Maratona de Boston terá 1º corredor friburguense

Prova mais antiga do mundo exige índice, que varia de acordo com idade e categoria, e sujeita seleção à aprovação dos organizadores
quarta-feira, 11 de abril de 2018
por Vinicius Gastin (esportes@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Nazareno treinando nas trilhas de Friburgo

O espírito jovem de Manoel Nazareno Gonçalves de Araújo, no auge dos seus 67 anos, contagia. A vitalidade é reflexo de uma rotina de décadas dedicadas ao atletismo, e, há 28 anos, às maratonas. E são inúmeras ao longo dessas quase três décadas, algo em torno de 47, segundo os próprios cálculos. A próxima, no entanto, terá um sabor especial, coroando todo o esforço e disciplina do atleta.

Nazareno vai participar da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, no próximo dia 16. O evento é um dos mais tradicionais e disputados do mundo, onde é preciso ter um índice, que varia de acordo com a idade e a categoria do atleta. Além disso, ainda é necessário se cadastrar e passar por uma análise da organização do evento para ser selecionado.

Naza, como carinhosamente é chamado, conseguiu cumprir todos os pré-requisitos após completar a Maratona de Porto Alegre, em junho do ano passado, com o tempo de três horas, 25 minutos e 34 segundos, e será o primeiro friburguense  a participar da prova.

“Esse tempo que fiz em Porto Alegre teve até sobra para o que eu precisava para correr em Boston. Essa é a prova mais antiga do mundo, uma das mais importantes, e só perde praticamente para a Maratona Olímpica, que é realizada apenas a cada quatro anos. A de Boston é anual, e essa será a edição de número 122”, conta o atleta.

O desafio de Nazareno e dos outros mais de 20 mil participantes do mundo inteiro será completar os 42 quilômetros no melhor tempo possível. E, por que não, tentar uma premiação em sua categoria. Em 2014, ele participou de outra prova nos Estados Unidos, em Fort Lauderdale, na Flórida, e venceu na categoria de sua faixa etária. Além desta, o corredor participou de outras duas provas, de menor quilometragem, vencendo por idade.

A preparação para a prova em solo americano segue um cronograma regrado, mas com a proximidade do evento, o atleta começa a desacelerar. São cerca de 90 quilômetros por semana, menos que os até 130 habituais. “O mais importante é aliar a resistência e a velocidade. Fazemos a maior parte da preparação correndo na pista de atletismo do Estádio Eduardo Guinle, no Friburguense”, conta.

Quanto à alimentação, Nazareno revela que não há grandes segredos, apenas procedimentos naturais para um atleta. “Eu evito frituras e não bebo refrigerante. Não quer dizer que eu não coma certas coisas, mas procuro me alimentar de maneira mais saudável”, revela Naza.

O atleta de Nova Friburgo deve chegar aos Estados Unidos ainda nesta quinta-feira, 12, quatro dias antes da prova para se adaptar às condições climáticas. Atualmente os termômetros em Boston têm marcado, em média, 9 graus. A temperatura ideal para a corrida, de acordo com a preferência do corredor, seria por volta de 13 graus. “Depende muito da umidade do ar também. Se ela não estiver muito elevada ou baixa é bom para correr. Mesmo com temperaturas de 20 graus não há problemas”, garante.

“O Nazareno faz parte da Ascof desde que ela foi fundada. Ele já corria antes mesmo da associação existir. A diretoria da Ascof destaca que o atleta é um exemplo para as diversas pessoas que têm procurado a corrida. A associação sempre frisa com seus integrantes que o objetivo não é correr bem, é correr sempre, participar de todas as provas e chegar à máxima idade possível correndo. Correr uma prova gastando em torno de seis minutos por quilômetro e chegar próximo aos 70, 80 anos com a vitalidade semelhante à de Nazareno.

A prova de Boston

A Maratona de Boston foi criada em 1897 e até hoje ela acontece todos os anos, sendo considerada a mais antiga do mundo. A única prova que aconteceu antes dela foi a dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 1896. Outra curiosidade é que esta maratona foi a primeira a aceitar mulheres.

A prova passou a ser realizada na terceira segunda-feira de todo o mês de abril, no Dia do Patriota, feriado nacional dos Estados Unidos.     Para poder participar do evento, o atleta deve conquistar um índice que não é nada fácil. Exemplo: homens com idade entre 35 a 39 anos precisam ter completado após setembro de 2016 uma maratona em 3h10min (masculino), já as mulheres, em 3h40min (feminino).

Mesmo com a marca, muitos corredores não conseguem garantir sua vaga, pois os atletas com melhores tempos têm preferência.        O tradicional percurso da Maratona de Boston, que larga na cidade de New England, é famoso por ter duras subidas. A prova é tão importante para Boston que a linha de chegada, na Rua Boylston, está desenhada no asfalto e nunca é apagada. O recorde da competição pertence ao queniano Geoffrey Mutai, que em 2011 cravou 2h03min02s. A melhor marcar feminina é da etíope Buzunesh Deba (2h19min59s), obtida em 2014.

A prova também ficou famosa por um motivo lamentável. Em 2013, os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev passaram pela esquina da rua Gloucester com a avenida Boylston, em Boston. Cada um carregava uma mochila nas costas. Dez minutos depois, duas bombas explodiram em meio à multidão que acompanhava os metros finais da maratona da cidade. Doze segundos e algumas dezenas de metros separaram a primeira explosão da segunda. Três pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas.

Com a prova passando das quatro horas de duração, os atletas de elite já haviam completado o percurso. Naquele momento, competidores amadores corriam rumo à linha de chegada. Muitos foram arremessados com a força das explosões. À época, o país entrou em alerta. Uma prova – triste e indignante, é verdade – do tamanho da importância e visibilidade da Maratona de Boston.

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Alexandre Pereira dos Santos, da Ascof, foi o mais rápido, com tempo de 28 minutos e 8 segundos

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