As mensagens de 7 diferentes líderes espirituais

O significado do Ano Novo para religião, como celebram e o que esperam para 2018
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
por Karine Knust
Foto de capa

O Ano Novo pode ser apenas mais uma data no calendário, mas o poder da renovação de forças e bons sentimentos é inegável. É nessa época que grande parte das pessoas consolida a fé, alimentando as esperanças em um futuro melhor, mais justo, com paz e amor. Talvez por isso, as comemorações na virada do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro assumem, muitas vezes, um caráter religioso.

No Brasil, inúmeras instituições professam sua fé em algo maior, de diversas formas. E apesar dos anseios por felicidade e paz serem os mesmos, o ritual de passagem de ano também ganha diferentes contornos, quando cada crença com suas tradições.

Neste fim de ano, A VOZ DA SERRA ouviu sete das religiões com mais seguidores no município, com o objetivo de conhecer o significado do Ano Novo para cada uma delas, como celebram e o que esperam para 2018. 

Francisco Amaral - pastor da Primeira Igreja Batista e presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Nova Friburgo

“Para os evangélicos, o Ano Novo é visto com boa expectativa. Mesmo quando a própria realidade dos fatos nos apresenta adversidades no mundo político e econômico em nossa Nação, e que há conflitos que ameaçam a paz mundial, nossa expectativa é sempre de esperança, pois cremos em um Deus soberano que sustenta e guarda o mundo que Ele próprio criou. Não há, na verdade, uma tradição a ser celebrada nas igrejas evangélicas, mas há uma prática que vem se firmando através do tempo, que é o culto de vigília ou de passagem de ano, quando a igreja local se reúne para ouvir uma mensagem pastoral sobre a alegria de receber um novo ano com a mesma convicção de que o Senhor, que esteve conosco no ano que se finda, estará conosco, também, no Ano Novo. Por isso, é costume, na maioria das igrejas evangélicas, receber o Ano Novo em oração, seja nos templos ou nas próprias casas. A tônica das orações será sempre de gratidão pelo ano que findou e de entusiasmo pelo novo ano que traz novas oportunidades de realizar coisas novas e de consertar coisas que não foram bem feitas no ano velho. Fazemos planos e projetos e pedimos a bênção do Senhor para que sejam todos concretizados em 2018. Minha sugestão é descansar no Senhor e confiar na sua providência, e olhar firmemente para frente, para o alvo, que é Cristo, aquele que nos tem cuidado e sustentado.”              

 

Cesar Vasconcellos de Souza - médico psiquiatra adventista         

Os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia comemoram a passagem do ano na hora do pôr do sol do dia 31 de dezembro de cada ano, porque, segundo o relato bíblico em Gênesis, ao descrever a semana da criação, Deus, o Criador fez cada dia composto de tarde e manhã. Ou seja, cada dia de 24h tem uma parte escura e uma parte clara, e o que delimita um dia de 24h para outro dia é o pôr do sol, e não a meia-noite. Seja em família, na residência ou na igreja, é realizado um culto de agradecimento a Deus por mais um ano de vida que Ele concedeu a cada um. Há cânticos, breve sermão, agradecimentos pelo que Deus fez no ano que termina e pedidos a Ele para o novo ano que se inicia. Em seguida, há confraternização com a Santa Ceia ou ceia, geralmente vegetariana. O significado principal da comemoração que os adventistas fazem na virada do ano é o reconhecimento de que há um Deus Criador do Universo, Doador da Vida. Um novo ano é a esperança de que o tempo se aproxima para a vinda de Jesus (ver Evangelho de João capítulo 14) para terminar com este mundo cheio de injustiça, crimes, corrupção, morte, e é a esperança de vitórias pessoais, por Sua graça, contra nossos defeitos de caráter para que tenhamos progresso espiritual como indivíduos. Que ao final de 2018 possamos olhar para trás e ficar satisfeitos com o que Deus terá feito em nossa vida, incluindo nos ajudar a aliviar o sofrimento de muitas pessoas. Feliz 2018 na luz e graça do Senhor Deus Jesus Cristo”.

Gerson Acker - pastor da Igreja Luterana de Nova Friburgo

“É tradição de muitas famílias luteranas, antes dos festejos e “gordices” do fim de ano, fazer uma super faxina na casa. Quando digo “super”, falo do árduo processo de tirar móveis do lugar, aspirar, varrer, remover objetos desnecessários e esquadrinhar cantos que nem se sabia da existência. Esse processo implica retirar dos armários tudo que é supérfluo e doar peças para quem precisa. Esse é o nível superficial de uma boa espiritualidade de final de ano. Porém, não é suficiente.

Por uma questão de re-nascimento para um ano novo, há que se expulsar pensamentos nocivos da cabeça e sentimentos ruins do coração. Na Confessionalidade Luterana, as celebrações de ‘virada de ano’ e ‘ano novo’ representam um tempo de avaliação, gratidão, uma oportunidade para mudanças. Mudar traz insegurança, mas ao mesmo tempo, reacendem-se esperanças, sonhos. Nesse ambiente de mudança, de expectativa, de insegurança, de esperança, de sonhos, muitas igrejas luteranas se reúnem em culto. Muito mais que brindes e festejos, a transição para o Ano Novo é tempo de voltar-se para Deus e buscar conforto e orientação. Nas poéticas palavras do pastor luterano Dietrich Bonhoeffer (morto pelos nazistas) no ano novo de 1945: ‘De bons poderes protegidos, aguardamos tranquilos o que há de vir. Deus está conosco à tarde e pela manhã, e com certeza, a cada novo dia’. Que esta confiança nos acompanhe em 2018!”. 

