No Dia Mundial do Café, tudo o que você precisa saber sobre essa paixão

Brasil é o segundo maior consumidor da bebida no mundo e a Região Serrana, a maior produtora do estado
sábado, 14 de abril de 2018
por Karine Knust (karine@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Café: paixão nacional presente também na redação de A VOZ DA SERRA (Foto: Regina Lobianco)

Ele está presente na vida da maioria dos brasileiros com maior frequência até do que os populares arroz e feijão. Não é a toa que a primeira refeição do dia se chama “café da manhã”. E não é só pelas terras tupiniquins que a iguaria faz sucesso. A paixão pela bebida é tanta mundo afora, que instituíram até uma data para celebrar sua existência. É o Dia Mundial do Café, celebrado neste sábado, 14l.

Produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro, segundo historiadores, o café seria originário das terras altas da Etiópia e se difundiu para o mundo através do Egito e da Europa. No Brasil, a planta chegou em 1727, mas só veio parar em terras fluminenses em 1850, quando descobriu-se que por aqui haveria ótimas condições climáticas para o plantio.

No café, no almoço e no jantar

Quem é apaixonado por café não vê hora e nem lugar para apreciar a bebida. Seja nos intervalos do trabalho, num encontro com os amigos, durante uma reunião ou logo após as principais refeições do dia. Puro, expresso, com leite, creme ou chocolate. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cada brasileiro bebe, em média, ao menos quatro xícaras de café por dia.

No ranking mundial de consumo, estamos em segundo lugar. Perdendo apenas para os Estados Unidos. Em 2017, o consumo interno foi de 21,5 milhões de sacas, o que correspondem a aproximadamente 1,07 milhão de toneladas. Mas essa segunda posição no ranking não deve durar para sempre. De acordo com a Embrapa Café, é esperado que a demanda brasileira alcance a norte-americana até 2021, quando deverá atingir 25 milhões de sacas, se considerada uma projeção da taxa média anual de crescimento de mais de 3% ao ano.

Em Nova Friburgo, o consumo de café, claro, segue a tendência nacional. Apenas na padaria Superpão, no Paissandu, que possui uma das mais tradicionais cafeterias da cidade, são vendidas cerca de dez mil xícaras de café por mês. E, apesar dos estilos de café serem cada vez mais variados, a tradição se mantém. “O tradicional cafezinho integra a lista dos Top 10 mais vendidos na Superpão, confirmando a presença marcante do café na rotina dos friburguenses”, afirma a direção da empresa.

Engana-se quem pensa que é preciso ir longe para encontrar opções de qualidade quando o assunto é cultivo de café. A Região Serrana, por exemplo, abriga centenas de produtores do grão. O Sebrae, inclusive, tem um projeto voltado para eles. É o “Vocações da Cafeicultura Fluminense”.

“A ideia é tornar o cultivo da Região Serrana cada vez mais competitivo no cenário nacional, dando visibilidade e destaque a essas empresas e mostrando que a produção fluminense tem sim produtos de muita qualidade. Temos um mercado fantástico e o maior volume de produção do estado”, afirma a analista do Sebrae responsável pelo projeto na região, Márcia Moreira.

Na dose certa

Com um consumo tão grande de café, é inevitável pensar no efeito da bebida para a saúde. De acordo com especialistas, felizmente, os benefícios são vários. “Estudos revelam que o café auxilia no rendimento físico e intelectual, estado de alerta, melhora das funções cognitivas (memória, linguagem, capacidade de aprendizado) e está relacionado a prevenção de doenças como Alzheimer e Parkinson”, afirma a nutricionista Katerine Knust.

Por outro lado, como tudo na vida, o excesso de café no organismo pode ser prejudicial. “De uma forma geral, a recomendação é que não se ultrapasse a ingestão de três a cinco xícaras de café por dia, o que equivale a dose de 150-300 mg de cafeína. Algumas pessoas como gestantes, pessoas com insônia, problemas estomacais e doenças cardíacas ainda podem ter contra-indicação no uso.

Além disso, quem gosta de tomar um cafézinho depois do almoço, cuidado, principalmente se tem anemia. Alguns estudos indicam que o consumo da mesma xícara de 250 ml de café após uma refeição é capaz de reduzir em 40% a absorção de ferro”, alerta a nutricionista.

Café da terra

Não é só pela participação na rotina de boa parte da população que o café é bebida marcante na região, é que ele também faz parte da nossa história. Na vizinha Bom Jardim, por exemplo, existem diversas plantações do fruto. Uma dessas propriedades de cultivo, inclusive, é a Fazendinha Bela Vista. Por lá, é produzido o grão que nas lojas e restaurantes chega como o “Café Cantares”. Selecionada e 100% arábica, a produção do Café Cantares recebe tratamento especial desde a colheita até a sua torra - com controle de cor e moagem.

Para o proprietário da empresa, Tiago Costa, esse é o grande diferencial da marca. “O grão ainda passa pelas fases de desmucilagem e secagem controlada, para resultar num café de qualidade gourmet. Ter uma café assim é um dos nossos maiores diferenciais. Um café gourmet exige toda uma filosofia de manuseio que vem desde o cultivo até a xícara”.

A produção do café é artesanal e, nos estabelecimentos comerciais tanto em Nova Friburgo quanto no Rio de Janeiro, é oferecido nas versões moído e torrado em grãos. Os produtos são acondicionados em pacotes metalizados com válvula aromática italiana, garantindo o frescor do aroma e do sabor por 12 meses. A sede da empresa fica na Rua Sebastião Pereira da Silva, 176, em Conselheiro Paulino e o telefone para contato é (22) 2527-4145.

Verdade ou mentira?

Que o café é a bebida queridinha do povo brasileiro não há dúvida. Mas será que tudo que falam sobre a iguaria é verdade? Separamos cinco afirmações sobre o café para que você descubra de uma vez por todas o que é fato e o que é mito. Confira:

  • O café coado tem mais sabor que o expresso”. Mito. O café expresso fica mais forte que o coado, devido a forma que é feita a bebida – o pó é prensado no filtro. Mas isso não significa mais sabor. O gosto do café coado permanece acentuado por mais tempo que o expresso, que é recomendável que seja ingerido logo após o seu preparo.
  • “Café tira o sono”. Verdade. A cafeína, substância presente no café, age como um estimulante no cérebro, dificultando o sono e combatendo a fadiga. Vale ressaltar, entretanto, que essa realidade muda de pessoa para pessoa, já que cada um tem um sistema nervoso. O efeito “despertador” do café dura uma média de duas horas.
  • “Café dá dor de cabeça”. Mito. Pelo contrário, a cafeína é uma das substâncias presentes em diversos medicamentos que combatem a dor de cabeça. Se a bebida causa dor de cabeça em você, isso pode acontecer porque seu sistema nervoso já é hiperativo e a cafeína reforça isso.
  • “Crianças não podem tomar café”. Depende da idade. O café é uma bebida que pode dificultar a absorção de algumas substâncias importantes para uma criança em crescimento. Por isso, é recomendado que antes dos seis anos de idade, a criança não consuma a bebida. Depois disso, ela pode ser até apresentada para os pequenos, mas com muita moderação.
  • “Não pode tomar medicamentos com café”. Verdade. O café pode inviabilizar as reações químicas propostas por substâncias de determinados medicamentos. Por isso, não é recomendável tomar comprimidos com a bebida.

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