Mar de lama

quinta-feira, 13 de abril de 2017
por Jornal A Voz da Serra

CAIU COMO uma bomba sobre a classe política brasileira a autorização dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, à Procuradoria Geral da República, para que investigue políticos citados nas delações de executivos da Odebrecht. Meio mundo político está envolvido: ministros do governo, governadores, senadores, deputados e partidos.

MAIS 201 pedidos, incluindo três ex-presidentes da República, foram enviados a outras instâncias da Justiça para que também estas abram inquéritos. Os citados serão investigados por crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de cartel e fraude em licitações. O ato não representa ainda uma condenação, e pode ser que esta demore muito tempo para que se efetive. Mas todos são suspeitos, e essa circunstância deveria pautar o comportamento do eleitor daqui para a frente, nas próximas eleições.

EMBORA A investigação não signifique culpa, pois agora os investigadores têm que juntar provas para apontar indícios de autoria e materialidade de crimes para apresentar as denúncias ou pedir o arquivamento, os suspeitos ficam fragilizados politicamente para continuar exercendo suas funções. Isso pode significar a paralisação temporária das atividades parlamentares, das reformas e do próprio governo. 

UM CENÁRIO desejável do ponto de vista da administração do país é a manutenção da normalidade dos projetos em andamento, mesmo que o interesse de alguns parlamentares seja apenas desviar o foco da investigação. A população quer a apuração rigorosa das suspeitas e a punição exemplar de todos os envolvidos com a corrupção, mas também precisa da manutenção da governabilidade para evitar o recrudescimento de uma crise que já começava a ser superada. 

É ESSENCIAL para o país manter a pauta econômica, pois tão importante quanto a faxina política é a retomada do crescimento e a recuperação dos milhares de postos de trabalho extintos nos últimos anos. Finalmente, mesmo com o expressivo envolvimento de autoridades nas suspeitas investigadas, é preciso que se diga que são políticos — e não a política, nem todos os políticos — os alvos da grande investigação. 

SE OS BRASILEIROS continuarem acreditando na Justiça e na democracia, um Brasil mais limpo, decente e justo haverá de emergir deste mar de lama. 

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