Foto de capa

Frederico Bastos, de 42 anos, anda preocupado. No último dia 8, a esposa dele foi à Policlínica Sylvio Henrique Braune, no Suspiro, tentar agendar uma consulta com um urologista, mas, em pleno Novembro Azul, ele só deve conseguir atendimento com o médico para exame de prevenção ao câncer próstata no próximo ano.

“Eu imaginei que estivesse acontecendo alguma campanha especial de atendimento para nós, homens que estão na faixa de risco, mas agendaram minha consulta com o clínico geral para o mês que vem. Ele que pode me encaminhar para o urologista. O atendimento só deve acontecer em 2018”, disse o supervisor de estoque.

Bastos tem dois filhos e mora com a família no Centro. Ele disse que não tem recursos para pagar uma consulta com um médico e também não encontrou nenhuma organização social em Nova Friburgo que estivesse realizando, neste mês, atendimentos gratuitos com o especialista que cuida da saúde do homem.

“Não estou com problema, mas a gente fica preocupado, né? O encaminhamento médico é muito demorado. O governo faz campanhas na TV, na internet, dizendo para a gente procurar o médico, fazer exames, mas no Novembro Azul não oferecem suporte. De que adianta?”, reclama.

A Secretaria municipal de Saúde não informou se realizará um mutirão este mês. Em nota, informou em nota que as consultas médicas são marcadas de acordo com o grau de prioridade dos pacientes e atualmente quatro médicos urologistas fazem atendimento à pacientes no Hospital Municipal Raul Sertã, sendo disponibilizadas 36 vagas por semana para primeiro atendimento e 48 vagas para retorno.

“Além disso, um médico da mesma especialidade também está à disposição para atendimento à pacientes no posto de saúde Silvio Henrique Braune, no Centro, com oferta de sete vagas por semana. Todas as vagas de consultas, sejam do posto de saúde, como do hospital, são agendadas pelo Sistema Nacional de Regulação, o Sisreg”.

Depois do Outubro Rosa, iniciativa voltada para a conscientização sobre o câncer de mama, o que mais afeta as mulheres, começou no dia 1º o Novembro Azul, campanha de conscientização a respeito de doenças masculinas, principalmente a prevenção do câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens, atrás do câncer de pele não melanoma.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que neste ano devem ser registrados 61,2 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que 14.484 homens morreram em decorrência da doença no país em 2015.

De acordo com o Inca, o câncer de próstata é considerado um tumor da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que 20% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados da doença, o que faz com a taxa de mortalidade chegue a 25% dos pacientes.

O Inca alerta que alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta, levando cerca de 15 anos para atingir 1 centímetro, que não chega a dar sinais durante a vida, nem ameaçar a saúde do homem.

O câncer de próstata tem cura, se for diagnosticado precocemente. A doença pode atingir qualquer homem, mas médicos recomendam que os homens com mais de 45 anos devem fazer os exames preventivos uma vez por ano. Aqueles com casos pregressos de câncer de próstata na família (pai e irmãos) ou de câncer de mama (mãe e irmãs) devem procurar o urologista após os 40 anos de idade.

Cinco perguntas sobre o câncer de próstata
(Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia)

1. O que é a próstata?
A próstata é uma glândula parecida com uma noz e é localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, sendo atravessada pela uretra, canal que se estende desde a bexiga até a extremidade do pênis e por onde a urina é eliminada.

2. Qual a função da próstata?
A próstata produz uma secreção importante para a nutrição e o transporte dos espermatozóides, que são originados nos testículos. Juntamente com o esperma e outras secreções, o líquido da próstata forma o sêmen, expelido durante a ejaculação.

3. O câncer de próstata acomete muitos homens?
Depois do câncer de pele, o câncer de próstata é o tumor maligno mais comum nos homens. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima o surgimento de 61.200 novos casos, neste ano, no Brasil. A boa notícia é que a taxa de mortalidade caiu 40% nos últimos 15 anos devido ao diagnóstico precoce.

4. O câncer de próstata é mais comum em qual faixa etária?
O câncer de próstata está relacionado ao envelhecimento masculino. Apesar de poder ser diagnosticado em jovens, inclusive abaixo dos 40 anos, o risco aumenta significativamente após os 50 anos, correspondendo a 40% dos tumores nessa faixa etária. A idade média do diagnóstico da doença é de 69 anos, enquanto a do óbito, de 77 anos.

5. Quais são os sintomas do câncer de próstata?
O crescimento do câncer de próstata é lento e silencioso. A doença pode levar anos para causar algum problema mais sério no homem, por isso, a necessidade de exames regulares (sangue, retal e biópsia) com a orientação do médico urologista. Entre os sintomas, a diminuição no jato urinário ou incontinência urinária, irritação na bexiga, inchaço escrotal e nas pernas, dor lombar e pélvica e sangue na urina. O tratamento varia em cada caso.

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