Mandatos em risco

quinta-feira, 01 de março de 2018
por Jornal A Voz da Serra

EM MAIS um ano eleitoral, a situação de boa parte dos parlamentares brasileiros tornou-se um constrangimento, que aos poucos vem se transformando em desespero, principalmente para quem corre o risco de não conseguir renovar seu mandato.

CONFORME levantamentos, metade dos deputados e senadores da atual legislatura responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça. Esse número já representa recorde e está concentrado em nove partidos. Além disso, os crimes de corrupção são os principais motivos de processos contra parlamentares.

OS NÚMEROS são ainda mais constrangedores, quando detalhados. Na realidade, ao todo, são pelo menos 48 os senadores com procedimentos abertos no STF, dos quais 34 estão sob investigação na Operação Lava Jato. Esses processos deixam claro, que nunca foi tão grande o número de senadores formalmente colocados sob suspeita de terem praticado crimes.

OS PEDIDOS de abertura de inquérito feitos pela Procuradoria Geral República envolvem os principais líderes do Senado e da Câmara Federal. Entre os nomes pedidos para serem investigados, estão alguns dos principais líderes da política nacional e que já ocuparam cargos de expressão no Executivo. Em relação aos partidos, o PT é o que tem o maior número de integrantes citados na apuração da Operação Lava Jato, seguido pelo MDB, PP, PSDB, DEM, PTB, PSB, PSDC e SD.

PARA CONTINUAR com foro privilegiado alguns senadores estão dispostos a buscar abrigo na Câmara Federal, onde a disputa é menos acirrada. Nessa lista dos desesperados para continuarem impunes estão nomes ligados aos três maiores partidos, como PT, PSDB e MDB. Cogita-se que até o presidente da República já pensa em tentar a reeleição, hipótese um tanto remota, diante do alto índice de rejeição junto ao eleitorado.

RESTA SABER, entretanto, se os eleitores, que geralmente têm memória curta, irão garantir a permanência desses políticos, compactuando assim, com o mar de lama que inunda o Senado, a Câmara e o Palácio do Planalto.

AINDA NÃO é possível saber o que vai acontecer de hoje em diante. Alguns analistas acreditam que nem mesmo o destino de Luiz Inácio Lula da Silva, que se tornou o primeiro ex-presidente da República ficha suja da história do Brasil, ao ser condenado pela Justiça em primeira e segunda instância, esteja selado, diante das possibilidades de recursos. É esperar para ver.

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