 

Marcos Luiz Salgado - Pai de Santo da Casa de Caridade Pai Joaquim da Bahia

“O Ano Novo é o fim de um ciclo, pois estamos sempre renovando nossas conquistas e reciclando nossos valores. Existe um ritual a ser feito por todos os médiuns de um terreiro, seja na Umbanda ou no Candomblé. Os chefes espirituais de cada terreiro passam as instruções para o corpo mediúnico na última sessão de dezembro. No nosso caso, foi passado um banho de ervas para que todos tomem no último dia do ano que está se findando. Meus filhos de Umbanda, por exemplo, também são obrigados a irem ao terreiro para bater sua cabeça no dia 31, em agradecimento a Oxalá e Zambi por tudo aquilo que se passou durante essa caminhada, sejam as tristezas ou as alegrias, pois tudo que acontece é por sermos ou não merecedores. O ano de 2018, inclusive, será regido por Júpiter, que é representado pelo Orixá Xangô - da justiça, com a influência de Obaluayê. Por isso, vamos viver um ano de limpeza no nosso planeta, que por ganância está esquecendo tudo que a natureza, tão sábia, nos dá de graça. Como os rios sempre acabam correndo ao mar, entregamos nossas oferendas nos rios e cachoeiras. Vale esclarecer, entretanto, que o dia de deixarmos oferendas para Iemanjá é 2 de fevereiro, que é o dia correto para nós umbandistas, homenagear esse Orixá. Além disso, as pessoas que acreditam, gostam de passar para o ano seguinte com as cores do Orixá regente ou com as cores que têm seus significados, como o branco que representa a paz. Que Oxalá abençoe nosso caminho e que os Orixás da Umbanda possam nos proporcionar muitas alegrias.”

Fany Zissu - presidente da Associação Judaica de Nova Friburgo

“O Calendário judaico é lunar, então, ele nunca coincide com o calendário gregoriano que é o adotado aqui no Ocidente. São 12 meses também, mas ele se encerra em setembro, quando completam os ciclos da Lua. O Ano Novo, além de começar um novo ciclo, coincide sempre com a mudança de estação. Antigamente, era relacionado sempre aos ciclos da agricultura. Na última celebração do Ano Novo judaico reunimos 25 membros da Comunidade Judaica em Nova Friburgo. A comemoração do nosso ano novo é como a de outras festas, em torno da mesa, consumindo determinados pratos, fazendo preces e renovando os votos para o próximo ano. Mas nós temos uma peculiaridade nessa comemoração, que é o fato de sempre ingerir alimentos doces, como maçã para ter fartura e mel para ter doçura. O dia 31 de dezembro, em Israel, não tem significado e o dia 1º é de trabalho normal. Na diáspora, os judeus acabam se deixando contagiar pela cultura do local onde vivem. Então, nós comemoramos o dia 31 com os amigos também, afinal festa é festa. Ou seja, celebramos duas vezes.”

 

Ana Maria Melo de Deus - representante do Centro Espírita Caminheiros do Bem

“É natural que se festeje a mudança de ano, celebrando a vida entre amigos e familiares; emoções variadas são sentidas devido a convenção social de findar um período e iniciar outro. Adquirir a luminosidade íntima é tarefa árdua de domar as más tendências, mediante a coragem de reformar-se moralmente. Antes da celebração do Ano Novo, homenageamos o nascimento de Jesus na Terra. Entendemos que somos espíritos imortais, filhos de Deus, autores da nossa desdita ou da plenitude que advêm dos pensamentos, palavras e atos. Todo dia é ocasião de refazer planos mentais, construir ações edificantes que devem ser trabalhadas, com naturalidade, a fim de conquistarmos, passo a passo, maior equilíbrio; colocando-nos como instrumentos conscientes do Criador. Por isso, as oportunidades de fazer o bem devem ser aproveitadas para que o tempo seja bendito. Antigos e perniciosos hábitos devem ser, pouco a pouco, extintos e substituídos por outros, sadios, a fim de colaborarmos na construção de um mundo melhor onde a fraternidade seja a prática comum. A terra do coração deve ser adubada, irrigada para que as sementes do Divino Semeador encontrem condições de darem frutos. Que possamos semear flores de afeto e amor para que os dias que chegam sejam aromatizados com o perfume da paz e do entendimento.”

Dom Edney Gouvêa Mattoso - Bispo Diocesano de Nova Friburgo

“Na noite de 31 de dezembro, a Igreja Católica entoa o Te Deum, um hino de louvor a Deus por todas as graças recebidas no ano que se encerra e pelo dom de um novo ano que se inicia. Este recomeçar traz sempre a renovação dos sonhos e da esperança, sentimentos que têm seu fundamento na Boa Nova trazida pelo nascimento do Verbo de Deus no meio de nós. O início do novo ano deve ser vivido como impulso para a audaciosa missão de mudar nossa sofrida realidade. Não podemos nos esquecer, porém, que o mundo é construído a partir de nossas decisões individuais. Por isso, não podemos transformar o exterior sem antes assumir o mandamento deixado por Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 15,12). A busca egoísta por novidades pode nos levar a acreditar, por diversos motivos, que não temos de que nos alegrar. Esta visão rasa da atualidade só poderá ser vencida pela fé Naquele que renova todas as coisas. Desejo que no ano que estamos para começar, comemoremos os 200 anos de conquistas e desafios de uma cidade que não desiste nunca do ideal da construção de uma sociedade alicerçada na concórdia e na fraternidade, na qual reine a Justiça e a Paz.”

 

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